Última Hora
UGT chumba reforma da lei laboral. Acompanhe aqui as reações

Nova Associação Internacional de Futebolistas quer ser "sindicato de referência"

Nova Associação Internacional de Futebolistas quer ser "sindicato de referência"

Sindicatos de futebolistas de quatro países, que representam mais de 30 mil jogadores, formaram a Associação Internacional de Futebolistas (AIF), que pretende ser "o sindicato de referência" do setor mundialmente, disseram hoje os fundadores, em Madrid.

RTP /
Reuters

A AIF pretende ser um novo interlocutor de federações nacionais, regionais e internacionais de futebol, a par e para além da Federação Internacional de Jogadores de futebol (FIFPro).

"Se há outro sindicato é porque há espaço para outro sindicato. É o mundo democrático. Quando não estamos de acordo com algumas diretrizes, trabalhamos para novas diretrizes", afirmou o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (SAPESP) e agora também vice-presidente da AIF, Rinaldo José Martorelli, na conferência de imprensa de apresentação da nova associação, em Madrid.

Além do SAPESP, integram a AIF a Associação de Futebolistas Espanhóis (AFE), a Associação Mexicana de Futebolistas (AMFPRO) e a Associação Suíça de Jogadores de Futebol (SAFP, na sigla em inglês).

O presidente da AFE, David Aganzo, é o presidente da AIF, que tem como vice-presidentes os dirigentes das outras três organizações.

"Há grandes sindicatos à espera de se juntar" à AIF, afirmou David Aganzo, que não quis dar mais detalhes sobre que outras organizações e de que países e continentes poderão aderir à nova associação.

A nova associação tem como prioridades os direitos e condições das jogadores de futebol feminino, as condições laborais dos futebolistas em todo o mundo e a saúde mental, com um foco dirigido à preparação do final das carreiras, disseram hoje os dirigentes da AIF.

"Há países que vão estar no Mundial2026 que não têm futebol profissional. E se não sao profissionais, os jogadores não têm direitos. Esse é um ponto com que temos preocupaçao, levar a todos as garantias da regulação do trabalho", afirmou Rinaldo José Martorelli.

O dirigente da associação brasileira sublinhou que "muitos jogadores em todo o mundo não cobram ainda [um salário]", provavelmente, até a maioria, apesar da "perceção errada" que há globalmente do futebol.

Um dos objetivos concretos da AIF é a recuperação do fundo de garantia da FIFA, destinado a futebolistas que não recebem salários por dificuldades financeiras dos respetivos clubes e seleções.

Para já, a AIF vai estar presente no próximo congresso da FIFA, em 30 de abril, em Vancouver, no Canadá, onde vai reunir-se com o presidente da federação internacional de futebol, Gianni Infantino.

A AIF vai também "enviar cartas a todas as confederações e ligas" para se apresentar, assim como a outars entidades também de âmbito político, como a União Europeia, afirmou David Aganzo.

"Vamos procurar alianças e soluções para os problemas", afirmou o dirigente da associação espanhola, que recusou comentar um comunicado da FIFPro divulgado hoje de manhã com críticas à criação da AIF.

A FIFPro, que integra 70 associações nacionais e que representam mais de 60 mil futebolistas, disse no comunicado que a AIF "carece de legitimidade fundamental" para representar os jogadores a nível mundial.

A AIF nasce por "motivos pessoais e não por um mandato dos jugadores de todo o mundo", defendeu a FIFIPro no mesmo comunicado, em que lembra que David Aganzo abandonou a federação internacional em fevereiro, depois de deixar de presidir à organização, em 2024.

"Não vamos entrar em confronto. Há muito trabalho a fazer e este sindicato nasce hoje com toda a força do mundo. Somos um sindicato que nasce com independência e que é independente", finalizou.

(Com Lusa)
PUB