Empresa de amigo de Vítor Gaspar contratada para assessorar privatização da EDP e da REN
Terá sido o próprio ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a dar indicações à Caixa Geral de Depósitos para subcontratar a empresa Perella Weinberger Partners para assessorar o Estado na venda da EDP e da REN. A notícia vem hoje no jornal Público e conta que os administradores da Caixa Geral de Depósitos António Nogueira Leite e Nuno Fernandes Thomaz manifestaram a sua discordância com todo o processo, que está a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).
"A contratação
da firma norte-americana esteve desde o início envolta em polémica. Não
só por se tratar de uma empresa, alegadamente, sem experiência em
privatizações e sem historial de conhecimento da área da energia, mas
também porque o seu nome foi posto em cima da mesa pelo ministro das
Finanças", escreve o Público. "E já depois de ter sido elaborada uma lista restrita, com
nomes de assessores financeiros, que não incluía a Perella. A exclusão
dos candidatos portugueses, como o BESI (que seria contratado pelos
grupos que venceram as duas privatizações), o BCP e estrangeiros, levou
alguns deles a questionar a opção governamental."
Apesar da discordância manifestada pelos responsáveis do banco sobre a escolha dos assessores, a Caixa BI acabou por subcontratar a empresa Perella Weinberger Partners, após parecer positivo dos
serviços jurídicos. "O acordo fixou que a Caixa BI e a Perella
repartiriam em igual percentagem as comissões cobradas ao Estado. O
negócio rendeu 15 milhões de euros a dividir entre ambos", diz o Público, que assinala que o sócio da empresa norte-americana Paulo Cartucho Pereira, amigo de Vítor Gaspar, esteve em Portugal entre setembro e fevereiro, no decurso das privatizações da EDP e da REN.
Um jurista citado pelo Público diz que os
procedimentos adotados neste dossier terão sido regulares, "ainda que o
comportamento e a conduta dos titulares da pasta das Finanças possa ser
questionado eticamente". No Parlamento, há alguns meses, o deputado socialista João Galamba, conta o jornal, pediu "a identificação completa do ato administrativo que levou o
Governo a contratar a Perella, bem como a respectiva certidão, incluindo
a fundamentação".
Operação Monte Branco quer "esclarecer e investigar"
Na passada semana, o caso voltou a ser falado quando o Ministério Público fez buscas, no âmbito da operação Monte Branco,
à Caixa BI, Parpública e BESI.
Um comunicado emitido pela Procuradoria-Geral da República revelava
que com as diligências executadas "o DCIAP pretende esclarecer
e investigar a intervenção e conduta de alguns dos assessores
financeiros do Estado nos processos de privatização da EDP e da REN" e
que "não está em causa o sentido da decisão final assumida naquelas
privatizações, mas tão só a investigação criminal de condutas concretas
de alguns intervenientes naqueles dossiers".
Na passada segunda-feira, dia 16, os procuradores do Ministério
Público estenderam as buscas à Parpública, entidade que gere as
participações do Estado nas empresas, onde solicitaram os documentos
relativos à privatização da EDP e da REN. Os contratos já chegaram às
mãos dos procuradores, que agora vão investigar a venda de 21,35 por
cento da EDP aos chineses da Three Gorges e do negócio que culminou com a
compra de 40 por cento da REN pela State Grid e pela Oman Oil.
Os responsáveis pela assessoria do Estado nas duas privatizações foram a
Caixa BI e a Perella Weinberg, empresa contratada por ajuste
direto pela Parpública em agosto de 2011. Os compradores foram
assessorados pelo BESI. Os mandados estavam sustentados na
suspeita da prática de crimes de fraude fiscal qualificada, tráfico de
influências, corrupção e abuso de informação privilegiada.
TAGS:António Nogueira Leite, Caixa Geral de Depósitos, EDP, Ministro das Finanças, Monte Branco, Nuno Fernandes Thomaz, Operação, Privatizações, REN, Vítor Gaspar,
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