Morreu Vicente Lucas, ex-internacional português, aos 90 anos
Oeiras, Lisboa, 14 abr 2026 (Lusa) - O ex-internacional português Vicente Lucas, que contribuiu para o histórico terceiro lugar da seleção nacional no Mundial1966, morreu hoje aos 90 anos, anunciaram a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e o Belenenses, único clube da carreira do defesa central.
"Com profunda tristeza e consternação, a FPF recebeu a notícia do falecimento de Vicente Lucas, protagonista incontornável do futebol português e figura maior da história do Belenenses", lê-se numa nota publicada no sítio oficial do organismo na Internet.
Nascido em Moçambique, mas com dupla nacionalidade, Vicente Lucas somou 20 internacionalizações pela seleção principal de Portugal, quatro das quais na fase final do Campeonato do Mundo de 1966, em Inglaterra.
O antigo defesa foi totalista nos triunfos lusos no Grupo 3 da primeira fase sobre Hungria (3-1), Bulgária (3-0) e Brasil (3-1), jogo no qual ficou celebrizado pela marcação ao avançado Pelé, um dos dois vencedores do prémio de jogador do século XX da FIFA, a par do argentino Diego Maradona.
Vicente Lucas também jogou a tempo inteiro na reviravolta vitoriosa frente à Coreia do Norte (5-3), guiada por quatro golos de Eusébio - dois de penálti -, nos quartos de final, tendo, depois, ficado no banco de suplentes na derrota perante a Inglaterra (2-1), nas 'meias', e no êxito sobre a então União Soviética (2-1), que deu uma inédita medalha de bronze a Portugal."A FPF associa-se à dor da família, dos amigos e de todos os que com ele privaram, recordando com respeito e reconhecimento o contributo e legado de Vicente Lucas para o futebol português", acrescentou o organismo.
A nível de clubes, o ex-central só representou o Belenenses como sénior e somou 284 jogos entre 1954 e 1967, tendo conquistado uma Taça de Portugal em 1959/60, numa final frente ao rival lisboeta Sporting (2-1).
No Estádio Nacional, em Oeiras, Vicente Lucas foi capitão e viu o seu irmão Sebastião Lucas da Fonseca, mais conhecido por Matateu e outro dos 'magriços' no Mundial1966, marcar o golo da reviravolta dos 'azuis', então orientados pelo brasileiro Otto Glória, precisamente o responsável técnico de Portugal na estreia na principal prova internacional de seleções.
"Um homem bom, simples, modesto e afável, que não gostava de afirmações sensacionalistas, mas a verdade manda que se diga: Vicente era até hoje a maior figura viva do Belenenses, uma lenda não só do nosso clube como do futebol português e mundial, (re)conhecido pelo seu desportivismo, correção, nobreza de caráter e valor futebolístico", assinalou o clube do Restelo, através das redes sociais.
O Belenenses descreveu um "jogador elegante, de fina técnica e com impecável sentido posicional", que começou como médio ofensivo, mas foi recuando no terreno e sobressaindo em funções defensivas, aportando uma "invulgar capacidade de marcação e de antecipação, que fez popularizar a frase, tantas e tantas vezes repetida, 'corta Vicente'".
"Numa das suas últimas entrevistas aos canais de comunicação do clube, deixou a mensagem que a todos tocou: 'O Belenenses é tudo para mim'. Vicente Lucas - o Homem que secou Pelé - deixou-nos hoje. Aos seus familiares, o Belenenses, num dos seus dias mais tristes, apresenta as mais sentidas condolências e informará em breve sobre as cerimónias fúnebres. Descansa em Paz, Vicente!", terminou.
Com a morte de Vicente Lucas, que ainda chegou a treinar o Belenenses, apenas três dos 22 convocados por Portugal para o Mundial1966 estão vivos, nomeadamente António Simões, José Augusto e Hilário Conceição.