Brexit. May dramatiza hipótese de segundo referendo

| Europa

Theresa May foi a Bruxelas procurar "garantias legais" relativamente à solução para evitar uma fronteira na ilha da Irlanda mas voltou de mãos a abanar
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A realização de um novo referendo sobre a continuidade ou não do Reino Unido na União Europeia irá, na perspetiva da primeira-ministra britânica, “provocar danos irreparáveis à integridade” da política britânica. Theresa May prepara-se para deixar esta mensagem no Parlamento britânico, quando é cada vez mais densa a incerteza relativamente ao que acontecerá após a provável rejeição do acordo de saída em Westminster.

A primeira-ministra britânica apresenta esta tarde aos deputados as conclusões do Conselho Europeu da última semana. Sem novos argumentos que possam viabilizar o acordo de saída da União Europeia, Theresa May vai apelar aos deputados para que sejam coerentes e cumpram a vontade que os britânicos revelaram no referendo de 2016.

De acordo com o que foi avançado pela imprensa internacional, Theresa May vai argumentar que a realização de outro referendo vai “quebrar a fé do povo britânico” nos deputados.

"Outro voto que causaria danos irreparáveis à integridade da nossa política, porque diria a milhões de pessoas que confiam na democracia que a nossa democracia não cumpre [os desígnios para a qual foi mandatada]”, deverá dizer.

A primeira-ministra britânica, que há uma semana adiou a votação no Parlamento por considerar que o acordo seria rejeitado por larga margem, deverá sustentar que "outro escrutínio provavelmente não irá levar-nos mais longe do que o anterior".

"Outra votação dividiria ainda mais o nosso país no preciso momento em que deveríamos estar a trabalhar para uni-lo", poderá acrescentar.

A chefe do Governo britânico foi a Bruxelas discutir garantias adicionais, sobretudo ligadas ao mecanismo de salvaguarda para evitar o regresso de uma fronteira na ilha da Irlanda, mas o encontro acabou sem cedências dos 27.



Ministro pede proatividade aos deputados
O ministro Greg Clark veio sugerir uma possível saída do impasse que o chumbo do acordo de saída implica e pediu proatividade aos deputados.

“De uma forma ou de outra, o Parlamento tem de fazer mais do que ser crítico do acordo (…) É obviamente fácil encontrar coisas de que não gostamos. Mas acho que todos os deputados agora precisam de se considerarem como participantes responsáveis”, declarou na BBC Radio 4.

Greg Clark sublinhou que uma segunda votação só aumentaria a incerteza para o país.

Pressionado pelos partidos mais pequenos para propor uma moção de censura contra o Governo ainda esta semana, o Partido Trabalhista avançou que vai insistir com a primeira-ministra para levar o acordo a votação no parlamento ainda antes do Natal.

O gabinete da primeira-ministra tinha anunciado que a votação iria realizar-se em janeiro, após a interrupção do Natal e antes do dia 21.
Segundo referendo e outros cenários
Perante a quase certa rejeição do acordo de saída que negociou com Bruxelas e a incerteza do que se seguirá posteriormente – o procedimento automático seria a saída sem acordo, mas o Governo teria 21 dias para sugerir outro caminho aos deputados -, a primeira-ministra insiste que “outra votação irá ainda dividir mais o país no momento em que devemos trabalhar unidos”.

Será um contra-argumento dirigido aos deputados conservadores e trabalhistas que pensam como os antigos primeiros-ministros John Major e Tony Blair, defensores de um novo referendo. Este é uma das soluções que está a ganhar força, caso o Acordo de divórcio negociado por Theresa May ao longo de 17 meses com Bruxelas seja rejeitado.

Um dos cenários apresentado pela BBC aventa que o Governo de May poderá apresentar o acordo de saída para uma segunda votação na Câmara dos Comuns.

O cenário preferido pelos Trabalhistas, caso o acordo seja rejeitado, é a convocatória de eleições antecipadas, mas dificilmente será a melhor solução para os britânicos, já que um novo Governo teria de tentar outra solução, obrigando a um pedido de prorrogação e ao adiamento do Brexit.

A incerteza relativamente ao que vai acontecer sobre o Brexit permite admitir a possibilidade de um "acordo não negociado", em que o Reino Unido pediria - e pagaria - à União Europeia o adiamento de um ano para a saída, adotando posteriormente os termos da Organização Mundial do Comércio. No entanto, este cenário poderá enfrentar resistência em Westminster.

Outra hipótese - embora improvável dada as repetidas mensagens de Bruxelas de que as “negociações estão fechadas”, mas condicionada aos resultados da votação - seria a tentativa de negociar alterações à parte relativa à solução encontrada para evitar uma fronteira física na ilha da Irlanda.

Ainda mais improvável, dada a resistência que Theresa May já demonstrou, é um pedido de demissão caso o acordo de saída registe um chumbo significativo. Em consequência, a corrida à liderança dos conservadores poderia espelhar a divisão nacional sobre o Brexit, já que os deputados do próprio partido de May estão divididos quanto à permanência ou à saída do Reino Unido da União Europeia.

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