FC Porto é de novo `campeão de inverno`

O FC Porto conseguiu a liderança destacada na I Liga ao final da primeira volta, algo que não acontecia desde 2021/22, época que os 'dragões' concluíram com 91 pontos, atual recorde absoluto no principal escalão do futebol português.

Lusa /
Foto: Eduardo Costa - Lusa

A temporada de estreia para o técnico italiano Francesco Farioli tem estado próxima da perfeição no capítulo dos resultados, com 16 vitórias e um empate em 17 jornadas (49 pontos, em 51 possíveis) no campeonato, que representam a melhor pontuação ao final da primeira metade em campeonatos a 18 equipas.

O momento dos portistas, que lhes permitiu, com a vitória frente ao Santa Clara (1-0), no domingo, aumentar para sete pontos a distância para o segundo classificado Sporting, não tem paralelo no passado recente do clube, sendo necessário recuar quatro temporadas até à última liderança em período homólogo.

Em 2021/22, os 'dragões', com 47 pontos, chegavam à segunda volta com mais três do que o Sporting e sete do que o Benfica, no último de três títulos da I Liga conquistados por Sérgio Conceição, em sete temporadas no comando técnico do emblema 'azul e branco'.

Nessa temporada, o FC Porto conseguiu alargar ainda mais a sua vantagem na segunda volta - seis para o Sporting e 17 para o Benfica - e acabaria com o recorde pontual de toda a história do futebol português (91), mesmo tendo vendido o extremo colombiano Luis Díaz, uma das principais referências do plantel, para o inglês Liverpool no mercado de janeiro.

O registo de Conceição - 15 vitórias e dois empates - foi agora ultrapassado, assim como o do Benfica de 2019/20, que somou 48 pontos, com 16 vitórias e uma derrota.

Anteriormente, apenas havia sido líder em 2018/19, numa época que deve servir de alerta para os portistas: o FC Porto, à data campeão nacional, levava uma vantagem significativa de cinco pontos para o Benfica, que ocupava a segunda posição, mas os 'encarnados', com a entrada de Bruno Lage para o comando técnico, conseguiram reverter a situação e tornar-se campeões.

Na época anterior, em que o FC Porto quebrou um 'jejum' de cinco anos sem o título, também assumia o topo da classificação ao final da primeira volta, com dois escassos pontos de avanço para o Sporting.


Assim, desde o alargamento da I Liga a 18 emblemas em 2014/15, o FC Porto chegou à 17.ª ronda em vantagem por quatro vezes, tendo conseguido conquistar o título nacional em três. É, portanto, um histórico recente otimista para o clube, que, em sentido inverso, nunca foi capaz de reverter situações em que 'corria atrás do prejuízo' no mesmo período.

Para encontrar tamanha vantagem do FC Porto ao final da primeira volta, é preciso recuar a 2010/11, quando André Villas-Boas assumia o papel de treinador principal e levava oito pontos de avanço para o Benfica.

Nessa mesma época, os 'azuis e brancos' conquistaram campeonato, Taça de Portugal, Supertaça Cândido de Oliveira e Liga Europa e é também uma das equipas mais próximas de equiparar ao momento do FC Porto da 'era Farioli'.

À 15.ª jornada, somava 41 pontos, com apenas dois empates cedidos, levando 36 golos marcados e seis sofridos. Porém, não mostrou qualquer sinal de complacência e acabaria a temporada com uns impressionantes 19 pontos de distância em relação às 'águias'.

Desde 1972/73, nenhum clube foi capaz de obter resultados tão positivos nesta fase da temporada como o atual FC Porto. Há 53 anos, o Benfica, orientado pelo britânico Jimmy Hagan, venceu todos os 15 jogos da primeira volta, mas somou 30 pontos, numa altura em que a vitória valia apenas dois.

Na atual edição, o FC Porto apenas leva quatro golos sofridos em todo o campeonato, sendo a melhor defesa da prova, e apenas não manteve a sua baliza 'a zeros' em quatro ocasiões, frente a Sporting, Moreirense, Sporting de Braga e Estrela da Amadora, tendo, porém, derrotado todos esses adversários.

FC Porto com percurso quase 'imaculado' capitaliza deslizes dos rivais
O FC Porto fechou a primeira volta da edição 2025/26 da I Liga de futebol isolado e com uma margem pontual confortável para os rivais Sporting e Benfica, que lhe vale o estatuto de principal candidato ao título.

Decorridas 17 jornadas, os ‘azuis e brancos’, esta época orientados pelo italiano Francesco Farioli, somam 49 pontos, mais sete do que os ‘leões’ e mais 10 do que as ‘águias’, fruto de 16 vitórias e apenas um empate, num percurso quase imaculado, em que o único deslize foi um empate, sem golos, na receção ao Benfica.

Ainda assim, a igualdade foi insuficiente para retirar solidez a uma liderança construída com regularidade, na qual a equipa portista se destacou pela capacidade de controlar jogos em diferentes contextos competitivos, impondo-se tanto em casa como fora.

Venceu nos terrenos do Sporting e do Vitória de Guimarães, logo nas rondas iniciais, superou em casa o Sporting de Braga e goleou adversários teoricamente inferiores, revelando uma defesa consistente, que é a menos batida da prova, com apenas quatro tentos sofridos.

Nos confrontos diretos com os principais rivais, os portistas saíram reforçados com essa vitória em Alvalade (2-1), enquanto o empate frente ao Benfica não retirou maturidade competitiva, pois a equipa mostrou equilíbrio entre setores, forte capacidade de pressão e uma eficácia ofensiva constante, que rendeu 36 golos.
O Sporting, campeão em título, encerra a primeira volta no segundo lugar, com 42 pontos e apenas uma derrota, num percurso globalmente positivo, sustentado por um ataque demolidor (47 golos) e por várias exibições dominadoras, sobretudo em Alvalade, onde construiu resultados expressivos.

Por outro lado, os ‘leões’, com Rui Borges no comando, perderam pontos essencialmente nos jogos 'grandes' e em deslocações exigentes, com empates frente a Benfica, Sporting de Braga e Gil Vicente, além da derrota caseira com o FC Porto.

Ainda assim, o conjunto de Alvalade apresentou o melhor registo ofensivo entre os 'crónicos' candidatos ao título, com 47 golos marcados e nove sofridos.

A equipa de Alvalade brilhou em partidas de sentido único, com goleadas (6-0) frente a Arouca ou AVS, evidenciando dinâmica ofensiva e forte pressão alta.

Fora de casa, mostrou personalidade, vencendo em Guimarães e Famalicão, enquanto, no dérbi lisboeta, saiu da Luz (1-1) com um empate que espelhou equilíbrio competitivo.

o Benfica conclui a primeira volta no terceiro lugar, com 39 pontos, ainda invicto, mas penalizado por um número elevado de empates (seis) que limitaram a aproximação à liderança.

A época das ‘águias’ ficou marcada pela mudança de treinador no final da quinta jornada, com a saída de Bruno Lage e a entrada de José Mourinho, numa tentativa clara de relançar a equipa.

Os ‘encarnados’ empataram em jogos em que eram favoritos, nomeadamente frente a Casa Pia, Rio Ave e Santa Clara, todos em casa e em que sofreram os empates já nos descontos, além dos empates com Sporting, FC Porto e Sporting de Braga.

Após a chegada de Mourinho, registou-se maior organização defensiva e melhor controlo dos ritmos de jogo, mas sem uma melhoria significativa no número de vitórias.

Apesar disso, o Benfica apresentou momentos de qualidade, com vitórias convincentes fora de casa e uma defesa consistente.

O empate frente ao FC Porto e o dérbi equilibrado com o Sporting confirmaram competitividade nos jogos 'grandes', embora a equipa não tenha conseguido reduzir a diferença pontual para a liderança, fechando esta primeira ronda com 36 golos marcados e 11 sofridos.
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