Em 1985, nomes como Madonna, Bruce Springsteen, Dire Straits e Tears for Fears dominavam as tabelas.
Mas, no meio dessa vaga pop irresistível, surgiu um caso improvável de sucesso: os Marillion, com o álbum Misplaced Childhood.
A banda inglesa apostava no rock progressivo - género que muitos consideravam ultrapassado - com fortes influências dos Genesis da era de Peter Gabriel. E havia mais: tratava-se de um álbum conceptual, em que cada faixa integra uma única narrativa, as memórias de infância de Fish, marcadas por desilusões e pelas dores inevitáveis de crescer.
Parecia pouco provável que passasse na rádio...mas passou. E quando Kayleigh começou a rodar nas estações, tudo mudou: o álbum disparou até ao primeiro lugar.
O sucesso foi de tal ordem que os Marillion acabaram por liderar o renascimento do rock progressivo nos anos 80 - e nunca mais pararam de explorar novos caminhos sonoros nas décadas seguintes.
Esta viagem no tempo surge a propósito de Mary Kelly, teclista da banda, que celebra hoje 65 anos. E convém sublinhar: longe de serem memória, os Marillion continuam em atividade - entre estúdio e estrada, com um novo álbum em preparação enquanto percorrem a Europa em digressão.
Quarenta anos depois, Misplaced Childhood continua a ser uma obra-prima do rock progressivo...um verdadeiro disco de culto.