A renovação de Fernando Santos na Seleção Portuguesa

| Futebol Internacional

André Silva marcou o único golo da vitória portuguesa sobre a Itália
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Passados dois meses do Mundial 2018, na Rússia, Portugal voltou a entrar em jogo, estreando-se na inédita Liga das Nações. Fernando Santos deixou cair dez nomes da convocatória que levou à Rússia e proporcionou oportunidades a uma senda de jogadores da qual se espera que seja uma nova geração de ouro do futebol português. Foi sem o lendário capitão, Cristiano Ronaldo, que Portugal entrou em campo com a Croácia e a Itália e conseguiu um empate e uma vitória sobre os transalpinos.

Na baliza, o local está bem definido. Rui Patrício é o titular indiscutível de Portugal de há muito tempo para cá. Mudou-se no início desta temporada para o Wolverhampton Wanderers e está a estrear-se na Premier League. Tem feito defesas impossíveis, impressionado a crítica e muitos questionam-se porque foi para um clube recém-promovido quando se trata de um dos melhores guarda-redes da Europa.

Foto: Rui Patrício foi fulcral na conquista do Euro 2016 - Reuters

No entanto, na seleção não existem dúvidas. Com 30 anos, Patrício conta com 75 internacionalizações e parece destinado a contar muitas mais. Um campeão europeu em 2016 (quem pode esquecer a grande defesa a cabeceamento de Griezmann?) que tem deixado para trás a concorrência.

Beto e Anthony Lopes não têm tirado lugar ao guarda-redes dos Wolves e mesmo a chamada de Cláudio Ramos, do Tondela (convocatória inédita no clube beirão), parece não tirar força a Rui Patrício.

Os guarda-redes tendem a mostrar maior longevidade na sua posição é não é crível que Rui Patrício perca o lugar durante muito tempo. No entanto, Fernando Santos sabe que pode contar com os préstimos de Anthony Lopes e Cláudio Ramos (Beto já tem 36 anos). Guardiões jovens mas experientes que poderão igualmente dar a segurança do atual titular da seleção portuguesa.

A defesa portuguesa parece ter poucas alternativas. No Mundial, Fernando Santos utilizou Pepe e José Fonte no centro da defesa, jogadores com 35 e 34 anos. Nos últimos dois jogos, o defesa do Besiktas continuou a titular mas teve um novo colega no eixo da defesa: Rúben Dias.

Foto: Veterania e juventude numa só foto. Rúben Dias e Pepe na Seleção - EPA

O jogador de 21 anos pegou de estaca no Benfica esta temporada e as exibições juntamente com Pepe parecem ter convencido o selecionador. Esteve no Mundial, sem realizar algum jogo, mas com 180 minutos nas partidas frente à Croácia e Itália, Rúben Dias parece ser uma das soluções a longo prazo para a defesa de Portugal.

No entanto, Pepe conta já com 35 anos e não é expectável que jogue por muito mais tempo a grande nível no futebol internacional. A idade também pesa a jogadores experientes como Bruno Alves e José Fonte e falta saber qual pode ser o contributo de jogadores como Pedro Mendes ou Luís Neto.

O primeiro ainda não tem internacionalizações mas aos 27 anos tem rubricado boas exibições com o Montpellier. Luís Neto, com 30 anos, ainda é uma opção válida (tem jogado com regularidade no Zenit), sendo que conta com a experiência de 18 internacionalizações.

Paulo Oliveira, agora no Eibar, parecia destinado a grandes voos depois de chegar ao Sporting mas após uma internacionalização com Portugal (numa derrota por 2-0 frente a Cabo Verde), não voltou a merecer uma chamada de Fernando Santos.

Foto: João Cancelo frente à Croácia - Lusa

Nas laterais, a seleção está bem servida. Do lado direito, João Cancelo parece ter aproveitado a oportunidade dada por Fernando Santos, dando uma boa réplica frente à Croácia e Itália. Há que contar ainda com Cédric, um dos imprescindíveis do selecionador, e com a concorrência de jogadores como Ricardo Pereira e Nélson Semedo.

Do lado esquerdo, a escolha tem recaído pela presença de Mário Rui. Aos 27 anos, o jogador do Nápoles foi convocado para o Mundial e parece disputar com Raphael Guerreiro o flanco esquerdo da defesa portuguesa.

Para Portugal, as opções no meio-campo parecem ser abundantes. No Mundial estiveram William Carvalho, Adrien Silva, João Moutinho, João Mário, Manuel Fernandes e Bruno Fernandes e para as partidas com Croácia e Itália, o selecionador optou por deixar muitos de fora.

Apostando definitivamente na juventude, William Carvalho e Bruno Fernandes mantiveram-se, enquanto Pizzi, Renato Sanches e Rúben Neves regressaram a convocatórias. Gedson Fernandes e Sérgio Oliveira tiveram a oportunidade para se estrearem com a camisola das quinas.

Foto: Rúben Neves fez dupla com William Carvalho - Lusa

William continuou a ser opção e foi testado a oito no meio-campo, dando espaço a Rúben Neves para brilhar a jogar na posição seis. O jogador do Wolverhampton não mostrou contemplações e aproveitou as duas titularidades para realizar uma boa dupla com o médio do Bétis de Sevilha.

Fernando Santos aproveitou ainda para dar minutos a Gedson, Sérgio Oliveira, Bruno Fernandes e Renato Sanches. Nas próximas convocatórias não haverá certeza se estas escolhas se manterão (com exceção para Bruno Fernandes) mas Portugal tem opções de sobra para formar um dos melhores setores intermédios da Europa.

Na frente de ataque, a ausência de Cristiano Ronaldo foi notada. Mais pelo estatuto que o capitão ostenta do que pelo futebol praticado pela seleção. Apesar de não ter um matador puro na frente de ataque, Portugal não titubeou sem a grande estrela.

André Silva mostra que continua a ser goleador com Portugal (13 golos em 28 jogos) e mostrou-se bem entrosado com Bernardo Silva e Bruma. Os dois jogadores foram um quebra-cabeças, especialmente para a seleção italiana, e mostraram qualidade no transporte, no domínio de bola e na técnica que aplicam ao futebol da equipa das quinas.

Foto: André Silva festeja com João Cancelo - Lusa

Não esquecer que Gelson Martins é cada vez mais uma certeza na seleção e Gonçalo Guedes e Rony Lopes parecem trilhar um caminho seguro para continuarem nas escolhas de Fernando Santos.

Foram dez os nomes que caíram desde a última convocatória para o Mundial. Para a estreia na Liga das Nações, Fernando Santos parece mesmo ter apostado na juventude e está a dar mostras de que o futuro da seleção portuguesa pode estar a mudar.

Dos 24 convocados, 20 jogadores têm menos de 30 anos, sendo que os mais veteranos são Beto (36 anos), Pepe (35 anos) Rui Patrício e Luís Neto (ambos com 30 anos).

Dos restantes 20 jogadores, Pizzi é o mais velho, com 28 anos, e Gedson Fernandes o mais novo, com apenas 19. Com este grupo, a média de idades na seleção portuguesa passou a ser de 25,3 anos. Dois meses antes, no Mundial da Rússia, Portugal apresentou uma das seleções mais velhas da prova.

Os quatro jogadores mais velhos, em conjunto, contam com 208 internacionalizações, sendo que os restantes 20 têm, entre si, 272 jogos com a camisola de Portugal. William Carvalho é o mais internacional, com 49 jogos, e é seguido de Cédric (32), Bernardo Silva (31) e Raphael Guerreiro e André Silva (28 partidas cada).

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