PR moçambicano admite "impaciência" no país com proclamação dos resultados

O Presidente moçambicano admitiu hoje que há "impaciência" no país com a proclamação dos resultados das eleições gerais de outubro, que também partilha, mas avisou que se houver necessidade de corrigir processos eleitorais, os moçambicanos sabem como fazer.

Lusa /

"Naturalmente que essa impaciência temos todos nós, eu também tenho, para ver quando é que a gente sabe com quem fala, como falamos, porque falamos", disse Filipe Nyusi, em declarações aos jornalistas, depois de visitar o centro comercial do grupo de supermercados sul-africano Shoprite, em Maputo, onde duas lojas foram vandalizadas e pilhadas nas manifestações violentas, de contestação aos resultados eleitorais, de quinta-feira.

"Se alguma lei e algumas coisas estão mal feitas, os moçambicanos têm capacidade de corrigir. Porque de facto se reclama que esta coisa não foi feita bem por causa disso, isso é bom. Então, qual é o momento em que vamos fazer, bom isso somos nós que vamos fazer, não há de haver outra pessoa", disse, recusando as críticas constantes ao Conselho Constitucional, órgão que tem a competência de proclamar os resultados das eleições em Moçambique.

"Manipulámos a opinião do Conselho Constitucional, não podemos tomar decisão nessa altura em manipulação. Isso não é um Estado democrático", afirmou.

O anúncio pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique, em 24 de outubro, dos resultados das eleições de 09 de outubro, em que atribuiu a vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder desde 1975) na eleição a Presidente da República, com 70,67% dos votos, espoletou protestos populares, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane.

Segundo a CNE, Mondlane ficou em segundo lugar, com 20,32%, mas este afirmou não reconhecer os resultados, que ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional, que não tem prazos para esse efeito e ainda está a analisar o contencioso.

Após protestos nas ruas que paralisaram o país nos dias 21, 24 e 25 de outubro, Mondlane convocou novamente a população para uma paralisação geral de sete dias, desde 31 de outubro, com protestos nacionais e uma manifestação concentrada em Maputo na quinta-feira, 07 de novembro.

Venâncio Mondlane anunciou quinta-feira que as manifestações de protesto são para manter até que seja reposta a verdade eleitoral.

Pelo menos três pessoas foram mortas e 66 ficaram feridas durante confrontos entre manifestantes e a polícia na quinta-feira, oitavo dia das greves convocadas por Venâncio Mondlane, anunciou hoje o Hospital Central de Maputo (HCM), maior unidade do país.

"Ontem, dia 07 [quinta-feira], em todas as nossas portas de entrada tivemos um cumulativo de 138 admitidos, dos quais a urgência de adultos teve 101 pacientes. Dos 101 pacientes, 66 foram vítimas dessas manifestações e os restantes foram por outras causas", disse o diretor do Serviço de Urgência de Adulto no HCM, Dino Lopes, em declarações à comunicação social.

Dados apresentados pelo responsável dão conta de que pelo menos três pessoas perderam a vida na quinta-feira, em resultado das manifestações.

Entre as vítimas, disse Dino Lopes, o maior grupo, com 34 feridos, têm idades compreendidas entre 25 e 35 anos de idade, seguido de 17 feridos na faixa etária entre 15 e 25 anos de idade, num dia em que o HCM afirma não ter recebido crianças feridas em resultado das manifestações.

Para responder à demanda, disse Dino Lopes, o HCM contou com o contributo de estudantes de medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), para além dos médicos de outras unidades sanitárias e de organizações não-governamentais que se voluntariaram para auxiliar na assistência aos pacientes.

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