Sondagem da Católica mostra PS a fugir à AD e Chega em queda

por Paulo Alexandre Amaral, Sara Piteira (grafismo) - RTP
Bernd Weissbrod - Alliance via AFP

O PS recupera do estudo anterior e surge dois pontos à frente da AD (33 - 31%) na última sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público antes das Europeias do próximo domingo. É uma vantagem curta mas que significa para já uma inversão de lugares, onde antes surgia a AD com 31% e o PS com 30%. Mais clara é a leitura relativamente ao Chega, que mantém o terceiro lugar, mas que, face às legislativas de 10 de março, perde seis pontos percentuais e garante apenas 12% dos votos.

Os socialistas recuperaram três pontos percentuais que garantem uma vantagem tangencial nas Eleições Europeias de dia 9, diz-nos a sondagem da CESOP – Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público.

A subida ligeira dos socialistas contrasta com a estagnação da AD (PSD/CDS/PPM) nos 31% que já se verificavam na anterior sondagem da Católica, há duas semanas. São contudo percentagens que não permitem apontar um vencedor definitivo do escrutínio de dia 9, podendo mesmo falar-se numa situação de empate, face às margens de erro do estudo.

Na anterior sondagem do CESOP, realizada entre 13 e 18 de maio, a AD surgia ligeiramente à frente do PS na intenção direta de voto (22 para 20%), o que se traduzia num empate técnico (31 e 30%) entre as duas maiores formações a disputar as eleições europeias. Uma quase réplica da diferença de votação que se verificou nas Legislativas de 10 de março último.
Chega em perda permite aproximação da IL
A indicação mais clara que salta desta última sondagem é assim a informação relativa ao Chega, partido que de um punhado de deputados saltou para um grupo de 50 lugares na Assembleia da República nas últimas Legislativas e que tem nas Europeia um primeiro teste aos óptimos resultados de março.

É neste contexto que os números não saíram lisonjeadores para o partido de André Ventura, que segundo os resultados da sondagem poderá perder um terço dos 18% da eleição de 10 de março para se ficar agora nos 12%.
 
Esta queda acentuada de seis pontos percentuais terá contudo de ser visto com a devida distância já que, apesar de os partidos em campanha admitirem uma leitura nacional das eleições de domingo, a tradição nos diz que legislativas e europeias são atos completamente diversos na sua especificidade muito própria.

Fica no entanto a indicação de que o Chega poderá estar aqui perante uma votação que não confirma os resultados de há três meses. Na quarta-feira André Ventura pedia nove deputados do Chega na Europa, mas a sondagem diz que os portugueses apenas estão dispostos a dar-lhe entre dois e quatro lugares em Estrasburgo. Já na sondagem anterior da Católica, há duas semanas, o Chega não passava dos 15%.

Em ganho – e a aproximar-se do Chega – está a IL, que em duas semanas subiu de 6 para os 8 por cento e cimentou assim a quarta posição.
Logo a seguir surgem CDU, Livre e BE com 4%, caindo todos eles um ponto percentual. Aparece por último o PAN, com 1%, valor que tinha já no inquérito anterior.

O CESOP sublinha a “elevada mobilidade do voto, com vários partidos a revelarem dificuldades para segurar o seu eleitorado de março que pretende votar nas Europeias. Em comparação com a sondagem anterior, nota-se aumento de indecisos entre eleitorado Chega, o que é uma novidade”.

Afinando a análise, os investigadores apontam que o “Chega com aparente dificuldade em conservar eleitorado nos 35-64 (onde percentagem de indecisos ainda é grande)”.

CDU, BE e Livre podem ficar de fora

Em termos de mandatos europeus, o PS surge à frente com 7 a 9 eurodeputados (teve 9 lugares nas Europeia de 2019), a AD com 6 a 8 (teve 6) e, em terceiro, o Chega com 2 a 4 lugares em Estrasburgo (0 deputados).

A Iniciativa Liberal aparece depois num segundo grupo com a possibilidade de eleger 1 ou 2 deputados.

Já CDU, Bloco e Livre, correm o risco de ficar de fora do Parlamento Europeu e, na melhor das hipóteses, garantem um único mandato europeu. Bloco e CDU tinham 2 deputados cada em 2019, o PAN tinha 1. Sublinham os autores da sondagem que, “se as eleições tivessem sido no momento desta sondagem o PAN ficaria sem representação no Parlamento Europeu”.
De certeza que vai votar

Um dado importante que sai desta sondagem diz respeito à abstenção, por norma muito elevada em Europeias.

Diz-nos o CESOP que para este dia 9 estão a pensar votar 87% dos inquiridos, o que seria um recorde absoluto. Em 2019 votaram 30,73% dos eleitores.

Segundo a sondagem “vão votar de certeza” 69% dos inquiridos e “em princípio vão votar” 18%. Apenas 6% manifestam a disposição de não se deslocarem a uma mesa de voto no próximo domingo.

A partir destas respostas não é possível prever um valor para a abstenção. Sabemos que entre as pessoas que aceitaram participar na sondagem, 69% dizem que vão votar de certeza (ou já votaram). Mas podemos também assumir que essa percentagem será menor entre aqueles que não aceitaram participar. É habitual e compreensível que as percentagens do gráfico sejam muito diferentes do que se encontraria numa eleição real.

Sabemos que a percentagem de abstencionistas em eleições será sempre superior às percentagens que se encontram neste tipo de inquéritos. Isso acontece porque muitos dos abstencionistas não aceitam sequer responder a inquéritos políticos.

Ficha Técnica

Este inquérito foi realizado pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público entre os dias 27 de maio e 3 de junho de 2024. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir duma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. Todas as entrevistas foram efetuadas por telefone (CATI). Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram obtidos 1552 inquéritos válidos, sendo 45% dos inquiridos mulheres. Distribuição geográfica: 33% da região Norte, 21% do Centro, 30% da A.M. de Lisboa, 8% do Alentejo, 4% do Algarve, 2% da Madeira e 2% dos Açores. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários, região e comportamento de voto com base nos dados do recenseamento eleitoral e das últimas eleições legislativas. A taxa de resposta foi de 36%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1552 inquiridos é de 2,5%, com um nível de confiança de 95%.

*Foram contactadas 4275 pessoas. De entre estas, 1552 aceitaram participar na sondagem e responderam até ao fim do questionário.

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