Autoridades moçambicanas reconhecem apoio internacional face às adversidades

por Lusa

A presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) moçambicano reconheceu hoje a importância do apoio da comunidade internacional na resposta às adversidades que têm assolado o país, dando como exemplo o Japão.

"A cooperação com o Japão remonta aos primórdios da independência e tem sido determinante nos esforços do Governo moçambicano para a persecução dos objetivos do desenvolvimento económico, social e sustentável", disse a presidente do INGD, Luísa Meque, em Maputo, na cerimónia de assinatura do acordo para a concessão de um apoio japonês, de assistência alimentar, ao Programa Alimentar Mundial (PAM), destinado à província de Cabo Delgado.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

"Importa referir que no quadro de cooperação bilateral nos últimos anos, o setor de Gestão e Redução de Riscos e Desastres beneficiou-se de vários apoios", disse Luísa Meque, sobre o apoio do Japão.

"Em 2019 o apoio às vítimas do ciclone Idai, em 6,9 milhões de dólares [6,3 milhões de euros], em 2022 ajuda financeira na ordem de 5,3 milhões de dólares [4,8 milhões de euros] destinados a assistência humanitária, ainda em 2022, por forma a responder ao plano [...] entre o Governo e parceiros de cooperação, o Governo de Japão contribuiu com 1,8 milhões de dólares [1,6 milhões de euros] para assistência humanitária", sublinhou a responsável.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

Já no primeiro trimestre do ano passado, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram no país mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, segundo dados oficiais do Governo.

No acordo assinado hoje, o Governo japonês desembolsou dois milhões de dólares (1,8 milhões de euros) ao PAM, para fornecer ajuda alimentar a 48 mil deslocados internos na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.

"Esta oportuna contribuição permitirá apoiar as populações mais vulneráveis do país com a distribuição de arroz e conservas do Japão a cerca de 48 mil deslocados internos na província de Cabo Delgado durante um período de seis meses", explicou anteriormente o PAM.

A província de Cabo Delgado enfrenta há mais de seis anos ataques terroristas por grupos associados ao Estado Islâmico, os quais provocaram mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo dados oficiais, mas também efeitos das alterações climáticas, como cheias.

Também o Governo da Noruega desembolsou, em julho, 3,3 milhões de euros ao PAM, neste caso para o reforço dos sistemas alimentares adaptados às mudanças climáticas e a expansão dos programas de alimentação escolar no sul de Moçambique, projeto a implementar em seis distritos das províncias de Gaza e Inhambane.

No final de setembro, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, apelou à preparação da população e das entidades para os previsíveis efeitos do fenómeno El Niño no país nos meses seguintes, com previsões de chuvas acima do normal e focos de seca, em todo o país.

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