Varane pede mais atenção no tratamento de concussões no futebol

por Lusa
Paul Ellis/AFP

O futebolista francês Raphaël Varane, do Manchester United, pede mais atenção no tratamento de concussões no futebol, considerando numa entrevista hoje ao L’Equipe o risco de que algo “pode correr muito mal”.

“Quando olho para três dos piores jogos da minha carreira, há pelo menos dois antes dos quais sofri uma concussão alguns dias antes”, disse Raphaël Varane, de 30 anos, referindo-se às derrotas com a Alemanha (1-0), no Mundial2014, e com o Manchester City (2-1), na Liga dos Campeões de 2020, quando jogava no Real Madrid.

Poucos dias antes do jogo com a Alemanha, referente aos quartos de final do Mundial2014, Raphaël Varane sofreu um choque durante a partida referente aos oitavos contra a Nigéria, que os gauleses venceram por 2-0.

“No início do segundo tempo, há um cruzamento onde levo com a bola na têmpora e acabo a minha corrida nas redes da baliza adversária. Termino a partida, mas em modo ‘piloto automático’”, explica.

O jogador admite que ficou “algo diminuído” para o jogo com a Alemanha, que até lhe correu “muito bem” apesar da derrota da França, por 1-0, mas questiona o que lhe poderia ter acontecido “se tivesse sofrido novo impacto na cabeça”.

“Quando se sabe que concussões repetidas podem ter um efeito mortal, pensamos que um dia pode dar muito errado”, refere Varane, que se despediu da seleção francesa após o Mundial2022.

Varane considera que os jogadores de futebol estão habituados à dor, “são como soldados, durões, símbolos de força física”, mas o problema das concussões é que os “sintomas são invisíveis”.

“Devemos falar dos perigos ligados à síndrome do segundo impacto [segundo trauma sofrido antes da recuperação total após a primeira concussão], e à repetição de choques por causa do jogo de cabeça”, conclui o jogador francês.

Em Inglaterra, 10 ex-jogadores e as famílias de outros sete já falecidos processaram vários órgãos dirigentes do futebol britânico, que acusam de terem “estado sempre perfeitamente conscientes” dos riscos de concussões e lesões cerebrais e “não terem tomado as medidas necessárias”.
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