PCP diz que ministra da Saúde foi "conivente" com ex-CEO do SNS e pede "conclusões"

por João Alexandre - Antena 1

Foto: Fernando Veludo - Lusa

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) não acredita que a entrada do novo diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) traga algum tipo de alteração de fundo à estrutura e às políticas de saúde.

Paulo Raimundo acusa ainda a ministra da Saúde de ter sido "conivente" em relação à informação sobre o ex-diretor executivo do SNS, Gandra d'Almeida, que se demitiu do cargo após uma investigação sobre acumulação de funções.

“Se a ministra, perante incompatibilidades claras - e que a própria pessoa, pelos vistos, até reconheceu de imediato - acha que não há nenhum problema, então não se colocou do lado da resolução do problema, mas do lado do problema e foi conivente com o problema", disse, em declarações no parlamento, Paulo Raimundo.

E sublinha: "[A ministra da Saúde] Terá, naturalmente de tirar daí as suas conclusões”.

Questionado sobre as notícias que dão conta de que a ministra Ana Paula Martins teria conhecimento dos dados do relatório da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP) acerca da acumulação ilegal de funções por parte de Gandra d’Almeida, o líder comunista assinala: "Quantas mais incompatibilidades existem de outros cargos nomeados em que a ministra considera que não há nenhuma incompatibilidade?”.
Comunistas com poucas expetativas sobre novo CEO do SNS
Quanto à escolha de Álvaro Santos Almeida, ex-deputado do PSD e antigo candidato dos sociais-democratas à Câmara Municipal do Porto, para ocupar o lugar deixado vago após a saída de Gandra d'Almeida, o secretário-geral do PCP mostra reservas.

"A questão não é pessoa A, B ou C, porque o fundamental são as opções políticas de fundo. O que temos em curso é um processo de desmantelamento do SNS", diz Paulo Raimundo.

O líder do PCP recorda ainda a saída de Fernando Araújo: "Veja-se a razão pela qual o anterior diretor [executivo do SNS] saiu. Foi exatamente por isso: por transferência pública de recursos públicos para uma empresa privada que fazia prestação de serviços ao SNS. O que me leva a pensar que este novo diretor [Álvaro Santos Almeida] não vai alterar nada daquela que é a linha fundamental do Governo".


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