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Investimento na I Liga bate recordes

Investimento na I Liga bate recordes

FC Porto, Sporting e Benfica reforçaram os seus ataques na janela de transferências de inverno, que fechou na segunda-feira e consolidou o recorde de investimento dos três ‘grandes’ e da própria I Liga numa época.

RTP /
Luis Guilherme, reforço de inverno para o Sporting Foto: Reuters

Depois dos 367,42 milhões de euros (ME) fixos desembolsados no verão, que perfizeram, desde logo, uma despesa global sem precedentes na mesma temporada, os 18 emblemas do escalão principal gastaram mais 57,48 ME no segundo período de inscrições de 2025/26, iniciado na viragem de ano civil.

Esses 424,9 ME quebraram o anterior máximo de despesa da I Liga num exercício, fixado em 283,61 ME há duas épocas, de acordo com os dados do Transfermarkt, portal alemão especializado em transações de futebol.

Líder da I Liga, prova que não vence desde 2021/22, o FC Porto gastou oito ME no inverno e acentuou o seu maior mercado de sempre, selado em 119,35 ME, conforme havia sido projetado pelo presidente ‘azul e branco’ André Villas-Boas, na apresentação do treinador italiano Francesco Farioli.

Na sequência de um investimento de 111,35 ME no verão, os ‘dragões’ trouxeram em definitivo o extremo polaco Oskar Pietuszewski (ex-Jagiellonia Bialystok) e o defesa central brasileiro Thiago Silva, de volta ao clube duas décadas depois, após terminar contrato com o Fluminense.

Já o médio costa-marfinense Seko Fofana (ex-Rennes) e o ponta de lança nigeriano Terem Moffi (ex-Nice) chegaram por empréstimo ao FC Porto, que antecipou o regresso de Vasco Sousa, cedido na primeira metade da temporada ao Moreirense e pelo qual fraturou o perónio da perna direita, sofrendo complicações no processo pós-cirúrgico.

Maior investimento no inverno registou o bicampeão nacional Sporting, ao adquirir dois extremos por 20,5 ME, casos do brasileiro Luís Guilherme (ex-West Ham, 14 ME), para a contratação mais cara da I Liga na reabertura do mercado, e do senegalês Souleymane Faye (ex-Granada, 6,5 ME).

A exemplo do FC Porto, os ‘leões’ nunca tinham despendido tanto numa época e somaram 101,85 ME, dos quais 81,35 ME decorreram do verão.

Ao contrário dos rivais, o Benfica não tinha ultrapassado o seu recorde de compras no início de 2025/26, mas fê-lo no inverno, ao chegar aos 116,55 ME, tendo repartido 11 ME nas últimas semanas entre o ala direito cabo-verdiano Lopes Cabral (ex-Estrela da Amadora, seis ME) e o avançado Rafa Silva (ex-Besiktas, cinco ME), de volta à Luz um ano e meio depois.

As ‘águias’ tinham como anterior máximo global de gastos os 115 ME de 2020/21, contra os 75,45 ME do Sporting em 2023/24 e os 68,71 ME do FC Porto em 2024/25, números que foram suplantados esta temporada pelos três clubes portugueses mais titulados, na certeza de que, para já, a I Liga só tem garantida duas vagas de acesso à Liga dos Campeões em 2026/27.

Estes cálculos incluem valores de transferências e taxas de empréstimos fixas, bem como reforço de passes de jogadores, mas não montantes dependentes da concretização de objetivos ou futuras cláusulas obrigatórias de compra - por exemplo, Georgiy Sudakov custará 20,25 ME ao Benfica em 2026/27, após ter sido cedido pelo Shakhtar Donetsk por 6,75 ME.

O Sporting de Braga, que integra sucessivamente o top 4 do campeonato desde 2017/18, acompanhou a tendência dos ‘grandes’, ao renovar o seu recorde de despesa pela terceira época seguida, fixando-o nos 35,57 ME.

O médio turco Demir Tiknaz (ex-Besiktas) implicou sete ME aos minhotos, novo destino do avançado libanês Samy Merheg (ex-Deportivo Pereira), sem custos, e do defesa central bósnio Adrian Barisić, emprestado pelo Basileia.

Longe dos gastos dos quatro primeiros classificados da I Liga andaram os restantes primodivisionários - o Estoril Praia foi o único sem reforços -, num inverno em que regressaram a Portugal nomes como Weverson e Héctor Hernández (Gil Vicente), Gabriel Veron (Nacional), Bruno Langa (Estrela da Amadora), Leonardo Buta (Rio Ave), Ignacio de Arruabarrena (Arouca) ou Gonçalo Paciência (Santa Clara).

Em função dos valores noticiados na imprensa desportiva, as contratações mais altas fora do top 4 foram do Rio Ave, que esteve particularmente ativo nas últimas horas e trouxe Ryan Guilherme (ex-Cruzeiro, 2,5 ME), também de volta ao futebol luso, Diogo Bezerra (ex-Belgrado, dois ME), Tamble Monteiro (ex-Portimonense, dois ME) e Jalen Blesa (ex-Cesena, 1,7 ME).

Gil Vicente campeão de receitas de inverno

Gil Vicente, Rio Ave e Famalicão foram os clubes da I Liga com maior receita na janela de transferências de inverno, que fechou na segunda-feira e teve poucas saídas nos três ‘grandes’.

Impulsionados pela melhor primeira volta da sua história no campeonato, os barcelenses valorizaram ativos e ultrapassaram os 20 milhões de euros (ME) nas vendas do avançado luso-brasileiro Pablo Felipe aos ingleses do West Ham, treinados pelo português Nuno Espírito Santo, e do guarda-redes Andrew ao campeão sul-americano e brasileiro Flamengo.

Pablo custou cerca de 23 ME fixos aos londrinos e protagonizou a maior transação da I Liga no segundo período de inscrições de 2025/26, iniciado na viragem do ano civil, tornando-se mesmo o quinto jogador mais caro a sair para o estrangeiro sem intromissão de Benfica, FC Porto e Sporting, atrás de Shoya Nakajima, Roger Fernandes, Vitinha e Francisco Trincão.

Já depois de Pablo ter batido o recorde de vendas do Gil Vicente, Andrew possibilitou mais 1,5 ME ao quinto classificado da I Liga, cuja receita com transações foi perseguida pelo Rio Ave, com 11,75 ME, e pelo Famalicão, com 10 ME.

André Luiz, alvo do interesse do Benfica, e Clayton, outrora no radar dos ‘grandes’, rumaram ao Olympiacos por 6,75 e cinco ME, respetivamente, após marcarem 17 dos 22 golos do Rio Ave no campeonato, fortalecendo os elos negociais do Rio Ave com o clube do Pireu, detido pelo grego Evangelos Marinakis, que também é o investidor maioritário da SAD vila-condense.

Outro avançado de saída de Portugal foi Yassir Zabiri, campeão e um dos melhores marcadores do Campeonato do Mundo de sub-20, conquistado por Marrocos em 2025, ao trocar o Famalicão pelo Rennes por 10 ME.

Os minhotos até poderiam ter assegurado mais dinheiro na segunda-feira, mas o médio e capitão Gustavo Sá rejeitou a mudança para o Al Ittihad, do técnico luso Sérgio Conceição, e optou por permanecer no futebol europeu.

Mais clubes nacionais tiveram altas receitas para as suas realidades, tais como o Estrela da Amadora, do qual partiram Lopes Cabral (Benfica, seis ME) e Oumar Ngom (Lecce, dois ME), e o Alverca, ao libertar Alex Amorim (Génova, oito ME), mediante os valores noticiados na imprensa desportiva.

Os ‘grandes’ foram comedidos nas vendas, com o Benfica a despedir-se de David Jurásek (Slavia Praga, três ME), que esteve cedido ao Besiktas na primeira metade da temporada, Leandro Santos (Moreirense, 800 mil euros) e Diogo Spencer (Alverca), emprestando Rafael Obrador (Torino).

O bicampeão nacional Sporting rescindiu com Jeremiah St. Juste, afastado dos treinos da equipa principal ‘leonina’ desde setembro e agora reforço do Feyenoord, numa janela em que cedeu Alisson Santos (Nápoles, 3,5 ME), Rodrigo Ribeiro (Augsburgo), Biel (Al Taawoun), Rafael Pontelo (Farense) e José Silva (Arouca).

Já o FC Porto, líder da I Liga, viu sair André Franco (Chicago Fire, 650 mil euros) e libertou de forma temporária Ángel Alarcón (Utrecht) e Gabriel Veron (Nacional), ao passo que o Sporting de Braga, que integra sucessivamente o top 4 do campeonato desde 2017/18, vendeu Afonso Patrão (Westerlo, 220 mil euros) e emprestou João Marques (Casa Pia).

Juntando as verbas negociadas do verão, o Sporting embolsou 182,1 ME em 2025/26 e foi o único a bater o seu recorde global de vendas no mesmo exercício, seguido de Benfica (101,7 ME), FC Porto (78,5 ME) e Sporting de Braga (51,02 ME), numa época em que a I Liga amealhou 527,34 ME - 455,86 ME no verão e 71,48 ME no inverno.

Estes cálculos incluem valores de transferências e taxas de empréstimos fixas, bem como reforço de passes de jogadores, mas não montantes dependentes da concretização de objetivos ou futuras cláusulas obrigatórias de compra - por exemplo, Orkun Kökçü valerá 25 ME ao Benfica em 2026/27, após ter sido cedido ao Besiktas sem qualquer custo.

A segunda e última janela de inscrições de jogadores para 2025/26 fechou em Portugal e nos cinco principais campeonatos europeus, mas o mercado continua ativo em países como Países Baixos, Turquia, Grécia, Áustria, Emirados Árabes Unidos, Roménia, México, Hungria, Suíça, Croácia, Rússia, Polónia, Brasil, China, Argentina, Ucrânia e Estados Unidos.

(Com Lusa)
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