Play - Uma SMS para Antígona
20m

Filmes

10AP

Maria é aluna de teatro, quer ser actriz. Maria não tem meios para sustentar o desejo de ser actriz, trabalha num supermercado uma parte do dia e na outra ensaia "Antígona", de Sófocles. E, de repente, há uma sobreposição de problemas: se na ficção a questão de uma sepultura digna para o irmão é o cerne da peça, o que a leva ao confronto directo com Creonte, poder e poder no masculino, no supermercado o direito elementar de seguir os imperativos naturais do corpo são-lhe negados: não a deixam interromper a "laboração" e ir à casa de banho. O confronto com o chefe - poder e poder no masculino, mas poderia agora não ser assim - de turno é inevitável. De uma dada maneira são duas formas de enfrentamento do "grande costume", uma bela, pertencendo a um universo mítico, fundador do humano e da sua negação e outra actual, tão próxima quanto a experiência que se tem do quotidiano e inserida na "sociedade do controlo", da chamada biopolítica. Maria entretanto namora, terceiro modo de ocupação do seu dia-a-dia. Em boa verdade coincidente com o dia das três vezes oito horas: oito de labor, oito de descanso e oito de lazer - mais ou menos isso, desde que revolução industrial vingou. E engravida, como acontece, querendo-se ou não. E de repente nem uma nem outra via se concretizam, nem a de uma profissão de ganhar a vida, nem a de ser actriz. Sófocles, de momento, fica para trás, o teatro como vida. E o pai da criança também, pois desandou. Uma nova vida vem aí, uma vida nova também.

Um filme realizado por Miguel Costa sobre um texto original de Fernando Moura Ramos.

duração total 20m
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