Mundial Catar2022. Investigação denuncia persistentes violações dos direitos de trabalhadores migrantes

Um relatório elaborado pela associação de Direitos Humanos Equidem denunciou as condições “hostis” a que foram sujeitos os migrantes que trabalharam na construção dos estádios anfitriões do Campeonato do Mundo deste ano. A associação apela a que a FIFA crie um fundo de compensação para estes trabalhadores que "tiveram o seu dinheiro roubado e as suas vidas arruinadas".

RTP /
Reuters

A investigação, feita através de entrevistas a 60 migrantes empregados nos estádios que vão receber a competição, concluiu que os trabalhadores sofreram "persistentes e generalizadas violações dos direitos laborais”, nomeadamente abusos físicos, verbais e mentais.

Ao longo do relatório são descritas punições físicas sempre que os responsáveis consideravam que os trabalhadores estavam a ter baixo desempenho, despedimentos quando se queixavam do tratamento que recebiam, o não pagamento de salários e a obrigatoriedade de trabalharem durante o confinamento aplicado no país durante a pandemia de covid-19.
 
A Equidem afirma ainda que os trabalhadores migrantes eram retirados à força dos locais de construção antes das inspeções da FIFA para não terem a possibilidade de se queixar das condições a que estavam sujeitos.
 
A associação pede um fundo de compensação para esses trabalhadores, alegando que “o Catar, a FIFA e os seus parceiros estão a ganhar milhares de milhões com este torneio, mas os trabalhadores que construíram os estádios tiveram o seu dinheiro roubado e as suas vidas arruinadas".

A organização do Campeonato do Mundo já reagiu ao relatório, refutando todas as acusações e queixando-se de este ser "completamente desequilibrado" ao apresentar uma "narrativa unilateral".



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