"Novo formato tem trazido surpresas e podemos beneficiar"

Rui Silva, que deu hoje a vitória a Portugal nos 1.500 metros dos Europeus por equipas de atletismo, em Leiria, defende que o novo modelo da competição pode beneficiar a selecção. 

RTP /
Rui Silva contente Reuters

"Este novo formato de competição tem trazido algumas surpresas e podemos beneficiar com essas surpresas", disse Rui Silva, que deu a primeira vitória a Portugal. 
 
Para o atleta, "o essencial era ganhar" e "ajudar Portugal a perseguir a manutenção. Penso que será possível. Não estamos longe. Se acreditarmos até ao final, vamos conseguir", sublinhou Rui Silva. 
 
Rui Silva sentiu-se bem, reconhecendo que "o factor casa pesa bastante" em competição. "A corrida começou lenta e só a partir dos 300 metros finais começou a sério. Tentei entrar à frente na recta e reagir sempre até ao fim". O tempo final foi 3:42.07 minutos, menos meio segundo do que o segundo, o espanhol Diego Ruíz. 
 
"Agora vou continuar a minha preparação. Esta semana começa uma nova fase, com vista ao campeonato do Mundo", para o qual Rui Silva já tem mínimos.
 
Com fortes críticas aos novos regulamentos terminou o contributo de Marco Fortes nos Europeus. O lançador do peso foi afastado ao fim do segundo ensaio, vítima das alterações estreadas em Leiria pela associação europeia.
 
"Não sei como é possível um atleta vir fazer só dois lançamentos. Numa prova por pontos, porque é que existe este sistema de qualificação? Porque não há os mesmos direitos para todos? Nem todos são os melhores do mundo, mas todos deviam ter o direito de poder fazer o mesmo número de lançamentos", criticou o recordista nacional. 
 
Marco Fortes, que esperava integrar os quatro qualificados para a última tentativa, lamentou a sua prestação. "Infelizmente as coisas não correram bem... Não me estou a queixar, simplesmente é um modelo estranho e não sei se tem pernas para andar. Tanto eu como outros atletas que estavam no sector estamos em desacordo". 
 
Fortes, que fez 19,07 metros no seu melhor lançamento - 20,52 é a sua melhor marca, recorde nacional - aponta o dedo às alterações que beneficiam algumas provas em detrimento de outras. 
 
"Há toda uma série de regulamentos que fazem a prova perder ritmo. Estivemos
10 minutos à espera que o triplo salto mudasse de ronda para podermos continuar...
São coisas que retiram interesse e a componente espectáculo. Querem mudar para melhorar algumas competições, mas outras ficam prejudicadas. Nos 3.000 metros femininos, por exemplo, deu barraca", disse o atleta, referindo-se ao caso de Natalia Rodríguez. 
 
A espanhola, eliminada durante a corrida por ir em último lugar à luz dos novos regulamentos, continuou e foi a primeira a cortar a meta.  
 
Mais tarde foi desclassificada, mas prejudicou Inês Monteiro, que garantiu para Portugal o terceiro lugar nos 3.000 metros. 
 
"A mim fez-me confusão porque tinham-nos dito que quem fosse eliminado tinha de sair. E eu vi-a continuar... Mas como os espanhóis são assim um bocado persistentes pensei que ia continuar, protestar no final e dizer que não foi ela. Mas a mim pareceu-me logo que tinha sido ela".  
 
A classificação da portuguesa foi afectada, porque, baralhou Inês Monteiro nos últimos metros". 
 
"Influenciou-me e no fim já não sabia por que lugar estava a lutar. E sem a espanhola, se calhar a atleta russa não tinha andado tanto. Mas o que interessa à equipa são os pontos. Se conseguirmos entrar nos três primeiros nas provas todas, a manutenção é possível". 
 
 
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