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Rota Urbana | Pico|28 jul. 2026
A ilha do Pico é a segunda maior ilha dos Açores e a mais jovem do arquipélago, com uma idade inferior a 300 mil anos.
A ilha foi construída essencialmente por vulcanismo basáltico, encontrando-se aqui extensas escoadas lávicas, campos de lava associados a atividade vulcânica histórica e uma extraordinária cordilheira vulcânica - o Planalto da Achada - constituída por cerca de 190 pequenos vulcões e fissuras eruptivas.
A atividade vulcânica acompanhou também a ocupação humana da ilha. Desde o povoamento registaram-se várias erupções históricas, destacando-se as de 1562-64, na Prainha, e as de 1718 e 1720, que deram origem aos chamados Mistérios de São João, Santa Luzia e Silveira.
É neste enquadramento que se desenvolveu a vila da Madalena, localizada na costa ocidental da ilha e voltada para o Canal Faial-Pico.
A Madalena apresenta uma forte identidade rural, intimamente ligada à cultura da vinha. Adegas, currais de pedra, rola-pipas, poços de maré e grandes solares surgem um pouco por todo o concelho, testemunhando a importância que a produção vitivinícola assumiu ao longo dos séculos na economia e na identidade do Pico.
Esta relação singular entre o ser humano e o território foi reconhecida internacionalmente em 2004, quando a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico foi classificada como Património Mundial da UNESCO. Trata-se de um exemplo notável da capacidade de adaptação das populações a um território dominado por extensos campos de lava basáltica.
Também o património edificado da Madalena reflete esta ligação à geologia da ilha. O basalto, a rocha mais abundante do Pico, é presença constante em igrejas, edifícios públicos, adegas, solares e muros, muitas vezes exibindo belos cristais de olivina e piroxena visíveis a olho nu.
Um dos melhores exemplos é a Igreja de Santa Maria Madalena, que domina a frente marítima da vila. Nas suas fachadas destacam-se os blocos de basalto utilizados nas molduras e elementos decorativos.
Também os Paços do Concelho evidenciam o recurso à pedra basáltica local, enquanto a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico permite observar basaltos sob a forma de pedra cerrada, onde cristais esbranquiçados de plagioclase formam padrões radiais que contrastam com a cor escura da rocha.
Mas a presença do basalto vai muito além dos edifícios. No Jardim dos Maroiços encontra-se uma homenagem a um dos elementos mais emblemáticos da paisagem picoense. Resultantes da remoção de pedra dos terrenos agrícolas, os maroiços tornaram-se símbolos da persistência e da capacidade de adaptação das populações a uma ilha moldada pela lava.
A mesma relação entre geologia e património observa-se nos currais da vinha, nos rola pipas e nos poços de maré, elementos fundamentais da Paisagem da Cultura da Vinha e testemunhos do engenho com que os picoenses aprenderam a viver e a produzir num território dominado pela pedra.
No fundo, esta GEO Rota Urbana permite descobrir que a história da Madalena está intimamente ligada à geologia da ilha. Uma história escrita em basalto, onde vulcões, vinha e património se juntam para criar uma das paisagens culturais mais singulares dos Açores.