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Rota urbana | Vila das Lajes do Pico|15 set. 2026
A geodiversidade urbana na Vila das Lajes do Pico: um dos exemplos mais expressivos é a Igreja da Santíssima Trindade, matriz das Lajes do Pico. Nas suas fachadas observam-se as molduras e elementos arquitetónicos em basalto, demonstrando como os recursos geológicos locais foram integrados na construção do património religioso.
Outro edifício de destaque é o antigo Convento Franciscano, o mais antigo da ilha do Pico. Atualmente integrando os Paços do Concelho, continua a testemunhar a forte ligação entre a história da vila e o vulcanismo que moldou a paisagem e forneceu matéria-prima para a construção.
Mas falar das Lajes do Pico é também falar da baleação. Junto ao mar encontramos a Escadaria dos Baleeiros, por onde desciam apressadamente os homens que partiam para a caça à baleia quando era dado o sinal de alerta. Hoje permanece como um importante símbolo da memória coletiva da vila.
Nas proximidades encontra-se o Monumento à Baleação e o antigo Traiol, este era o local onde os cachalotes eram desmanchados e processados após a captura. Aqui destaca-se também o contraste entre o negro do basalto das estruturas tradicionais e os calcários claros que foram utilizados no monumento, onde é possível observar fósseis marinhos.
A antiga Fábrica da Baleia SIBIL, que é hoje o Centro de Artes e de Ciências do Mar, constitui também uma referência incontornável da paisagem urbana das Lajes do Pico. As suas naves industriais e chaminés recordam a importância que a baleação assumiu na economia local ao longo do século XX.
Outro elemento que merece referência são os poços de maré, como o Poço da Rochinha. Escavados na rocha basáltica, tiravam partido da infiltração da água da chuva e da sua relação com a água do mar, permitindo o acesso a água utilizada no quotidiano das populações e testemunhando a capacidade de adaptação das comunidades às condições naturais da ilha.
Merecem ainda referência a Casa do Brasão, um dos edifícios mais emblemáticos da vila, a Pastelaria Aromas e Sabores, parceira do Geoparque Açores e criadora do primeiro geoproduto certificado pelo Geoparque Açores, o Biscoito Bomba, inspirado na origem vulcânica da ilha do Pico e demonstrando como a geodiversidade pode também inspirar a gastronomia local.
Estes e outros elementos do património edificado e geológico da Vila das Lajes do Pico foram descritos em detalhe nas edições da página Geodiversidades, publicadas quinzenalmente no jornal Açoriano Oriental. Estes conteúdos podem ser consultados no sítio da internet do Geoparque Açores.
A GEO Rota Urbana das Lajes do Pico é mais um exemplo de como geodiversidade, património edificado, baleação e vivências locais se cruzam na construção da identidade desta vila. Um património que o Município das Lajes do Pico tem vindo a preservar, valorizar e divulgar, contribuindo para uma maior aproximação da comunidade ao seu território e à sua história.