Villas-Boas alega "inação das instâncias disciplinares" como fundamento para queixa contra Varandas

A "inação das entidades do futebol" face às declarações do líder sportinguista, Frederico Varandas, no final de um jogo da I Liga, está na base a participação disciplinar apresentada pelo FC Porto, explica o presidente do clube, André Villas-Boas.

RTP /

"O FC Porto aguardou um tempo para ver a reação das instâncias disciplinares, aguardando o que seria um movimento natural, e constatámos que nada se passou. Foi do nosso entendimento escrever à Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol [APAF], Federação Portuguesa de Futebol [FPF] e à Liga. Até porque as declarações atentam contra o presidente da FPF [Pedro Proença], que era árbitro nessa altura", sustentou Villas-Boas, à margem do 120.º aniversário da Livraria Lello, no Porto,

O líder 'azul e branco' reagiu à abertura de um procedimento disciplinar contra o líder dos bicampeões nacionais, divulgada na segunda-feira pela secção profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), instaurado na sequência de uma queixa apresentada pelo FC Porto à LPFP.

Em causa estão as declarações de Frederico Varandas acerca da arbitragem, com FC Porto e Benfica visados,na zona mista do Estádio D. Afonso Henriques, no final do triunfo do Sporting na visita ao Vitória de Guimarães (4-1), em 23 de dezembro de 2025, para a 15.ª jornada do campeonato.

O líder 'leonino' referiu "40 anos de reuniões entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira [ex-líderes de FC Porto e Benfica] para definirem os presidentes da LPFP ou da FPF" e argumentou que "as pessoas não estão habituadas ao erro natural [arbitral] a favor do Sporting".

"Isto deveria ser suficiente para a APAF ter decidido movimentar-se, é a segunda vez que se mostra leniente relativamente a declarações do Sporting e foi, para nós, surpreendente que não tivesse sido instaurado nenhum processo. Atentam, a todos os níveis, contra o futebol português, o trabalho dos árbitros durante décadas e, evidentemente, o presidente mais titulado do futebol mundial, Jorge Nuno Pinto da Costa", criticou o presidente do FC Porto.

Relativamente ao próximo encontro do FC Porto, com o Benfica, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal, Villas-Boas assumiu ser um "jogo especial" que opõe as que considera serem as "duas maiores equipas" do futebol português.

"Desejo que seja um jogo bem disputado, entre as duas maiores equipas de Portugal, e que eleve todo o contexto do futebol português para onde merece estar. É um jogo um bocadinho especial, histórico, com dois grandes rivais que disputam o título de campeão nacional em Portugal e o número maior de títulos conquistados", destacou.

Depois do empate no Estádio do Dragão para o campeonato (0-0), em outubro de 2025, os 'dragões' voltam a reencontrar José Mourinho: "Deixou uma história ímpar no FC Porto, respeitada por todos os adeptos, e elevou o nome do FC Porto como o clube português com mais títulos internacionais. É treinador do nosso maior rival, um rival histórico. Vai competir como treinador do Benfica e nós iremos competir com toda a nossa força para bater o nosso rival".

Por fim, Villas-Boas voltou a abordar a renovação de contrato de Francesco Farioli até 2028, consumada precisamente na Livraria Lello, na segunda-feira, salientando o "bom trabalho" que o italiano tem desenvolvido, bem como a sua rápida adaptação ao contexto do FC Porto.

"Foi uma retribuição por parte do FC Porto pelo seu bom trabalho até agora. O que ambicionamos é vencer títulos, mas o trabalho tem sido notável, no relacionamento com a equipa, o clube, a cidade e as estruturas do FC Porto. Por isso, quisemos transmitir confiança e esperemos também que seja uma força extra para o clássico de amanhã [na quarta-feira, frente ao Benfica]", concluiu.

A receção do FC Porto ao Benfica, no Estádio do Dragão, no Porto, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal, está marcada para as 20:45 de quarta-feira, com transmissão em direto na RTP.

(Com Lusa)
PUB