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Portugueses com ambições elevadas no Dakar2026
Os pilotos portugueses Alexandre Pinto (Polaris), campeão mundial de todo-o-terreno em veículos ligeiros, e João Ferreira (Toyota Hilux), têm a ambição de alcançar a vitória no Rali Dakar de todo-o-terreno, cuja 48.ª edição decorre de 3 a 17 de janeiro, na Arábia Saudita.
Aos 26 anos, o piloto natural de Pegões (Setúbal) vai para a segunda participação na principal maratona de todo-o-terreno com o estatuto reforçado pela conquista do título mundial em 2025, juntamente com o navegador Bernardo Oliveira.
“O primeiro objetivo é terminar a prova. Mas a expectativa é conseguir o lugar mais alto do pódio. Tendo em conta os resultados, a preparação que fizemos, a mudança de carro, temos todas as condições para lutar pela corrida. Vamos ver dia a dia o que vai acontecendo”, disse o piloto da Old Friends Rally Team à agência Lusa.
Alexandre Pinto participa, este ano, aos comandos de um Polaris (no ano passado correu com um buggie Can-Am, mais antigo). Mas, apesar do título mundial e da nova máquina, não se vê como o favorito à vitória na categoria SSV, para veículos ligeiros.
“Favorito? Penso que não. Mas serei considerado um piloto a ter em conta. O meu feito é grande mas a carreira ainda é curta”, frisou.
O piloto de 26 anos admite que possa estar “entre os favoritos” mas sem ter o principal foco da atenção e da pressão.
Ainda assim, há um pormenor que ajuda a fazer a diferença na confiança com que enfrentará as dificuldades da prova saudita.
“Irei ostentar o número 400 [primeiro da categoria SSV], o que será sempre um bom sinal. Mas teremos pilotos de renome, com vários ‘Dakares’ ganhos”, sublinhou.
Outro aspeto importante para a construção de uma confiança inabalável foi a conquista do título mundial, o primeiro de um português nas quatro rodas.
“[O título mundial] mudou, talvez, a forma de acreditar, cada vez mais, que é possível. E dá-me mais motivação para trabalhar cada vez mais para o desporto e a ambição de chegar mais longe. Nunca esquecendo que tenho muito orgulho e é um feito que fica na história. É um título de afirmação e de perceber que o trabalho traz resultados”, sublinhou.
Mas nem tudo foram rosas pois o título mundial trouxe consigo, também, uma mágoa.
“Mencionando o Estado Português, não houve o reconhecimento devido, nem perto disso. Nem sequer me disseram nada. As televisões só se interessam por futebol. Agradeço aos canais que me convidaram mas temos de ser nós a lutar por ser mais reconhecidos. Senti um bocadinho de falta de reconhecimento, sobretudo por parte de entidades que deviam dar a conhecer ao povo o feito que foi”, lamentou.
João Ferreira também olha para o título
Aos 26 anos, João Ferreira trocou o Mini pela Toyota Hilux preparada pela Toyota Gazoo Racing da África, mudança que o piloto natural de Leiria acredita dar-lhe condições para poder ombrear com os habituais favoritos.
“Acho que, a cada ano que vou ao Dakar, vou melhor preparado. Este ano, em conjunto com a SVR, com a Toyota Gazoo Racing na África do Sul e com a continuidade dos patrocinadores que me têm apoiado, sinto que é o Dakar para o qual estou mais bem preparado”, afirmou o piloto luso, em entrevista à agência Lusa.
João Ferreira acredita que este ano estão reunidas as condições para melhorar o oitavo lugar conseguido em 2025.
“Tenho uma equipa vencedora comigo e um carro vencedor. Os meus mecânicos foram chefes de carro do vencedor do Dakar de 2025, o engenheiro também, o engenheiro de motores também. Ou seja, tenho praticamente o 'pacote' do piloto que ganhou o Dakar: só muda o piloto e muda o navegador. E o navegador tem muita experiência. Portanto, está tudo reunido para eu conseguir fazer um bom resultado”, sublinhou.
Depois de ter passado pelas categorias de veículos ligeiros em 2023 e 2024, conseguindo quatro vitórias em especiais (uma em 2023 e três em 2024), João Ferreira mudou-se para a categoria principal, a Ultimate, com um Mini, em 2025. A estreia foi promissora, com um oitavo posto final.
“O meu objetivo é claro, é vencer. Obviamente que o Dakar é muito duro e, como disse, é muito difícil prever o que vai acontecer. Mas vou fazer tudo para vencer. As previsões fazem-se durante o rali, mas o objetivo inicial, antes de começar, é a vitória”, apontou.
Até porque este ano sente-se melhor preparado: “Este ano comecei a preparação mais cedo e de forma mais intensa. Treinei muito. A nível pessoal sinto que estou muito bem preparado”.
Apesar de este ano a organização ter mudado um pouco o figurino de algumas etapas, nomeadamente da grande etapa maratona que obrigava os pilotos a pernoitarem no meio da especial, João Ferreira considera que a corrida não ficou mais fácil.
“Em vez de espalhar pilotos “no meio do nada”, a organização vai concentrar tudo no mesmo bivouac, por questões de logística. Acho que foi uma decisão inteligente. Mesmo sem a etapa de 48 horas, vai ser um Dakar duríssimo, disso não tenho dúvidas”, frisou.
Por outro lado, o piloto luso mostra-se desiludido pela ausência de etapas no deserto do Empty Carter.
“Infelizmente não se vai às dunas do Empty Quarter. Não sei porquê, era uma zona muito gira e desafiante, para nós e para as máquinas. Mas a organização escolheu esse caminho. E se retirou as dunas difíceis do Empty Quarter, colocou a dificuldade noutro sítio. Portanto, não vai ser um Dakar mais fácil por isso”, acredita.
O piloto de 26 anos indica a segunda etapa, “com muita pedra”, e algumas da segunda semana, como as decisivas para a corrida.
“Vai haver muita pedra neste Dakar. E nas etapas “100% pedra” é onde muita gente fica pelo caminho. Vamos ver. Temos a estratégia bem delineada com a equipa e vamos ver o que conseguimos fazer”, disse.
“O primeiro objetivo é terminar a prova. Mas a expectativa é conseguir o lugar mais alto do pódio. Tendo em conta os resultados, a preparação que fizemos, a mudança de carro, temos todas as condições para lutar pela corrida. Vamos ver dia a dia o que vai acontecendo”, disse o piloto da Old Friends Rally Team à agência Lusa.
Alexandre Pinto participa, este ano, aos comandos de um Polaris (no ano passado correu com um buggie Can-Am, mais antigo). Mas, apesar do título mundial e da nova máquina, não se vê como o favorito à vitória na categoria SSV, para veículos ligeiros.
“Favorito? Penso que não. Mas serei considerado um piloto a ter em conta. O meu feito é grande mas a carreira ainda é curta”, frisou.
O piloto de 26 anos admite que possa estar “entre os favoritos” mas sem ter o principal foco da atenção e da pressão.
Ainda assim, há um pormenor que ajuda a fazer a diferença na confiança com que enfrentará as dificuldades da prova saudita.
“Irei ostentar o número 400 [primeiro da categoria SSV], o que será sempre um bom sinal. Mas teremos pilotos de renome, com vários ‘Dakares’ ganhos”, sublinhou.
Outro aspeto importante para a construção de uma confiança inabalável foi a conquista do título mundial, o primeiro de um português nas quatro rodas.
“[O título mundial] mudou, talvez, a forma de acreditar, cada vez mais, que é possível. E dá-me mais motivação para trabalhar cada vez mais para o desporto e a ambição de chegar mais longe. Nunca esquecendo que tenho muito orgulho e é um feito que fica na história. É um título de afirmação e de perceber que o trabalho traz resultados”, sublinhou.
Mas nem tudo foram rosas pois o título mundial trouxe consigo, também, uma mágoa.
“Mencionando o Estado Português, não houve o reconhecimento devido, nem perto disso. Nem sequer me disseram nada. As televisões só se interessam por futebol. Agradeço aos canais que me convidaram mas temos de ser nós a lutar por ser mais reconhecidos. Senti um bocadinho de falta de reconhecimento, sobretudo por parte de entidades que deviam dar a conhecer ao povo o feito que foi”, lamentou.
João Ferreira também olha para o título
Aos 26 anos, João Ferreira trocou o Mini pela Toyota Hilux preparada pela Toyota Gazoo Racing da África, mudança que o piloto natural de Leiria acredita dar-lhe condições para poder ombrear com os habituais favoritos.
“Acho que, a cada ano que vou ao Dakar, vou melhor preparado. Este ano, em conjunto com a SVR, com a Toyota Gazoo Racing na África do Sul e com a continuidade dos patrocinadores que me têm apoiado, sinto que é o Dakar para o qual estou mais bem preparado”, afirmou o piloto luso, em entrevista à agência Lusa.
João Ferreira acredita que este ano estão reunidas as condições para melhorar o oitavo lugar conseguido em 2025.
“Tenho uma equipa vencedora comigo e um carro vencedor. Os meus mecânicos foram chefes de carro do vencedor do Dakar de 2025, o engenheiro também, o engenheiro de motores também. Ou seja, tenho praticamente o 'pacote' do piloto que ganhou o Dakar: só muda o piloto e muda o navegador. E o navegador tem muita experiência. Portanto, está tudo reunido para eu conseguir fazer um bom resultado”, sublinhou.
Depois de ter passado pelas categorias de veículos ligeiros em 2023 e 2024, conseguindo quatro vitórias em especiais (uma em 2023 e três em 2024), João Ferreira mudou-se para a categoria principal, a Ultimate, com um Mini, em 2025. A estreia foi promissora, com um oitavo posto final.
“O meu objetivo é claro, é vencer. Obviamente que o Dakar é muito duro e, como disse, é muito difícil prever o que vai acontecer. Mas vou fazer tudo para vencer. As previsões fazem-se durante o rali, mas o objetivo inicial, antes de começar, é a vitória”, apontou.
Até porque este ano sente-se melhor preparado: “Este ano comecei a preparação mais cedo e de forma mais intensa. Treinei muito. A nível pessoal sinto que estou muito bem preparado”.
Apesar de este ano a organização ter mudado um pouco o figurino de algumas etapas, nomeadamente da grande etapa maratona que obrigava os pilotos a pernoitarem no meio da especial, João Ferreira considera que a corrida não ficou mais fácil.
“Em vez de espalhar pilotos “no meio do nada”, a organização vai concentrar tudo no mesmo bivouac, por questões de logística. Acho que foi uma decisão inteligente. Mesmo sem a etapa de 48 horas, vai ser um Dakar duríssimo, disso não tenho dúvidas”, frisou.
Por outro lado, o piloto luso mostra-se desiludido pela ausência de etapas no deserto do Empty Carter.
“Infelizmente não se vai às dunas do Empty Quarter. Não sei porquê, era uma zona muito gira e desafiante, para nós e para as máquinas. Mas a organização escolheu esse caminho. E se retirou as dunas difíceis do Empty Quarter, colocou a dificuldade noutro sítio. Portanto, não vai ser um Dakar mais fácil por isso”, acredita.
O piloto de 26 anos indica a segunda etapa, “com muita pedra”, e algumas da segunda semana, como as decisivas para a corrida.
“Vai haver muita pedra neste Dakar. E nas etapas “100% pedra” é onde muita gente fica pelo caminho. Vamos ver. Temos a estratégia bem delineada com a equipa e vamos ver o que conseguimos fazer”, disse.
(Com Lusa)