Centro de Maputo. Polícia lança gás lacrimogéneo contra candidato Venâncio Mondlane
A Polícia moçambicana lançou esta segunda-feira gás lacrimogéneo contra o local onde o candidato presidencial Venâncio Mondlane fazia declarações aos jornalistas, a apelar à calma no âmbito da marcha que convocou, obrigando o político a fugir. Um jornalista ficou ferido nos confrontos entre as autoridades policiais e os manifestantes.
Em declarações à RTP, o candidato presidencial Venâncio Mondlane, que convocou a manifestação, revelou que não conseguiu estar presente na hora marcada para o início do protesto, “porque tinha um contingente policial à minha porta que não queriam permitir que eu saísse”.
O segundo objetivo era “uma manifestação de repúdio relativamente ao assassinato bárbaro do Avelino Dias, esta é a parte que a polícia impediu. Porque esta esta era a parte pública”, acrescentou.
Minutos antes, na avenida Joaquim Chissano, no centro da capital moçambicana, o correspondente da RTP em Maputo, Tiago Contreiras, constatou os disparos de gás lacrimogéneo e de armas de fogo, das forças de segurança contra os manifestantes. Os confrontos entre a polícia e os manifestantes começaram cerca das 7h30 locais (6h30 em Lisboa), com a força policial a dispersar os grupos que se começavam a juntar para participarem nas marchas pacíficas.
Cerca de três horas depois, a polícia intensificou o lançamento de granadas de gás lacrimogéneo e tiros para o ar enquanto carregava para dispersar os manifestantes, que responderam com o arremesso de pedras e com o lançamento de artefactos pirotécnicos.
A polícia moçambicana confirmou no sábado, que a viatura em que seguiam Elvino Dias, advogado de Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, mandatário do Podemos, partido que apoia Mondlane, mortos a tiro, foi “emboscada”.
As eleições gerais de 9 de outubro incluíram as sétimas presidenciais - às quais já não concorreu o atual chefe de Estado, Filipe Nyusi, que atingiu o limite de dois mandatos - em simultâneo com legislativas e para assembleias e governadores provinciais.