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João Bartolomeu combinava nomeações com vogal da Comissão de Arbitragem

João Bartolomeu combinava nomeações com vogal da Comissão de Arbitragem

O presidente da União de Leiria combinava as nomeações de árbitros principais, assistentes e observadores com um membro da Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), conclui o acórdão da Comissão Disciplinar (CD) do organismo.  

RTP /
João Bartolomeu foi suspenso por um ano e multado em 4 mil euros por tentativa de corrupção pela CD da Liga Lusa

De acordo com o que foi apurado no processo de inquérito da CD da Liga de clubes, o interlocutor de João Bartolomeu, suspenso por um ano e multado em 4.000 euros por tentativa de corrupção, era Júlio Mouco, vogal da Comissão de Arbitragem (CA) responsável pela nomeação dos "fiscais de linha". 
 
Além de concertar com Júlio Mouco a escolha os juízes para os jogos da União de Leiria, João Bartolomeu era também previamente informado por aquele membro do CA dos árbitros nomeados para os restantes encontros da jornada. 
 
O acórdão historia o processo que levou à apreensão de um telemóvel pela Polícia Judiciária, oferecido pelo presidente da União de Leiria a Bernardino Silva, suspenso por dois anos e meio no processo Apito Final, no pressuposto de que o árbitro assistente se "portasse bem". 
 
A CD entendeu que João Bartolomeu pretendeu "que a arbitragem realizada pelo arguido Bernardino Silva beneficiasse" o clube leiriense, considerando que o juiz de linha, "ao solicitar e aceitar a oferta do telemóvel, pôs em causa a imagem de isenção, imparcialidade e credibilidade exigida a um árbitro". 
 
A relação entre João Bartolomeu e Júlio Mouco não foi isenta de conflitos: após o jogo com o Belenenses (1-1), da 20 jornada do campeonato de 2003/04, no qual Bernardino Silva foi árbitro assistente, Júlio Mouco comentou que João Bartolomeu "lhe havia dito que 'iria fazer tudo' para demiti-lo das suas funções de vogal da CA". 
 
Em conversa telefónica, Júlio Mouco explicou que o presidente leiriense "queria que 'no golo do Belenenses, o assistente do lado da bancada tivesse levantado a bandeira'", no sentido de assinalar fora-de-jogo e invalidar o tento dos lisboetas. 
 
No jogo com o Moreirense, exigiu que Júlio Mouco "ligasse a Valentim Loureiro (presidente da LPFP) a fim de obrigar Luís Guilherme (presidente do CA) a não nomear Jacinto Paixão", alegando que o árbitro era um "ladrão", tendo recebido como resposta: "Já conseguimos!... Portanto, Paulo Baptista".
 
Já em Fevereiro de 2007, o acórdão apresenta uma conversa entre Júlio Mouco e Valentim Loureiro, na qual o vogal da CA lamenta "o trabalhão do diabo para tentar sobretudo chegar aonde o presidente Bartolomeu pretendia".
 
O presidente da União de Leiria é citado a dizer a Júlio Mouco que "em Alverca (...) é para ganhar é, é sempre para ganhar, não ganhemos no domingo que você logo vê" e a pedir para "subir mais dois pontos" à nota de João
Roque pela arbitragem do União de Leiria-Rio Ave (1-1). 
 
Além da pena imposta a João Bartolomeu, o órgão disciplinar da LPFP puniu também o clube leiriense com a perda de três pontos no campeonato, no qual terminou na 16 e última posição, e multa de 40.000 euros (5.000 dos quais em substituição da pena de derrota). 
 
 
 c/Lusa
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