Especial
Debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2027

Rebeldes reivindicam captura de segunda maior cidade síria

Rebeldes reivindicam captura de segunda maior cidade síria

Depois de dias em confrontos violentos com o Exército, o grupo sírio de rebeldes anunciou ter conquistado e assumido o controlo da cidade Hama. O líder da organização islâmica, Abu Mohammed al-Jawlani, declarou "vitória" na tomada da segunda maior cidade do país e prometeu que "não haverá vingança".

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
EPA

A conquista de Hama pelos rebeldes sírios, depois de uma ofensiva e um avanço nos últimos dias pelo norte da Síria, é um novo golpe para o presidente Bashar al-Assad. O líder do grupo rebelde anunciou ainda o controlo de uma prisão e a libertação dos presos, numa altura em que as forças do Governo sírio retirou tropas da cidade, alegando que pretendiam “preservar vidas civis e evitar combates urbanos”.

Al-Jawlani dirigiu-se, entretanto, à população de Homs, cidade mais a sul que liga Alepo a Damasco, avisando que a “vossa hora chegou”. Nos últimos dois dias, os arredores de Hama tem sido palco de combates violentos com as forças do exército e os combatentes do grupo islâmita, mas assim que os rebeldes conseguirem entrar na cidade, os confrontos terminaram.

Na mesma declaração, divulgada em vídeo, o líder rebelde sírio apelou ao vizinho Iraque para se manter afastado do conflito. Dirigindo-se a Mohamed Chia al-Soudani, o primeiro-ministro iraquiano, Abu Mohammed al-Jawlani, cujos combatentes lançaram uma ofensiva contra as forças do presidente sírio Bashar al-Assad, pediu-lhe para evitar que “o Iraque entrasse na nova fornalha que está a acontecer na Síria”.

Abu Mohammed al-Jawlani dirige o grupo radical islamita Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que lidera a coligação de rebeldes na ofensiva contra o poder sírio.

O responsável do HTS apelou ainda a Soudani para “impedir que o Hachd al-Chaabi intervenha no que está a acontecer na Síria”, numa referência a uma aliança de antigos grupos paramilitares apoiados pelo Irão e integrados durante vários anos nas forças armadas iraquianas.

“Há muitos receios e ideias – em que alguns políticos iraquianos acreditam – de que o que está a acontecer na Síria se vai espalhar ao Iraque. Digo firmemente que isto é completamente falso”, insistiu numa mensagem de vídeo publicada no canal Telegram dos rebeldes.

Recorde-se que o grupo armado iraquiano e pró-Irão Kataeb Hezbollah apelou no início da semana para que Bagdade enviasse tropas para a Síria em apoio das forças governamentais. O Kataeb Hezbollah já combateu na Síria ao lado de forças leais a Assad.

O Iraque afirmou já ter enviado veículos blindados para reforçar a segurança ao longo da sua fronteira de 600 quilómetros com a Síria. E, no sábado, Soudani disse a Assad que a segurança do país era essencial para a estabilidade de toda a região.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), uma organização não-governamental sediada no Reino Unido, informou na segunda-feira sobre o envio de cerca de 200 combatentes iraquianos pró-iranianos para a província de Alepo, na Síria, para apoiar as forças governamentais, que perderam o controlo da cidade homónima no domingo.

c/agências
PUB