Chega convoca Assembleia da República para debate de urgência sobre segurança em Portugal
O Chega decidiu convocar a Assembleia da República para um debate de urgência na próxima terça-feira sobre o "estado da segurança em Portugal". A decisão foi anunciada por André Ventura este sábado, um dia depois de um tiroteio num centro comercial em Viseu que provocou uma vítima mortal.
“Da parte do Chega, será proposta uma discussão de urgência sobre o ponto da segurança em Portugal, para que possamos pelo menos chegar a um consenso de que estamos pior e que a insegurança está a ser o novo dia-a-dia e o novo normal dos portugueses”, acrescentou.
Para o deputado, existe “necessidade de rapidamente levar a cabo um pacote contra a insegurança aprovado no Parlamento e em vigor em todo o território nacional”.
“É preciso mais prevenção e é preciso dar autoridade à polícia”, declarou André Ventura.
“Aqueles que atacaram as forças de segurança por fazer rusgas ou operações no Martim Moniz são os mesmos que hoje estão em silêncio perante o que ocorreu em Viseu”, continuou.
Na sexta-feira, um tiroteio num centro comercial em Viseu provocou a morte de uma mulher e ferimentos em duas pessoas. O atirador está identificado mas ainda não foi detido, permanecendo em fuga.
Chega preocupado com “circulação de armas ilegais”
André Ventura considera que o incidente em Viseu “é o resultado de um país que antes era escondido e que agora não pode ser mais escondido”, estando “à vista de todos a cultura de impunidade que permitimos”.
Ventura considerou ainda a “circulação de armas ilegais (…) um problema no nosso país” e vincou que “em Portugal, algumas minorias têm um acesso mais facilitado às armas do que outros”.
“Sabemos que o mercado negro e os grupos organizados criminosos delas dispõem com acesso fácil, enquanto outros que efetivamente precisam delas e a elas têm direito, têm dificuldades legais para as obter”, declarou.
“O dia-a-dia dos portugueses nos últimos tempos passou a ser um dia-a-dia de confronto com violência. Alguns dizem que são só sensações, outros chamam-lhes perceções”, mas o caso de ontem “foi violência a céu aberto, numa terra pacífica, num espaço comercial onde nada nem ninguém podiam apontar aquilo que iria acontecer”, defendeu.
Ventura quer reunião do Conselho de Estado
André Ventura disse ter também escrito ao presidente da República para lhe pedir que convoque uma reunião do Conselho de Estado, considerando que Marcelo Rebelo de Sousa precisa de "ter uma palavra sobre o estado da insegurança em Portugal".
"É tempo de o mais alto magistrado da Nação, que noutros momentos falou sobre tudo e mais alguma coisa, tenha a coragem, mesmo que não seja politicamente correto, de dizer aos portugueses que vivemos tempos de insegurança e que tudo fará para combater essa insegurança", declarou o líder do Chega.
Por fim, referindo-se ao que considera um “elefante na sala que a maioria dos políticos gosta de ignorar”, Ventura disse existir “um problema com a etnia cigana em Portugal” que inclui “impunidade, uma cultura de armas, uma cultura de subsidiodependência”.