Futebol Internacional
Mundial 2026
Mundial 2026. Cidade no Brasil chamada Cabo Verde torce por duas seleções
A tradição brasileira de pintar as ruas e o passeio das casas com a bandeira e cores do Brasil, ganhou outras tonalidades, ainda mais familiares, numa pequena cidade no interior do Sul de Minas Gerais para a Copa do Mundo.
Depois de Cabo Verde, não tem lugar no mundo que parece torcer mais pelos Tubarões Azuis que a cidade mineira de 11 mil habitantes que carrega o mesmo nome do país da costa oeste da África.
É o que conta~m os moradores, comerciantes, professores e o prefeito da cidade ouvidos pela Lusa nos últimos dias, que moram num clima tropical cercado de montanha e plantações de café.
A intimidade é tanta, que os cabo-verdenses já estão a chamar de “primos” nas redes sociais os cabo-verdianos que pararam o furioso ataque da seleção espanhola no jogo de estreia do mundial.
Nas escolas públicas da cidade o Governo local tem incentivado o ensino sobre o país Cabo Verde para as crianças e adolescentes, assim como enfeitar as escolas com as cores e bandeiras da ilha do Atlântico.
“O trabalho de pintura da rua foi muito interessante e interativo. Diversas crianças, jovens e adultos participaram da atividade”, descreve a professora Silvia Marina da Silva, 45 anos.
Segundo contou, o clima e entusiasmo na escola “aumentou ainda mais após a grande atuação da equipa em campo”, que fez história ao segurar o placar de zero a zero contra o furioso ataque da Espanha.
Dona de um bar no centro da cidade Laís Podestá, 38 anos, tem instalado um ecrã gigante para exibir os jogos na praça em frente ao seu estabelecimento comercial durante os jogos da seleção brasileira e dos Tubarões Azuis.
Segundo conta, a movimentação de clientes e crianças que encheram o bar começou pouco antes do mundial – quando a freguesia fechou a avenida principal da cidade, no início do mês, para pintar a via juntamente com 30 crianças.
“‘Nessa pintura, colocamos a bandeira de Cabo Verde, a bandeira do Brasil, e símbolos, como bola, golo, canarinho [mascote da seleção brasileira]”, descreveu.
A alguns quilómetros dali, também a mãe do pequeno Murilo Dias Feliu, de cinco anos, juntou parentes e crianças da família para pintar o passeio.
“A animação começou assim que a seleção de Cabo Verde se classificou para a Copa”, lembra Ana Karolina Dias, de 40 anos, “e já ficamos todos animados: ‘olha, Cabo Verde na Copa! Cabo Verde na Copa!”, repete o grito de euforia.
“Aquele empate contra a Espanha, com sabor de vitória, deixou-nos ainda mais felizes. Eu saí comentando tudo quanto é postagem nas redes sociais sobre a seleção de Cabo Verde, chamando os jogadores de primos, primos-irmão”, conta se divertindo ao dizer que vários cabo-verdianos passaram a interagir com ela, que acabou aprendendo novas expressões nos diálogos.
Para o próximo jogo contra o Uruguai, Karolina e a sua família espera que a equipa comandada pelo técnico Pedro Leitão Brito faça o primeiro golo, o que será celebrado com mais festa.
“Esperamos que a seleção vá para a frente na competição. Quem sabe fazer um golo contra o Uruguai ou um outro empate de novo?. Imagina? Se avançar o prefeito vai ter que decretar feriado”, brinca.
Independentemente do resultado para os próximos jogos, a dona do bar Laís Podestá faz um apelo, ou melhor, um convite ao guarda-redes dos Tubarões-Azuis.
“Vozinha, ídolo mundial, aqui na cidade ainda mais! Se ele puder vir para Cabo Verde, ele tem bebida de graça no meu bar”, declarou.
Apesar de terem o mesmo nome, as duas Cabo Verde são dois lugares bastante diferentes, a começar pelas praias turísticas das ilhas no oceano Atlântico, que destoam da bucólica cidade cercada de montanhas e plantações de café.
Como a maioria dos municípios da montanhosa Minas Gerais, Cabo Verde carrega atmosfera típica de ‘cidadizinha’ mineira: uma avenida larga no centro, que leva para uma igreja, e uma praça grande, onde todos sabem da vida de todos.
Ainda assim, a FIFA cometeu um erro em um mapa da Copa do Mundo em Dallas, nos Estados Unidos, ao colocar o marcador de Cabo Verde no coração do Brasil. Levando a câmara de Cabo Verde a brincar e, no perfil oficial no Instagram, republicar a postagem escrevendo “Calma aí, Fifa”.
Para o embaixador de Cabo Verde no Brasil, José Pedro Máximo Chantre D’Oliveira, o erro da FIFA não apaga o sentimento de grandiosidade que os cabo-verdianos carregam dentro do peito
“O erro da FIFA é normal e estamos habituados a conviver com a nossa realidade de país pequeno em dimensão e população. Em compensação, a alma é gigante”, contou à Lusa.
Esse sentimento, segundo conta, de um país que “é uma formiga com alma de elefante”, citou dando ênfase maior a palavra alma.
O embaixador lembra que os cabo-verdenses estão a seguir o trajeto dos Tubarões Azuis desde 30 de outubro 2024, ocasião em que ele fez uma visita oficial ao Prefeito e à cidade em Minas Gerais, estreitando desde então as relações.
“Neste momento, estamos muito satisfeitos por aumentar a alegria dos nossos irmãos mineiros e brasileiros no geral. A festa do povo caboverdiano sendo vivida pela população cabo-verdense de Minas Gerais aumenta os nossos sentimentos de fraternidade”, conta.
O embaixador estima que cerca de 6 mil cabo-verdianos e descendentes residam atualmente no Brasil e, neste momento de Copa do Mundo, as comunidades espalhadas pelo território brasileiro estão a fazer festa.
“Caboverdianos e brasileiros, a história e a cultura nos uniu desde os primórdios e agora o futebol está consolidando e divulgando esses laços dos dois povos atlânticos e irmãos”, observou.
O prefeito da cidade de Cabo Verde, Cláudio Antônio Palma, lembra que a visita do embaixador à região fortaleceu o laço entre as duas culturas.
Claudinho, como é conhecido, cita o trabalho dos educadores nas escolas para promover o país homônimo, além da ação dos moradores de pintarem as ruas com ajuda do governo local.
“O mais interessante disso tudo que está acontecendo, são as crianças, que estão muito empolgadas por verem o nome Cabo Verde [na mídia, na televisão], e curiosas pela história e geografia do país”, descreveu.
“Estamos felizes com o primeiro jogo, afinal é Cabo Verde, falamos a mesma língua, tem essa proximidade”, declarou ao prometer que o Governo local vai montar telão na praça principal da cidade para exibir todos os jogos dos Tubarões Azuis.
É o que conta~m os moradores, comerciantes, professores e o prefeito da cidade ouvidos pela Lusa nos últimos dias, que moram num clima tropical cercado de montanha e plantações de café.
A intimidade é tanta, que os cabo-verdenses já estão a chamar de “primos” nas redes sociais os cabo-verdianos que pararam o furioso ataque da seleção espanhola no jogo de estreia do mundial.
Nas escolas públicas da cidade o Governo local tem incentivado o ensino sobre o país Cabo Verde para as crianças e adolescentes, assim como enfeitar as escolas com as cores e bandeiras da ilha do Atlântico.
“O trabalho de pintura da rua foi muito interessante e interativo. Diversas crianças, jovens e adultos participaram da atividade”, descreve a professora Silvia Marina da Silva, 45 anos.
Segundo contou, o clima e entusiasmo na escola “aumentou ainda mais após a grande atuação da equipa em campo”, que fez história ao segurar o placar de zero a zero contra o furioso ataque da Espanha.
Dona de um bar no centro da cidade Laís Podestá, 38 anos, tem instalado um ecrã gigante para exibir os jogos na praça em frente ao seu estabelecimento comercial durante os jogos da seleção brasileira e dos Tubarões Azuis.
Segundo conta, a movimentação de clientes e crianças que encheram o bar começou pouco antes do mundial – quando a freguesia fechou a avenida principal da cidade, no início do mês, para pintar a via juntamente com 30 crianças.
“‘Nessa pintura, colocamos a bandeira de Cabo Verde, a bandeira do Brasil, e símbolos, como bola, golo, canarinho [mascote da seleção brasileira]”, descreveu.
A alguns quilómetros dali, também a mãe do pequeno Murilo Dias Feliu, de cinco anos, juntou parentes e crianças da família para pintar o passeio.
“A animação começou assim que a seleção de Cabo Verde se classificou para a Copa”, lembra Ana Karolina Dias, de 40 anos, “e já ficamos todos animados: ‘olha, Cabo Verde na Copa! Cabo Verde na Copa!”, repete o grito de euforia.
“Aquele empate contra a Espanha, com sabor de vitória, deixou-nos ainda mais felizes. Eu saí comentando tudo quanto é postagem nas redes sociais sobre a seleção de Cabo Verde, chamando os jogadores de primos, primos-irmão”, conta se divertindo ao dizer que vários cabo-verdianos passaram a interagir com ela, que acabou aprendendo novas expressões nos diálogos.
Para o próximo jogo contra o Uruguai, Karolina e a sua família espera que a equipa comandada pelo técnico Pedro Leitão Brito faça o primeiro golo, o que será celebrado com mais festa.
“Esperamos que a seleção vá para a frente na competição. Quem sabe fazer um golo contra o Uruguai ou um outro empate de novo?. Imagina? Se avançar o prefeito vai ter que decretar feriado”, brinca.
Independentemente do resultado para os próximos jogos, a dona do bar Laís Podestá faz um apelo, ou melhor, um convite ao guarda-redes dos Tubarões-Azuis.
“Vozinha, ídolo mundial, aqui na cidade ainda mais! Se ele puder vir para Cabo Verde, ele tem bebida de graça no meu bar”, declarou.
Apesar de terem o mesmo nome, as duas Cabo Verde são dois lugares bastante diferentes, a começar pelas praias turísticas das ilhas no oceano Atlântico, que destoam da bucólica cidade cercada de montanhas e plantações de café.
Como a maioria dos municípios da montanhosa Minas Gerais, Cabo Verde carrega atmosfera típica de ‘cidadizinha’ mineira: uma avenida larga no centro, que leva para uma igreja, e uma praça grande, onde todos sabem da vida de todos.
Ainda assim, a FIFA cometeu um erro em um mapa da Copa do Mundo em Dallas, nos Estados Unidos, ao colocar o marcador de Cabo Verde no coração do Brasil. Levando a câmara de Cabo Verde a brincar e, no perfil oficial no Instagram, republicar a postagem escrevendo “Calma aí, Fifa”.
Para o embaixador de Cabo Verde no Brasil, José Pedro Máximo Chantre D’Oliveira, o erro da FIFA não apaga o sentimento de grandiosidade que os cabo-verdianos carregam dentro do peito
“O erro da FIFA é normal e estamos habituados a conviver com a nossa realidade de país pequeno em dimensão e população. Em compensação, a alma é gigante”, contou à Lusa.
Esse sentimento, segundo conta, de um país que “é uma formiga com alma de elefante”, citou dando ênfase maior a palavra alma.
O embaixador lembra que os cabo-verdenses estão a seguir o trajeto dos Tubarões Azuis desde 30 de outubro 2024, ocasião em que ele fez uma visita oficial ao Prefeito e à cidade em Minas Gerais, estreitando desde então as relações.
“Neste momento, estamos muito satisfeitos por aumentar a alegria dos nossos irmãos mineiros e brasileiros no geral. A festa do povo caboverdiano sendo vivida pela população cabo-verdense de Minas Gerais aumenta os nossos sentimentos de fraternidade”, conta.
O embaixador estima que cerca de 6 mil cabo-verdianos e descendentes residam atualmente no Brasil e, neste momento de Copa do Mundo, as comunidades espalhadas pelo território brasileiro estão a fazer festa.
“Caboverdianos e brasileiros, a história e a cultura nos uniu desde os primórdios e agora o futebol está consolidando e divulgando esses laços dos dois povos atlânticos e irmãos”, observou.
O prefeito da cidade de Cabo Verde, Cláudio Antônio Palma, lembra que a visita do embaixador à região fortaleceu o laço entre as duas culturas.
Claudinho, como é conhecido, cita o trabalho dos educadores nas escolas para promover o país homônimo, além da ação dos moradores de pintarem as ruas com ajuda do governo local.
“O mais interessante disso tudo que está acontecendo, são as crianças, que estão muito empolgadas por verem o nome Cabo Verde [na mídia, na televisão], e curiosas pela história e geografia do país”, descreveu.
“Estamos felizes com o primeiro jogo, afinal é Cabo Verde, falamos a mesma língua, tem essa proximidade”, declarou ao prometer que o Governo local vai montar telão na praça principal da cidade para exibir todos os jogos dos Tubarões Azuis.