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Preocupações de Putin com economia russa crescem após ameaça de sanções de Trump

Preocupações de Putin com economia russa crescem após ameaça de sanções de Trump

Um dia depois de o novo presidente dos Estados Unidos ter acenado com a hipótese de sanções contra a Rússia caso esta não alcance um acordo de cessar-fogo na Ucrânia, várias fontes auscultadas pela agência Reuters revelaram que o líder russo, Vladimir Putin, está cada vez mais preocupado com as distorções na economia do país.

Joana Raposo Santos - RTP /
Trump, que voltou à Casa Branca na segunda-feira, prometeu ainda enquanto candidato presidencial resolver rapidamente o conflito na Ucrânia. Foto: Kevin Lamarque - Reuters

A economia russa, impulsionada pelas exportações de petróleo e gás, cresceu de forma robusta nos últimos dois anos, apesar das múltiplas sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia em 2022.

No entanto, a atividade doméstica tornou-se tensa nos últimos meses devido à escassez de mão-de-obra e às elevadas taxas de juro introduzidas para combater a inflação, prejudicada pelas despesas militares recorde.

Segundo as fontes da Reuters, estas dificuldades domésticas estão a contribuir para a opinião de uma parte da elite russa de que é desejável uma solução negociada para a guerra. O Kremlin não respondeu, até ao momento, aos pedidos da Reuters para comentar a visão de Putin sobre a economia e as negociações com a Ucrânia.

As preocupações no Kremlin terão aumentado ainda mais depois de, na quarta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado com sanções contra a Rússia caso esta não chegue rapidamente a um acordo de cessar-fogo na Ucrânia. "Está na hora de chegar a um acordo", escreveu na sua rede social, a Truth Social.

"Não quero fazer mal à Rússia. Eu amo o povo russo e sempre tive um bom relacionamento com Vladimir Putin. Mas se não chegarmos a acordo rapidamente, não terei outra escolha senão aumentar impostos, tarifas e sanções sobre tudo o que a Rússia vende aos Estados Unidos", avisou.

“Posto isto, vou fazer um grande favor à Rússia, cuja economia está em colapso, e ao presidente Putin. É preciso resolver isto agora e parar com esta guerra ridícula”.

Trump, que voltou à Casa Branca na segunda-feira, prometeu ainda enquanto candidato presidencial resolver rapidamente o conflito na Ucrânia, o maior da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Poucos dias antes da posse de Trump, a Administração do ex-presidente Joe Biden impôs o pacote mais amplo de sanções contra Moscovo até agora, atingindo as receitas de petróleo e gás da Rússia. De acordo com o conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, esta ação dá a Trump uma vantagem em qualquer futura negociação.
Putin terá repreendido empresários
Segundo uma das fontes, Putin acredita que os principais objetivos da guerra já foram alcançados, nomeadamente o controlo da área que liga a Rússia continental à Crimeia e o enfraquecimento das Forças Armadas da Ucrânia.

Esta fonte próxima do Kremlin adiantou ainda que o presidente russo reconhece a pressão que a guerra está a exercer sobre a economia, incluindo "problemas realmente grandes", como o impacto da elevada taxa de juro nas empresas e na indústria não militares.

Duas das outras fontes contaram que a frustração de Putin foi evidente numa reunião do Kremlin com líderes empresariais na noite de 16 de dezembro, quando repreendeu os responsáveis económicos presentes. O líder russo terá ficado descontente depois de ouvir que o investimento privado estava a ser reduzido devido ao custo do crédito.

Na quarta-feira, Putin disse em comentários televisivos que tinha discutido recentemente com os líderes empresariais os riscos de uma diminuição da atividade de crédito para o crescimento a longo prazo, numa aparente referência à reunião de dezembro.
Presidente russo reconheceu problemas
Até há pouco tempo, a economia russa de 2,2 biliões de dólares revelava uma resistência notável apesar da guerra. Vladimir Putin chegou mesmo a elogiar os responsáveis económicos e as empresas por terem contornado as sanções ocidentais mais rigorosas alguma vez impostas àquela que considerou uma grande economia.

Após uma contração em 2022, o PIB da Rússia cresceu mais rapidamente do que os da União Europeia e Estados Unidos em 2023 e 2024. Este ano, porém, o Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento inferior a 1,5 por cento, embora o Governo projete perspetivas ligeiramente mais otimistas.

A inflação aproximou-se recentemente dos dois dígitos, apesar de o banco central ter aumentado a taxa de juro de referência para 21 por cento em outubro.

"Existem alguns problemas, nomeadamente a inflação e um certo sobreaquecimento da economia", reconheceu Putin numa conferência de imprensa em dezembro. "O Governo e o banco central têm a tarefa de reduzir o ritmo", acrescentou.

c/ agências
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