Venha a República Checa

A melhor exibição de Portugal, até agora, no Europeu de futebol podia não ser suficiente, mas foi. Com a Alemanha a fazer valer a lógica do mais forte frente à Dinamarca, cabia à Seleção portuguesa mostrar à Holanda que tinha argumentos para eliminar o atual vice-campeão do Mundo. E teve.

RTP /
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Depois de um início de jogo titubeante até aos primeiros 15 minutos, durante os quais sofreu o (fantástico) golo do pequeno génio Van der Vaart, a equipa portuguesa arrancou para uma primeira parte imponente, a espaços luxuriante, em que dispôs de numerosas ocasiões para marcar. Concretizou uma, e veja lá se adivinha por quem: Cristiano Ronaldo, que terminou hoje a seca de golos que vinha apoquentando um país inteiro.

Um pequeno percalço adicional veio do outro jogo, quando a Dinamarca recuperou da desvantagem com que se viu obrigada a lidar desde bem cedo e empatou a um com a Alemanha, o que, naquele momento, atirava Portugal para fora do Euro. Nada que o primeiro tento de Cristiano não tivesse começado a resolver, na sequência de um passe fabuloso de João Pereira que tornou inútil a povoadíssima linha defensiva dos norte-europeus. É uma jogada para ver uma vez e outra, daquelas que empolgam a audiência. Foi, sem dúvida, um dos melhores momentos do Euro, até agora.

O segundo tempo começou da mesma forma que o primeiro, com mais Holanda, dando a ideia de que Paulo Bento, durante o intervalo, terá aconselhado os seus jogadores a esperarem pelos adversários, obrigando uma Holanda com mais de meia equipa claramente vocacionada para o ataque e faminta de golos a tomar a iniciativa, o que poderia ser aproveitado pela rapidez dos avançados lusitanos, que, como é sabido, têm argumentos fortíssimos no contra-ataque.

Contudo, a "laranja" holandesa não dava sumo por aí além e, atingida a hora de jogo, Portugal "estendeu" de novo a equipa, assumiu o comando da partida e voltou a dominar - e a desperdiçar chances, algumas delas gritantes. Começava a preocupar a falta de mais um golo mas, numa das melhores jogadas do encontro, que decorreu em pouquíssimos segundos, mas cobriu todo o terreno de jogo, consumou-se a reviravolta. Classe pura de pé para pé e Cristiano a ter de dedicar mais um golo ao pequeno filho, aniversariante. Até bateu certo: dois anos, dois golos do capitão, que assim terá acabado, "a tiro", com a novela que vinha alimentando o dia-a-dia do Euro.

Um pormenor a reter: mesmo sem consultar as estatísticas, não é risco nenhum afirmar que a Seleção Nacional está entre as formações que mais oportunidades de golo criam neste Campeonato Europeu. Com maior acerto na finalização, a equipa portuguesa poderá tornar-se num ainda mais sério pretendente a um lugar nos derradeiros jogos da competição.

Fechadas as contas do Grupo B, passam aos quartos-de-final Alemanha (nove pontos, só vitórias) e Portugal (seis pontos, 2V1D). Pelo caminho ficam a Dinamarca e em especial, a Holanda, sem dúvida a maior surpresa do Euro pela negativa. Vice-campeã do Mundo, a Seleção dirigida por Bert van Marwijk (o tal que afirmou que Portugal não tinha equipa para os primeiros lugares do torneio) sai do Euro humilhada por uma carreira medíocre: três derrotas, zero pontos. O futebol tem destas coisas.

Para Portugal, é tempo de retemperar forças, porque o Euro continua já na quinta-feira com o  Rep. Checa - Portugal, nuns quartos-de-final que reeditam o Euro96.

Dessa vez, as coisas não correram bem para os lusos, mas não se costuma dizer que um raio nunca cai duas vezes no mesmo sítio?
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