"A vida das pessoas está em risco". O testemunho de um emigrante português na Venezuela

por RTP

Em entrevista à RTP, José António Correia, emigrante português em Caracas, diz que a cidade está "tranquila", com poucos carros nas ruas, poucas pessoas a circular e muito comércio fechado.

Dois dias após as eleições presidenciais e com os protestos nas ruas "há muito medo em relação ao que pode acontecer na Venezuela".

"Há zonas da cidade [Caracas] onde já houve saques a supermercados", relata o português, que teme que haja um "banho de sangue".

"A vida das pessoas está em risco", considera, apelando ao Governo e oposição para que cheguem a um entendimento. "Se há dúvidas de ambas as partes, vamos contar as atas e ver quem tem razão", afirma.

José António Correia conta que está preparado para várias eventualidades, com reservas de água, enlatados e congelados. Relata que viu, esta terça-feira, várias pessoas a tentarem abastecer-se nos supermercados.

O português lamenta que o país esteja a ser "completamente desperdiçado" e quer que haja "estabilidade social e política" na Venezuela. Lembra que o papel das Forças Armadas venezuelanas é "defender as pessoas".

"Não podem comportar-se como um braço armado de nenhum partido político, são imparciais", defende.

Este emigrante vive sozinho na Venezuela desde há cinco anos e espera que a situação acalme para que seja possível o reencontro de várias famílias que vivem separadas devido à situação social e política do país. "É muito difícil estar separado da família", confessa em declarações à RTP.
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