Agente diz ao Tribunal que PJ guineense foi informada da chegada de "duas aeronaves suspeitas"

por Lusa

Uma testemunha ouvida hoje no julgamento do caso do avião que aterrou em Bissau com 2,6 toneladas de droga disse ao Tribunal que a Polícia Judiciária foi avisada da chegada de "duas aeronaves suspeitas", uma delas desviada "para outro destino".

O agente da Polícia Judiciária (PJ), que se encontrava no aeroporto no dia 07 de setembro, foi uma das cinco de oito testemunhas arroladas pelo Ministério Público que estão a ser ouvidas hoje no Tribunal Regional de Bissau, numa sessão que a defesa dos cinco arguidos tentou, sem sucesso, que fosse interrompida dada a ausência de três testemunhas.

O agente contou ao tribunal que foram avisados, sem indicar por quem, que "estavam a chegar a Bissau duas aeronaves suspeitas", tendo sido depois informados de que uma das aeronaves se teria desviado da rota de Bissau "para outro destino", mantendo-se, mesmo assim, a PJ alerta.

O julgamento dos cinco estrangeiros detidos na aeronave que aterrou a 07 de setembro no aeroporto de Bissau, inicialmente com indicação de que provinha da Venezuela, iniciou-se na passada segunda-feira, com a audição dos arguidos.

O agente da PJ disse ao tribunal que dos cinco ocupantes do aparelho apenas um apresentou a sua documentação às autoridades que os abordou na delegacia da polícia da fronteira.

A PJ fez deslocar uma equipa de agentes a bordo do avião que acabaria por constatar "carga suspeita", à qual procedeu a testes que confirmaram tratar-se de cocaína, disse o elemento daquela polícia.

"A droga estava distribuída dentro do avião em fardos, uns nos assentos de passageiros e outros na zona das bagagens", referiu o agente da PJ.

Antes, um técnico sénior dos Serviços de Aviação Civil da Guiné-Bissau, confirmou a informação que os arguidos haviam dado ao Tribunal na segunda-feira, de que o aparelho aterrou de emergência "porque o avião estava sem combustível".

O técnico, primeira testemunha a ser ouvida, disse ao tribunal que, no dia da aterragem do avião carregado com a droga, foi chamado de emergência ao aeroporto quando já se encontrava em casa.

Ao chegar ao local disse ter constatado que o avião já se encontrava na pista central do aeroporto.

Das averiguações, prosseguiu o técnico da Aviação Civil, "constatou-se que na verdade, o avião estava sem combustível".

Questionado pelo Ministério Público sobre qual era o prazo legal para que um avião avisasse as autoridades da Guiné-Bissau de que sobrevoaria ou ia aterrar no aeroporto do país, o técnico da Aviação Civil respondeu que aquela diligência deve ser feita com 72 horas de antecedência.

"Mas, também as leis internacionais de aviação civil determinam que um aparelho pode aterrar em caso de emergência", declarou o responsável, salientando que uma comissão de inquérito confirmou que o avião estava sem combustível.

Na segunda-feira, no primeiro dia do julgamento do caso, os cinco tripulantes do aparelho, disseram ao tribunal que aterraram de emergência em Bissau "porque o avião estava sem combustível".

Todos os arguidos, que recusaram revelar quem fretou o voo, disseram apenas que o avião saiu do México e tinha como destino o Mali e que a paragem em Bissau se deveu a uma emergência.

O tribunal continua a inquirir as restantes testemunhas numa sessão presenciada pelos cinco arguidos, um brasileiro, um colombiano, um cidadão do Equador e dois do México.

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