Pressão sobre Gianni Infantino aumenta com oposição de membros da UEFA

Pressão sobre Gianni Infantino aumenta com oposição de membros da UEFA

Está a tornar-se cada vez mais difícil para Gianni Infantino manter-se como presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), principalmente com a pressão das ligas europeias.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Dylan Martinez - Reuters

A UEFA já tinha anunciado no fim-de-semana que Gianni Infantino perdeu a confiança do organismo que tutela o futebol europeu, poucas horas depois de o presidente da FIFA ter recuado na proposta de entrada de investidores privados. Mas a pressão aumenta com vários países europeus a ameaçar retirar apoio à sua reeleição.

E já há movimentações nesse sentido: o País de Gales foi o primeiro a retirar publicamente apoio à candidatura de Infantino. Decisão anunciada esta segunda-feira, ao mesmo tempo que a UEFA ameaça o presidente da FIFA judicialmente, advertindo-o de que não pode destruir documentos sobre o plano de venda do Campeonato Mundial.

A Federação Galesa de Futebol confirmou à Sky News, em comunicado, “a retirada do seu apoio à candidatura de Gianni Infantino à reeleição como presidente da FIFA para o mandato de 2027-2031".

"As recentes falhas gestão, nos processos, na liderança, nos valores, na gestão das partes interessadas, na comunicação e no bom senso levaram-nos a uma situação em que o Sr. Infantino perdeu a confiança da FAW para permanecer no comando do futebol mundial", declarou a federação. "Não priorizar os melhores interesses do futebol é uma falha que não podemos aceitar”.

A posição de Gianni Infantino como presidente da FIFA parece insustentável após o plano falhado de vender uma participação nos direitos comerciais do Mundial, disse no domingo o responsável pelas ligas profissionais de futebol da Europa. Claudius Schaefer, cuja organização representa 53 ligas profissionais de futebol masculino e feminino, disse que só pode haver "uma consequência" para Infantino, depois de este plano ter desencadeado uma onda de protestos por parte das associações regionais.
UEFA ameaça com tribunal 
O Telegraph divulgou uma carta enviada pela própria UEFA a Gianni Infantino, na passada sexta-feira, na qual deixava claro que estava "ativamente a considerar medidas legais, arbitrais e/ou queixas reguladoras".

O organismo liderado por Aleksander Ceferin avisou o presidente da FIFA que "está obrigado a dar passos imediatos para identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente" relativos a este dossiê, impedindo-o de levar a cabo qualquer tipo de "destruição rotineira de documentos".

"A UEFA - assim como outras confederações, federações-membro da FIFA e 'stakeholders' do futebol - condenaram veementemente o plano da FFE nos mais fortes termos como sendo fundamentalmente incompatível com a devida governação do futebol. Dado que processos são razoavelmente antecipados, está obrigado a preservar todos os materiais relevantes (conforme descritos) com efeitos imediatos".

A posição de Gianni Infantino está insustentável, depois da polémica global causada pela tão badalada proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objetivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo (entre elas, o Campeonato do Mundo). Projeto imediatamente chumbado pela UEFA, CONCACAF e AFC e começa mesmo a ficar em causa a reeleição na presidência da FIFA.


C/agências
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