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Dia Mundial da População. Menos bebés e uma população mais envelhecida em Portugal

por Inês Moreira Santos - RTP
Este ano estão a nascer menos bebés António Antunes - RTP

No primeiro semestre deste ano, Portugal registou menos 518 nascimentos face a igual período do ano passado, segundo dados relativos ao "teste do pezinho" do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que analisou mais de 41 mil recém-nascidos entre janeiro e junho. No Dia Mundial da População, também a Pordata revela que houve, em 2023, um acréscimo populacional em Portugal, mas graças à imigração. O país enfrenta, contudo, uma profunda transformação demográfica e é já o segundo da União Europeia com maior índice de envelhecimento, atrás de Itália.

De acordo com INSA, "na primeira metade deste ano, foram estudados 41.284 recém-nascidos no âmbito Programa Nacional de Rastreio Neonatal, menos 518 do que em igual período do ano passado (41.802)". Segundo os dados oficiais, janeiro (com 7.683), maio (com 7.181) e abril (com 7.040) foram os meses no primeiro semestre com maior número de recém-nascidos rastreados.

Estes dados referem-se ao número de recém-nascidos estudados no âmbito deste programa e não ao total de nascimentos em Portugal. Contudo, o teste do pezinho rastreia algumas doenças graves em todos os recém-nascidos e representa um forte indicador do aumento ou da diminuição da natalidade todos os anos. Com base nestes dados, conclui-se que o número de bebés estudados neste programa estava a crescer desde 2021, depois de uma quebra nos anos da covid-19. Agora na primeira metade de 2024 registou-se a primeira descida, embora ligeira, desde o período da pandemia.

Analisando os dados por zonas do país, verifica-se que Lisboa foi o distrito com mais bebés estudados, num total de 12.794 - valor semelhante ao registado no mesmo período do ano passado (12.613). Seguem-se o Porto com 7157 rastreios, um número ligeiramente menor do que o de 2023 (7550), Setúbal com 3359 e Braga com 3083 bebés testados.

Já Bragança, Portalegre, Guarda, Beja e Vila Real foram os distritos com menor número de recém-nascidos rastreados, com valores mensais abaixo de uma centena.
“Teste do pezinho”
Desde 1979, o Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN) realiza testes de rastreio em todos os recém-nascidos para identificar algumas doenças graves, é o chamado “teste do pezinho”. Estes testes permitem identificar as crianças que sofrem de doenças, quase sempre genéticas, como a fenilcetonúria ou o hipotiroidismo congénito, podendo beneficiar de tratamento precoce.

Segundo o INSA, os resultados deste rastreio têm sido muito positivos. Mais de 1.600 crianças doentes foram rastreadas e tratadas logo nas primeiras semanas de vida, em centros de tratamento especializados evitando-se graves problemas de saúde.

Em 2023, o "teste do pezinho" permitiu identificar 150 casos de doenças raras entre os 85.764 bebés estudados, dos quais 54 são de doenças hereditárias do metabolismo, 50 de hipotiroidismo congénito, seis de fibrose quística, 34 de drepanocitose e seis de atrofia muscular espinal.

Coordenado pelo INSA, através da sua Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética, do Departamento de Genética Humana, o PNRN rastreia 28 patologias, tendo até final de 2023 identificado 2.692 casos de doenças raras, na sequência do rastreio realizado a 4.224.550 recém-nascidos.

Segundo o instituto, a identificação da doença possibilitou que "todos os doentes iniciassem de imediato um tratamento específico, evitando défice intelectual e outras alterações neurológicas ou extraneurológicas irreversíveis, com a consequente morbilidade ou mortalidade".

Apesar de não ser obrigatório, o programa tem atualmente uma taxa de cobertura de 99,5 por cento, sendo o tempo médio de início do tratamento de cerca de 10 dias. O "teste do pezinho" é efetuado a partir do terceiro dia de vida do recém-nascido, através da recolha de umas gotículas de sangue no pé da criança.
Duas faces da moeda: mais população e mais envelhecida
Em 2023, Portugal superou os 10,6 milhões de habitantes, registando-se o maior número das últimas décadas. Dados da Pordata indicam que, no ano passado, houve um acréscimo de 109 mil pessoas face a 2022 e que, pelo segundo ano consecutivo, os nascimentos no país aumentaram. O estudo conhecido esta quinta-feira liga a evolução populacional positiva à imigração: os saldos quase duplicaram em dois anos.

“Portugal regista atualmente o maior número de residentes das últimas décadas: 10,6 milhões”, lê-se no relatório divulgado pela Pordata, que sublinha que o “saldo populacional tem sido sempre positivo nos últimos cinco anos, reflexo de um aumento da imigração”.

“A população em Portugal está a crescer desde 2019, sendo que, no último ano, aumentou 1 por cento. Há mais 109 mil pessoas do que em 2022”, acrescenta.  “Somos agora 10.578,2 milhões de residentes, o maior número das últimas décadas”.

E dentro dos dados populacionais verificou-se que os casamentos “em que ambos os cônjuges são portugueses são a maioria (80 por cento), embora tenham menor representação que há dez anos (86 por cento) ” e que “os casamentos em que ambos os cônjuges são estrangeiros quase triplicaram”.

Apesar de 2023 ter sido o segundo ano consecutivo em que os nascimentos aumentam, “Portugal tem um saldo natural negativo desde 2009, ou seja, morrem mais pessoas do que as que nascem”.“Desde 2019, o saldo populacional (que inclui tanto os nascimentos e mortes, como os emigrantes e imigrantes) tem sido positivo devido à imigração. Os saldos migratórios quase duplicaram nos dois últimos anos”.

Contudo, Portugal enfrenta um envelhecimento demográfico, tendo ultrapassado as três mil pessoas com 100 anos. Os dados revelam que há mais de 2,5 milhões de pessoas com 65 anos ou mais.

“De um modo geral, desde 2019, a população idosa tem crescido mais de 2 por cento ao ano”.

Para além de uma população mais envelhecida, a Pordata identificou que houve uma diminuição de quase sete por cento nos casais com filhos e que as famílias monoparentais aumentaram em 22 por cento - em quase 90 por cento dos casos em que a família é composta por um só adulto a viver com crianças, este é uma mulher.“Portugal tem mais casais sem filhos, mais famílias monoparentais e mais famílias unipessoais”.

Na União Europeia, as famílias numerosas (com três ou mais filhos) representam 13 por cento das famílias com filhos - é o dobro da proporção de Portugal com seis por cento. A Pordata salienta que somos “um país de filhos únicos: apenas 27 por cento das famílias têm crianças e, entre estas, quase dois terços têm apenas um filho”.

“É o primeiro país da UE com maior proporção de agregados domésticos só com um filho, no total das famílias com filhos”.


Estes dados permitem perceber, é referido no documento, que “os portugueses estão também mais sozinhos: mais de um milhão de pessoas vivem sós e, destas, mais de metade são idosos”.

Os dados falam por si: Portugal é o quarto país da União Europeia com “maior percentagem de idosos a viver sozinhos no total de pessoas que vivem nesta condição”.


O envelhecimento, segundo a Pordata, verifica-se ainda no número de indivíduos em idade ativa por idoso: há 2,6 pessoas ativas por cada idoso.

“Portugal é, a par da Itália, o país da União Europeia com maior percentagem de população idosa, com quase o dobro dos idosos face aos jovens: são 186 idosos por cada 100 jovens”
.

E para concluir, o “nosso país é o segundo da UE com maior índice de envelhecimento e o quarto país do Mundo com maior proporção de população idosa”.
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