Futebol Internacional
Mundial 2026
Racismo no Mundial. Dos adeptos aos comentadores, estereótipos perduram e podem ser estruturais, admite investigador português
Nuno Leite, investigador no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, comenta a forma subtil como alguns comentários estão a reproduzir discursos racistas na avaliação dos jogadores e Seleções neste Mundial 2026. "Entra muito no espectro do racismo estrutural", explica em entrevista à RTP Antena 1.
Jogadores das seleções africanas associados à força; jogadores das seleções europeias à técnica: no universo do futebol, os estereótipos raciais continuam a marcar presença nos discursos mediáticos, muitas vezes de forma “involuntária e automática”, descreve o investigador Nuno Leite.
A edição 2026 do Mundial de Futebol tem sido marcada por polémicas fora das quatro linhas. Uma delas tem sido os comentários em relação aos jogadores africanos: Rade Bogdanovic ou Bastian Schweinsteiger foram mesmo acusados de racismo, por repetirem estereótipos em relação aos atletas africanos.
O tema não é novo para Nuno Leite, que, em 2021, concluiu o mestrado em Estudos Africanos, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a tese “A representação dos agentes desportivos africanos nos media”. Os estereótipos nem sempre são óbvios de forma isolada, mas o contraste revela-os: enquanto jogadores africanos são frequentemente descritos por características como força física, emotividade ou velocidade, os jogadores europeus ou sul-americanos são associados a qualidades como a tática, a técnica ou a frieza, sublinha Nuno Leite.
Um dicotomia, explica, que reflete um “racismo estrutural” enraizado em “referentes culturais e sociais”, que acabam por ser reproduzidos por comentadores, antigos jogadores e jornalistas.
A edição 2026 do Mundial de Futebol tem sido marcada por polémicas fora das quatro linhas. Uma delas tem sido os comentários em relação aos jogadores africanos: Rade Bogdanovic ou Bastian Schweinsteiger foram mesmo acusados de racismo, por repetirem estereótipos em relação aos atletas africanos.
O tema não é novo para Nuno Leite, que, em 2021, concluiu o mestrado em Estudos Africanos, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a tese “A representação dos agentes desportivos africanos nos media”. Os estereótipos nem sempre são óbvios de forma isolada, mas o contraste revela-os: enquanto jogadores africanos são frequentemente descritos por características como força física, emotividade ou velocidade, os jogadores europeus ou sul-americanos são associados a qualidades como a tática, a técnica ou a frieza, sublinha Nuno Leite.
Um dicotomia, explica, que reflete um “racismo estrutural” enraizado em “referentes culturais e sociais”, que acabam por ser reproduzidos por comentadores, antigos jogadores e jornalistas.