Benfica e FC Porto exigem explicações sobre saída de Duarte Gomes

Benfica e FC Porto exigem explicações sobre saída de Duarte Gomes

Benfica e FC Porto exigem esclarecimentos urgentes sobre a saída de Duarte Gomes da direção técnica de arbitragem, que motivou a Federação Portuguesa de Futebol a remeter para o Ministério Público factos relatados pelo ex-árbitro. O clube lisboeta pede mesmo uma reunião de emergência com a FPF.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Pedro A. Pina - RTP

Em comunicado no seu sítio oficial na Internet, os ‘encarnados’ exigem “esclarecimentos completos e garantias de que a arbitragem portuguesa não continuará sujeita a pressões, condicionamentos ou influências que colocam em causa a verdade desportiva”.

“O Sport Lisboa e Benfica encara com extrema gravidade as informações tornadas públicas sobre a saída de Duarte Gomes da arbitragem, motivadas por interferências incompatíveis com a independência que deve reger um setor absolutamente essencial para a credibilidade das competições”, lê-se.

O Benfica recorda que, “além dos alertas reiterados” ao longo da última temporada, já tinha assumido na última Assembleia Geral que esta seria uma época de “tolerância zero”.

“Reafirmamo-lo hoje: o Sport Lisboa e Benfica será intransigente na defesa da verdade desportiva e exigirá total transparência, independência e responsabilidade de todos aqueles que têm o dever de proteger a credibilidade do futebol português”, conclui o clube.

Por seu lado, o FC Porto, também em comunicado, manifesta "profunda preocupação e consternação" perante o atual estado da arbitragem em Portugal e exigiu esclarecimentos ao presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Luciano Gonçalves.

"Sem prejuízo do necessário apuramento rigoroso dos factos pelas instâncias competentes, e sem antecipar qualquer conclusão, a gravidade institucional das denúncias agora conhecidas impõe transparência, responsabilidade e respostas urgentes", sustentam os 'dragões'.

Duarte Gomes não enunciou publicamente os motivos da demissão, mas a decisão da FPF em remeter as circunstâncias em processo para o MP, hoje anunciada em comunicado, no âmbito da Regime Jurídico da Integridade do Desporto, levanta suspeição no setor da arbitragem, que os portistas consideram ser "um pilar essencial da credibilidade das competições".

"O futebol português não pode aceitar que o silêncio substitua os esclarecimentos que clubes, árbitros, demais agentes desportivos e adeptos têm o direito de conhecer", sublinhou o FC Porto, que pretende "instituições fortes e uma arbitragem acima de qualquer suspeita".

No mesmo comunicado, os 'dragões' recordam que, ao longo da última temporada, fizeram vários alertas públicos sobre o funcionamento do CA e consideram agora que "o tempo confirmou essas preocupações".

"O FC Porto realizou diversos alertas públicos de apreensão sobre o modelo de funcionamento do atual CA e sobre o modo como o mesmo estava a afetar o sereno funcionamento das competições e a criar instabilidade nas tomadas de decisão dos árbitros em campo", referem.

O clube liderado por André Villas-Boas pede também ao presidente da FPF, Pedro Proença, "uma ponderação profunda sobre o estado da arbitragem em Portugal", bem como "uma avaliação sobre as suas escolhas para liderar o setor" e uma intervenção que garanta "a tranquilidade necessária no arranque das competições nesta temporada".

"Exige-se, por isso, ao Senhor Presidente da FPF, Pedro Proença, até pelo seu reconhecido passado como árbitro de referência, uma ponderação profunda sobre o estado da arbitragem em Portugal", pode ler-se.

A FPF informou que o Conselho de Justiça vai hoje analisar a participação disciplinar remetida por Luciano Gonçalves, enquanto os seus órgãos “aguardam as conclusões das diligências a serem efetuadas pelas entidades competentes”.

(Com Lusa)
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