Saudações de Eugène Ionesco
03 out. 2026
A partir de três peças curtas do dramaturgo romeno Eugène Ionesco - Saudações, O Novo Inquilino e Delírio a dois - o ator e encenador Álvaro Correia dirige este mergulho no Teatro do Absurdo, criação da Companhia de Teatro de Almada para o Festival de Almada. São textos que constituem uma seta satírica apontada ao Mundo, às suas contradições e ao seu absurdo. Ionesco usa o nonsense e o exagero para criar efeitos cómicos perturbadores, misturando o trivial e o estranho. Apresenta situações que se repetem sem progresso, muitas vezes sem sentido, convidando à reflexão sobre a falência da comunicação humana."O Novo Inquilino" é uma peça em um ato estreada em 1957, na qual um homem que se muda para um apartamento novo fica soterrado na sua própria mobília. A linguagem vai-se tornando cada vez mais reduzida, substituída pela ação física de acumulação de objetos, assistindo-se a uma espécie de asfixia pela matéria e à construção de uma casa-túmulo. "Delírio a Dois" estreou em 1962 e partilha com a peça anterior o mesmo espaço, transformando-o desta vez numa casa-bunker: um casal fala até à exaustão, nunca comunicando verdadeiramente, enquanto à sua volta existe uma situação de guerra. "Saudações", a peça que dá nome a esta criação, é uma obra curta (quase um sketch) escrita em 1950. A partir da exacerbação de um ato quotidiano banal cria-se uma estrutura musical e circular: três homens vão-se cumprimentando continuamente, cada um respondendo aos cumprimentos dos outros. "Como vai?", "Estamos maravilhosamente bem, estamos ionescamente bem!".