Futebol Internacional
Mundial 2026
Estreante Uzbequistão atesta evolução em contexto mais exigente
O estreante Uzbequistão, adversário de Portugal na segunda jornada do Grupo K do Mundial2026, na terça-feira, tenta mensurar a sua progressão num torneio mais exigente, salienta o treinador português Pedro Moreira, com passado no futebol uzbeque.
“A grande dificuldade é perceber em que nível eles estão. O jogo que têm apresentado nos torneios asiáticos faz com que sejam muito mais fortes em várias situações, mas não lhes tem permitido assumir a iniciativa num cenário como o Mundial. Baseiam-se na aglomeração defensiva, em linhas baixas e na organização para, após recuperarem a bola, fazerem uma boa transição”, descreveu à agência Lusa o técnico, de 51 anos, que orientou em 2024/25 o Pakhtakor, recordista de títulos de campeão uzbeque (16).
Na quarta-feira, o Uzbequistão tornou-se o 84.º país a atuar em fases finais da principal prova internacional de seleções e o quarto e último debutante a entrar em ação nesta edição, ao perder frente à vice-campeã sul-americana Colômbia (3-1), na Cidade do México, para a ronda inaugural da ‘poule’ K, formada ainda por Portugal e República Democrática do Congo.
“Estão a apalpar terreno numa nova realidade e a ver como conseguem ser mais capazes. Nesta partida, viu-se mais procura [pelo golo], muitas vezes com poucos atletas. Não chegam ao último terço com a equipa completa. Têm sempre três defesas centrais [atrás] e um médio a garantir equilíbrio, pelo que atacam com seis e, às vezes, sete. Isso nem sempre dá muitas valias ofensivas, mas a forma como estão organizados é bem mais importante para eles”, analisou o antigo técnico de Torreense e Casa Pia.
Primeiro país da Ásia Central num Campeonato do Mundo, o Uzbequistão juntou-se à Rússia e à Ucrânia entre as antigas repúblicas soviéticas que chegaram às fases finais, 35 anos depois da sua independência da União Soviética (URSS), quarta colocada em 1966, num total de sete presenças.
“Há uma aposta muito grande. O centro de treinos da Associação de Futebol do Uzbequistão (UFA) é muito moderno e o complexo olímpico foi reformado. Têm sido campeões em vários escalões jovens na Ásia e houve também uma visibilidade ainda maior pela inédita participação nos Jogos Olímpicos Paris2024”, realçou, em alusão aos dois títulos continentais de sub-17, um de sub-20, festejado como anfitrião em 2023, e um de sub-23.
Duas chegadas aos quartos de final e uma aos ‘oitavos’ do Mundial de sub-20, do qual serão coorganizadores com o Azerbaijão em 2027, bem como duas presenças nos ‘quartos’ e outras tantas nos ‘oitavos’ da competição homóloga de sub-17, atestam também a evolução na última década e meia dos uzbeques, um dos nove países asiáticos no Campeonato do Mundo sénior, após o segundo lugar no Grupo A da terceira fase, a dois pontos do Irão.
Pedro Moreira viu “uma explosão de alegria e um enorme entusiasmo” em Tashkent aquando da qualificação, que, volvidas sete tentativas falhadas, desde 1998, foi garantida em junho de 2025 com Timur Kapadze, já depois da saída do treinador esloveno Srecko Katanec, por problemas de saúde, e antes de a UFA apostar no italiano Fabio Cannavaro, campeão do mundo como futebolista pela Itália em 2006 e último defesa a conquistar a Bola de Ouro.
“A base de recrutamento é muito maior do que há uns anos e as seleções passam bastante tempo em estágio. O projeto da UFA obriga os clubes a ceder jogadores durante muito tempo. Por exemplo, esta equipa está em estágio desde 06 de maio. Quem atua fora veio um pouco mais tarde, mas quem compete no campeonato uzbeque está com Fabio Cannavaro desde essa data. Há uma cultura de equipa e fizeram uma pré-época para o Mundial2026, com uma base forte de preparação”, enquadrou.
Dos 26 convocados, 10 pertencem a clubes estrangeiros, entre os quais o defesa central Abdukodir Khusanov, cuja contratação pelos ingleses do Manchester City no ano passado elevou a visibilidade do futebol uzbeque.
“Os jogadores de referência são os que foram para fora, tiveram sucesso e vingaram o nome do país. A sensação que tenho é de que há miúdos que participaram neste processo de maior qualidade das seleções jovens e já estão a sair. Alguns foram mais cedo para a Europa e acredito que vá aumentar o olhar sobre este mercado”, notou o vencedor da Taça do Uzbequistão em 2025.
Antigo adjunto de Paulo Fonseca, Pedro Moreira lembra que Fabio Cannavaro apostou em futebolistas que se destacaram no campeonato local, mas “não estavam há algum tempo nos planos da seleção”, triunfante na Taça da Nações da Ásia Central em 2025 e afastada nos penáltis pelo anfitrião e futuro bicampeão Qatar nos ‘quartos’ da Taça Asiática de 2023.
“Estão a melhorar no idioma inglês, mas nem todos o dominam e há algum receio de jogar fora por causa disso. Agora, a competitividade é grande. Os atletas de maior qualidade estão na seleção e passaram pelos emblemas mais fortes do país, sendo que não têm grande problema em circular de um para o outro”, finalizou o treinador, atualmente sem clube.
Uzbequistão perdeu mas deixou boa imagem e marcou na estreia
A seleção portuguesa defronta na segunda jornada do Grupo K do Mundial2026 de futebol o Uzbequistão, nação a viver a estreia na competição e que acabou derrotada na primeira jornada pela Colômbia (3-1), apesar de ter feito história.
Na Cidade do México, os ‘lobos brancos’ viveram o primeiro jogo de um Campeonato do Mundo e Abbosbek Fayzullaev, com o primeiro golo de sempre, assinou o nome para ‘eternidade’ na história desportiva desta antiga república soviética, embora a partida tenha acabado em desaire.
O Uzbequistão apurou-se pela primeira vez para um Mundial, tornando-se na primeira nação da Ásia central a alcançar tal feito, com uma campanha em que apenas sofreu uma derrota em 16 jogos e fez frente ao ‘poderoso’ Irão,
Com a queda do regime soviético, a seleção uzbeque passou a competir nas provas da FIFA desde 1994 e esteve muito perto do apuramento em 2006 e 2014, algo que finalmente assegurou agora em 2026, sob o comando do italiano Fabio Cannavaro.
Contudo, o antigo central italiano e campeão mundial como jogador em 2006 só pegou na equipa após o apuramento, sucedendo com surpresa a Timur Kapadze, que foi despromovido inicialmente a adjunto, apesar da excelente campanha da qualificação, acabando mesmo por se demitir mais tarde.
O Uzbequistão apenas perdeu uma partida, no Qatar (3-2), já na segunda ronda da qualificação, que terminou com apenas sete golos sofridos em 10 jogos, e sem derrotas perante o Irão, uma das seleções mais fortes do continente asiático.
Os quatro jogos (dois na primeira ronda e dois na segunda) entre iranianos e uzbeques acabaram sempre empatados.
Entre as principais figuras do Uzbequistão estão o defesa Abdukodir Khusanov, central de 22 anos que já leva duas temporadas no Manchester City, e Eldor Shomurodov, o goleador de 30 anos que está agora na Turquia (foi o segundo melhor do campeonato com o Basaksehir), mas que passou muitos anos em Itália, na Roma, Cagliari e Génova.
A seleção lusa defronta o Uzbequistão em 23 de junho, novamente em Houston, no Estádio NRG, com início agendado para as 12:00 locais (18:00 horas de Lisboa).
O grupo fica fechado em 27 de junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, num jogo que começa às 19:30 (00:30 de 28 de junho em Lisboa).
Após a primeira jornada, a Colômbia lidera o Grupo K com três pontos, seguida de Portugal e RD Congo, ambos com um, enquanto o Uzbequistão, a viver o seu primeiro Campeonato do Mundo, ainda segue com zero.
O Mundial2026, o primeiro de sempre com 48 seleções, vai decorrer até 19 de julho, dia da final, nos Estados Unidos, México e Canadá.
Na quarta-feira, o Uzbequistão tornou-se o 84.º país a atuar em fases finais da principal prova internacional de seleções e o quarto e último debutante a entrar em ação nesta edição, ao perder frente à vice-campeã sul-americana Colômbia (3-1), na Cidade do México, para a ronda inaugural da ‘poule’ K, formada ainda por Portugal e República Democrática do Congo.
“Estão a apalpar terreno numa nova realidade e a ver como conseguem ser mais capazes. Nesta partida, viu-se mais procura [pelo golo], muitas vezes com poucos atletas. Não chegam ao último terço com a equipa completa. Têm sempre três defesas centrais [atrás] e um médio a garantir equilíbrio, pelo que atacam com seis e, às vezes, sete. Isso nem sempre dá muitas valias ofensivas, mas a forma como estão organizados é bem mais importante para eles”, analisou o antigo técnico de Torreense e Casa Pia.
Primeiro país da Ásia Central num Campeonato do Mundo, o Uzbequistão juntou-se à Rússia e à Ucrânia entre as antigas repúblicas soviéticas que chegaram às fases finais, 35 anos depois da sua independência da União Soviética (URSS), quarta colocada em 1966, num total de sete presenças.
“Há uma aposta muito grande. O centro de treinos da Associação de Futebol do Uzbequistão (UFA) é muito moderno e o complexo olímpico foi reformado. Têm sido campeões em vários escalões jovens na Ásia e houve também uma visibilidade ainda maior pela inédita participação nos Jogos Olímpicos Paris2024”, realçou, em alusão aos dois títulos continentais de sub-17, um de sub-20, festejado como anfitrião em 2023, e um de sub-23.
Duas chegadas aos quartos de final e uma aos ‘oitavos’ do Mundial de sub-20, do qual serão coorganizadores com o Azerbaijão em 2027, bem como duas presenças nos ‘quartos’ e outras tantas nos ‘oitavos’ da competição homóloga de sub-17, atestam também a evolução na última década e meia dos uzbeques, um dos nove países asiáticos no Campeonato do Mundo sénior, após o segundo lugar no Grupo A da terceira fase, a dois pontos do Irão.
Pedro Moreira viu “uma explosão de alegria e um enorme entusiasmo” em Tashkent aquando da qualificação, que, volvidas sete tentativas falhadas, desde 1998, foi garantida em junho de 2025 com Timur Kapadze, já depois da saída do treinador esloveno Srecko Katanec, por problemas de saúde, e antes de a UFA apostar no italiano Fabio Cannavaro, campeão do mundo como futebolista pela Itália em 2006 e último defesa a conquistar a Bola de Ouro.
“A base de recrutamento é muito maior do que há uns anos e as seleções passam bastante tempo em estágio. O projeto da UFA obriga os clubes a ceder jogadores durante muito tempo. Por exemplo, esta equipa está em estágio desde 06 de maio. Quem atua fora veio um pouco mais tarde, mas quem compete no campeonato uzbeque está com Fabio Cannavaro desde essa data. Há uma cultura de equipa e fizeram uma pré-época para o Mundial2026, com uma base forte de preparação”, enquadrou.
Dos 26 convocados, 10 pertencem a clubes estrangeiros, entre os quais o defesa central Abdukodir Khusanov, cuja contratação pelos ingleses do Manchester City no ano passado elevou a visibilidade do futebol uzbeque.
“Os jogadores de referência são os que foram para fora, tiveram sucesso e vingaram o nome do país. A sensação que tenho é de que há miúdos que participaram neste processo de maior qualidade das seleções jovens e já estão a sair. Alguns foram mais cedo para a Europa e acredito que vá aumentar o olhar sobre este mercado”, notou o vencedor da Taça do Uzbequistão em 2025.
Antigo adjunto de Paulo Fonseca, Pedro Moreira lembra que Fabio Cannavaro apostou em futebolistas que se destacaram no campeonato local, mas “não estavam há algum tempo nos planos da seleção”, triunfante na Taça da Nações da Ásia Central em 2025 e afastada nos penáltis pelo anfitrião e futuro bicampeão Qatar nos ‘quartos’ da Taça Asiática de 2023.
“Estão a melhorar no idioma inglês, mas nem todos o dominam e há algum receio de jogar fora por causa disso. Agora, a competitividade é grande. Os atletas de maior qualidade estão na seleção e passaram pelos emblemas mais fortes do país, sendo que não têm grande problema em circular de um para o outro”, finalizou o treinador, atualmente sem clube.
Uzbequistão perdeu mas deixou boa imagem e marcou na estreia
A seleção portuguesa defronta na segunda jornada do Grupo K do Mundial2026 de futebol o Uzbequistão, nação a viver a estreia na competição e que acabou derrotada na primeira jornada pela Colômbia (3-1), apesar de ter feito história.
Na Cidade do México, os ‘lobos brancos’ viveram o primeiro jogo de um Campeonato do Mundo e Abbosbek Fayzullaev, com o primeiro golo de sempre, assinou o nome para ‘eternidade’ na história desportiva desta antiga república soviética, embora a partida tenha acabado em desaire.
O Uzbequistão apurou-se pela primeira vez para um Mundial, tornando-se na primeira nação da Ásia central a alcançar tal feito, com uma campanha em que apenas sofreu uma derrota em 16 jogos e fez frente ao ‘poderoso’ Irão,
Com a queda do regime soviético, a seleção uzbeque passou a competir nas provas da FIFA desde 1994 e esteve muito perto do apuramento em 2006 e 2014, algo que finalmente assegurou agora em 2026, sob o comando do italiano Fabio Cannavaro.
Contudo, o antigo central italiano e campeão mundial como jogador em 2006 só pegou na equipa após o apuramento, sucedendo com surpresa a Timur Kapadze, que foi despromovido inicialmente a adjunto, apesar da excelente campanha da qualificação, acabando mesmo por se demitir mais tarde.
O Uzbequistão apenas perdeu uma partida, no Qatar (3-2), já na segunda ronda da qualificação, que terminou com apenas sete golos sofridos em 10 jogos, e sem derrotas perante o Irão, uma das seleções mais fortes do continente asiático.
Os quatro jogos (dois na primeira ronda e dois na segunda) entre iranianos e uzbeques acabaram sempre empatados.
Entre as principais figuras do Uzbequistão estão o defesa Abdukodir Khusanov, central de 22 anos que já leva duas temporadas no Manchester City, e Eldor Shomurodov, o goleador de 30 anos que está agora na Turquia (foi o segundo melhor do campeonato com o Basaksehir), mas que passou muitos anos em Itália, na Roma, Cagliari e Génova.
A seleção lusa defronta o Uzbequistão em 23 de junho, novamente em Houston, no Estádio NRG, com início agendado para as 12:00 locais (18:00 horas de Lisboa).
O grupo fica fechado em 27 de junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, num jogo que começa às 19:30 (00:30 de 28 de junho em Lisboa).
Após a primeira jornada, a Colômbia lidera o Grupo K com três pontos, seguida de Portugal e RD Congo, ambos com um, enquanto o Uzbequistão, a viver o seu primeiro Campeonato do Mundo, ainda segue com zero.
O Mundial2026, o primeiro de sempre com 48 seleções, vai decorrer até 19 de julho, dia da final, nos Estados Unidos, México e Canadá.