Duarte Gomes disponível para esclarecer renúncia

Duarte Gomes disponível para esclarecer renúncia

O ex-árbitro Duarte Gomes afirma-se disponível para prestar todos os esclarecimentos sobre os motivos que o levaram a renunciar ao cargo de diretor técnico da arbitragem na FPF, que a Federação Portuguesa de Futebol remeteu para o Ministério Público.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Duarte Gomes (esq.) num evento do Conselho de Arbitragem com o presidente, Luciano Gonçalves (centro) | Foto: Lusa

“Se for esse o caso, estarei totalmente disponível para prestar todos os esclarecimentos adicionais que me forem solicitados pelas entidades competentes, relativamente aos factos de que tomei conhecimento e aos motivos que determinaram a minha renúncia”, informou o antigo árbitro através de uma publicação nas redes sociais.

Na sexta-feira, Duarte Gomes apresentou renúncia ao cargo de diretor técnico da arbitragem na FPF e os motivos alegados, em participação formal ao organismo, levaram agora a federação a expor a situação junto do MP.

Publicamente, o antigo árbitro continua sem revelar os motivos da demissão, mas a decisão hoje da FPF em remeter a situação para o Ministério Público no âmbito da Regime Jurídico da Integridade do Desporto levanta suspeição no setor da arbitragem.

A exposição da situação ao MP por parte da FPF enquadra-se no Regime Jurídico da Integridade do Desporto, cujo n.º1 do artigo 6.º refere: “Sempre que os agentes desportivos tenham conhecimento ou suspeitem de comportamentos antidesportivos contrários aos valores da verdade, da lealdade e da correção e suscetíveis de alterar de forma fraudulenta uma competição desportiva ou o respetivo resultado”.

Em comunicado, Duarte Gomes não especifica a situação ou especifica os agentes envolvidos, revelando apenas que no final da última época um árbitro profissional partilhou consigo “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade”, suscitaram-lhe “preocupações institucionais muito relevantes”.

Duarte Gomes diz ter conduzido o assunto “com reserva, neutralidade e transparência”, mas que no decurso das diligências que fez considerou que “não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial ao desempenho” do seu cargo.

Esta polémica no setor da arbitragem da FPF, que regula as nomeações para a I e II Liga, já levou também o Benfica a pronunciar-se, com o clube ‘encarnado’ a pedir uma reunião de urgência com a Federação Portuguesa de Futebol.

“O Sport Lisboa e Benfica encara com extrema gravidade as informações tornadas públicas sobre a saída de Duarte Gomes da arbitragem, motivadas por interferências incompatíveis com a independência que deve reger um setor, absolutamente, essencial para a credibilidade das competições”, refere o clube.

Também o campeão FC Porto disse querer “respostas urgentes” em relação a este caso: “O futebol português não pode aceitar que o silêncio substitua os esclarecimentos que clubes, árbitros, demais agentes desportivos e adeptos têm o direito de conhecer”.

(Com Lusa)
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