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Estádio de Leiria com cobertura totalmente danificada e estrutura em análise

Estádio de Leiria com cobertura totalmente danificada e estrutura em análise

A depressão Kristin danificou totalmente a cobertura do Estádio Municipal dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, e está em análise eventuais fragilidades provocadas em toda a estrutura, revelou o município.

Lusa /
Foto: Lusa

“A cobertura foi toda danificada, mas estamos a ver se, em termos estruturais, houve grande dano. O resto são equipamentos que conseguimos repor, mas são coisas menores, dada a dimensão do problema”, afirmou à agência Lusa o vereador do Desporto, Carlos Palheira.

Segundo o autarca, a maior preocupação de momento com o estádio “é a limpeza de todo o material solto que está na cobertura”.

Em causa estão “placas metálicas de grande dimensão e peso, com um potencial de perigosidade gigantesco para as pessoas”, que estão a ser retiradas por “uma equipa de alpinistas especializada em coberturas”.

Contudo, essa ação está também condicionada a uma situação meteorológica favorável, dada a sensibilidade da operação.

Relativamente à recuperação do estádio, Carlos Palheira ainda não sabe quando o mesmo poderá voltar a receber atividades desportivas.

“Ainda não temos uma previsão. De momento, o estádio está a ser avaliado por peritos de seguros para calcular os prejuízos. Estamos em fase de levantamento exaustivo, para aferir e avaliar todos os prejuízos”.

O Estádio Municipal dr. Magalhães Pessoa é uma das cerca de 500 instalações desportivas de Leiria severamente afetadas pelos efeitos do mau tempo.

O financiamento dos trabalhos de reparação dos danos “terá de ser financiada através dos seguros, sobretudo as municipais, e com o orçamento da Câmara”, mas, acrescentou o vereador, “tem de se contar também com o apoio do Estado neste esforço coletivo”.

O estádio municipal serve habitualmente vários desportos, como futebol, atletismo, ténis de mesa, pentatlo moderno, dança, bilhar, entre outros. Atualmente, em situação de calamidade, está ao serviço da distribuição à população carenciada de bens alimentares não perecíveis, produtos de limpeza e higiene pessoal e têxteis para o lar, que ali chegam na sequência de doações.

No estacionamento estão a ser depositados materiais de construção doados (tijolos, cimento, telhas e painéis de cobertura) para reconstrução de casas e resíduos verdes e florestais derrubados pela tempestade.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.


As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

“Lista interminável de grandes danos” em infraestruturas desportivas de Leiria
A quase totalidade das cerca de 500 infraestruturas do concelho de Leiria dedicadas ao desporto foram afetadas pela depressão Kristin, existindo “uma lista interminável de grandes danos”, assumiu o vereador do Desporto do município.

Segundo Carlos Palheira, o apuramento dos estragos ainda está a ser feito, mas verifica-se “perda total de algumas instalações”, nomeadamente pavilhões. Há “largas dezenas de milhares de praticantes” afetados.

“O pavilhão dos Parceiros colapsou, o do Telheiro também, o dos Marrazes desapareceu, o dos Barreiros está completamente inoperacional, o da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira está com metade da cobertura a descoberto, o da Mata dos Milagres tem duas paredes completamente no chão e outra de lado, o dos Silvas está com grandes danos…”, descreveu o vereador à agência Lusa.

A par disso, “o estádio está como está, a piscina municipal levou um rombo enorme, o Centro Nacional de Lançamento está inundado, pela segunda vez”, devido à depressão Leonardo, e os dois clubes de ténis “sofreram prejuízos enormes”.

Os pavilhões que ficaram operacionais estão a servir de abrigo para pessoas desalojadas ou como base para a distribuição alimentar.

“Acima do desporto terá de estar sempre o bem-estar das populações”, salientou Carlos Palheira, reconhecendo que a atividade desportiva organizada no concelho “está quase toda parada”.

Entre os cerca de 500 equipamentos existentes, “há uma lista interminável de grandes danos, que limitam imenso a atividade”.


Um dos exemplos mais visíveis da destruição é o Pavilhão do Telheiro, a cerca de quatro quilómetros do centro da cidade.

Os fortes ventos do dia 28 de janeiro arrancaram toda a cobertura e derrubaram uma das paredes. A estrutura está condenada.

O pavilhão é propriedade do Centro de Convívio e Recreio do Telheiro (CCRT), que completa 52 anos em 2026. Agora, tenta-se acordar do pesadelo, assume o presidente, Licínio Moreira.

“O pavilhão tem 24 anos e é fruto do trabalho de muitas pessoas, muitas ofertas de materiais e mão de obra. Era um orgulho enorme ter pavilhão próprio. Ver em tão pouco tempo desvanecer-se assim uma obra, é muito doloroso”, contou à agência Lusa.

Dedicado ao futsal e patinagem artística, o CCRT envolve 160 atletas a partir dos 5 anos. Para o futsal, ali se formaram os jogadores Andriy Dzyalo e David Grynchuk, hoje vinculados ao Sporting e internacionais por Portugal. Andriy fez parte da equipa nacional de sub-19 que conquistou o título europeu.

Agora, tudo aquilo é cenário de catástrofe: as paredes que sobram escondem o campo e bancadas a céu aberto, há placas da cobertura derrubadas, entre telhas, pedaços de alvenaria e muito material amarelo de isolamento por todo o lado.

“Ainda sem avaliação de especialistas, a primeira impressão é de perda total da infraestrutura”, lamentou Licínio Moreira.

Uma grua usada para montar eólicas ajudou-os a retirar a cobertura e “chegou a marcar [na balança] quatro toneladas de chapa levantada”, recordou.

O dirigente admitiu que, se os ventos tivessem soprado de outro lado e levado as lâminas contra os prédios à volta, “tudo isto podia ser ainda mais dramático”.

O CCRT procura já alternativas para a prática desportiva. “Não queremos que os miúdos e os adultos fiquem sem atividade”, frisou o presidente.

Essa é a prioridade, mas já se pensa na reconstrução. “Estamos a trabalhar nisso e vamos procurar arranjar um projeto”, mesmo que o financiamento seja uma dor de cabeça: há uma campanha de doação a decorrer, mas “as empresas que habitualmente são financiadoras, também estão com muitas dificuldades”.

E há a frustração com a Federação Portuguesa de Futebol: “Não deixamos de nos sentir um bocado defraudados quando foi anunciado o apoio de 100 mil euros para os concelhos todos em calamidade”, disse.

“Não vamos baixar os braços”, garantiu Licínio Moreira, acrescentando: “temos de lamber as feridas e continuar”.

Esse é espírito que o município de Leiria quer para todo o tecido desportivo.

No futebol, por exemplo, a autarquia vai comparticipar a 100% a aquisição de balizas para substituir as afetadas, o mesmo acontecendo com sistemas de iluminação, “porque os treinos fazem-se de noite e neste momento os dias são mais curtos”, lembrou Carlos Palheira.

“No futebol, queremos que as pessoas regressem à atividade assim que possível, em instalações que possam abrir, mesmo que em serviços mínimos”, seja “sem haver uma rede lateral para proteção da saída de bola”, seja porque “não há balneários - toma-se banho em casa”.

A maior dor de cabeça é que, de momento, em muitas freguesias “ainda não há sequer eletricidade”.

“Não podemos parar”, insistiu o vereador. “Há que seguir em frente, adaptando o número de treinos por semana. Temos muitos problemas e temos de os resolver”, acrescentou.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

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