PCP antecipa que Álvaro de Almeida vai manter "processo de desmantelamento do SNS"

O secretário-geral do PCP antecipou hoje que o novo diretor executivo do SNS vai manter o "processo de desmantelamento do SNS" e pediu à ministra da Saúde para ter mais atenção aos currículos de quem nomeia.

Lusa /

Em declarações aos jornalistas no parlamento, após uma reunião com especialistas da lei dos solos, Paulo Raimundo foi questionado sobre a nomeação de Álvaro de Almeida para diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), em substituição de António Gandra d`Almeida, que se demitiu depois de uma investigação sobre acumulação de funções incompatíveis.

O secretário-geral do PCP respondeu que não tem por hábito "fazer comentários sobre a pessoa A, B ou C", porque o fundamental são as "opções políticas de fundo" e, no caso deste Governo, essa opção traduz-se num "processo de desmantelamento do SNS" e na "transferência de recursos públicos para aqueles que fazem da doença um negócio".

"Veja-se a razão pela qual o anterior diretor [executivo do SNS] saiu. Foi exatamente por isso: por transferência pública de recursos públicos para uma empresa privada que fazia prestação de serviços ao SNS", referiu.

Ainda assim, Paulo Raimundo frisou que a nomeação de Álvaro de Almeida o leva a pensar que "o novo diretor não irá alterar nada daquilo que é a linha fundamental do Governo".

"Ora, se é assim, já agora fica apenas um apelo, sem ter em conta a pessoa em concreto, é mais um apelo para a ministra da Saúde para que olhe com mais atenção para o currículo de cada um daqueles que convida para cargos, nomeadamente no SNS", disse.

Paulo Raimundo aludia ao facto de Ana Paula Martins ter admitido que conhecia o conteúdo do relatório da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP) sobre Granda d`Almeida que, apesar de ter dado parecer positivo à sua nomeação como diretor executivo do SNS, indicava que teria acumulado funções no passado.

Questionado se considera que a ministra da Saúde se deveria demitir, Paulo Raimundo respondeu que a situação o leva a questionar-se sobre "quantas mais incompatibilidades existem de outros cargos nomeados em que a ministra considera que não há nenhuma incompatibilidade", tendo em conta que Ana Paula Martins sabia que haveria incompatibilidades neste caso "e achou que não havia nenhum problema com isso".

"Se a ministra, perante incompatibilidades claras - que a própria pessoa, pelos vistos, até reconheceu de imediato - acha que não há nenhum problema, então não se colocou do lado da resolução do problema, mas do lado do problema e foi conivente com o problema. Terá, naturalmente de tirar daí as suas conclusões", disse.

O antigo presidente da Entidade Reguladora da Saúde Álvaro Almeida vai substituir o anterior diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, António Gandra d`Almeida, que se demitiu depois de uma investigação sobre acumulação de funções incompatíveis.

O anúncio foi feito pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, à margem da inauguração, hoje de manhã, das instalações da Unidade de Saúde do Catujal (ULS São José).

Na sexta-feira, o então diretor executivo do SNS, António Gandra d`Almeida, pediu a demissão das suas funções, pedido que foi aceite de imediato pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

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