Futebol Internacional
Ausência de prova de racismo permite a Prestianni sonhar com Mundial2026, diz especialista
A falta de "prova inequívoca" de racismo nos alegados insultos a Vinicius Júnior evitou uma sanção mais pesada a Prestianni, permitindo ao futebolista do Benfica manter o sonho do Mundial2026, defendeu hoje o especialista em direito desportivo Lúcio Correia.
Em declarações à agência Lusa, o especialista em direito desportivo analisou a decisão da UEFA suspender o avançado do Benfica por seis jogos (três dos quais com pena suspensa) por “insultos homofóbicos”, devido aos incidentes ocorridos no jogo frente ao Real Madrid, no play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Para Lúcio Miguel Correia, o desfecho é positivo para o extremo, de 20 anos, e para o clube ‘encarnado’, dado que o cenário inicial apontava para uma sanção mínima de 10 jogos.
"Fica fechada a mancha do racismo, o que é muito importante", afirmou o professor de Direito do Desporto na Universidade Lusíada de Lisboa, sublinhando que o castigo acaba por ser "um mal menor" perante a gravidade dos factos que inicialmente se apresentavam.
Para o jurista, a alteração da qualificação jurídica deveu-se à ausência de uma "certeza inequívoca" de que o jogador tivesse utilizado o termo "macaco" contra o brasileiro Vinicius Jr., para a qual podem ter contribuído os depoimentos recolhidos.
Embora a decisão da UEFA não especifique os "elementos de prova decisivos" para este desfecho, Lúcio Miguel Correia acredita os depoimentos recolhidos — incluindo os do próprio jogador e de elementos do Real Madrid — tenham sido determinantes.
Para o docente, "só quem tem acesso ao processo" pode conhecer os detalhes, mas é certo que algum elemento de prova concreto terá levado o instrutor a "retirar a questão do racismo" e a substituí-la pela condenação por conduta homofóbica.
O especialista esclareceu ainda que a sanção, aplicada em competições internacionais, não impede Prestianni de representar a Argentina no Mundial2026, podendo, caso seja convocado, cumprir os dois jogos na primeira fase da competição.
Lúcio Miguel Correia disse ainda acreditar que o Benfica dificilmente recorrerá da sentença para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).
"Tenho muitas dúvidas que queiram ir pelo caminho do recurso. O cenário que se estava a construir era completamente diferente e muito mais grave", concluiu.
O especialista notou ainda que "falta saber se vai sair ou não" a chamada "Lei Prestianni", que visa impedir os atletas de colocarem a mão à frente da boca quando se dirigem a terceiros.
O caso remonta a 17 de fevereiro, durante a primeira mão do play-off de acesso aos ‘oitavos’ da ‘Champions’ entre o Benfica e o Real Madrid. Na altura, no Estádio da Luz, em Lisboa, Vinicius Jr. acusou o extremo ‘encarnado’ de lhe ter dirigido insultos racistas, levando o árbitro François Letexier a acionar o protocolo antirracismo.
Embora Prestianni tenha negado sempre a ofensa racial, a UEFA abriu um processo disciplinar que culminou agora na condenação por "conduta discriminatória (homofóbica)", deixando de fora qualquer menção a racismo.
Além da suspensão do jogador, os incidentes nesse encontro resultaram ainda numa multa de 40.000 euros ao Benfica e na condenação ao fecho parcial do estádio (500 lugares) por um ano, com pena suspensa, devido ao comportamento dos adeptos.
Para Lúcio Miguel Correia, o desfecho é positivo para o extremo, de 20 anos, e para o clube ‘encarnado’, dado que o cenário inicial apontava para uma sanção mínima de 10 jogos.
"Fica fechada a mancha do racismo, o que é muito importante", afirmou o professor de Direito do Desporto na Universidade Lusíada de Lisboa, sublinhando que o castigo acaba por ser "um mal menor" perante a gravidade dos factos que inicialmente se apresentavam.
Para o jurista, a alteração da qualificação jurídica deveu-se à ausência de uma "certeza inequívoca" de que o jogador tivesse utilizado o termo "macaco" contra o brasileiro Vinicius Jr., para a qual podem ter contribuído os depoimentos recolhidos.
Embora a decisão da UEFA não especifique os "elementos de prova decisivos" para este desfecho, Lúcio Miguel Correia acredita os depoimentos recolhidos — incluindo os do próprio jogador e de elementos do Real Madrid — tenham sido determinantes.
Para o docente, "só quem tem acesso ao processo" pode conhecer os detalhes, mas é certo que algum elemento de prova concreto terá levado o instrutor a "retirar a questão do racismo" e a substituí-la pela condenação por conduta homofóbica.
O especialista esclareceu ainda que a sanção, aplicada em competições internacionais, não impede Prestianni de representar a Argentina no Mundial2026, podendo, caso seja convocado, cumprir os dois jogos na primeira fase da competição.
Lúcio Miguel Correia disse ainda acreditar que o Benfica dificilmente recorrerá da sentença para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).
"Tenho muitas dúvidas que queiram ir pelo caminho do recurso. O cenário que se estava a construir era completamente diferente e muito mais grave", concluiu.
O especialista notou ainda que "falta saber se vai sair ou não" a chamada "Lei Prestianni", que visa impedir os atletas de colocarem a mão à frente da boca quando se dirigem a terceiros.
O caso remonta a 17 de fevereiro, durante a primeira mão do play-off de acesso aos ‘oitavos’ da ‘Champions’ entre o Benfica e o Real Madrid. Na altura, no Estádio da Luz, em Lisboa, Vinicius Jr. acusou o extremo ‘encarnado’ de lhe ter dirigido insultos racistas, levando o árbitro François Letexier a acionar o protocolo antirracismo.
Embora Prestianni tenha negado sempre a ofensa racial, a UEFA abriu um processo disciplinar que culminou agora na condenação por "conduta discriminatória (homofóbica)", deixando de fora qualquer menção a racismo.
Além da suspensão do jogador, os incidentes nesse encontro resultaram ainda numa multa de 40.000 euros ao Benfica e na condenação ao fecho parcial do estádio (500 lugares) por um ano, com pena suspensa, devido ao comportamento dos adeptos.