Geoparque Açores em 5 minutos

Geossítios | Península do Capelo|28 abr. 2026

A Península do Capelo, situada no setor ocidental da ilha do Faial, corresponde a uma notável cordilheira vulcânica formada por um alinhamento de mais de duas dezenas de pequenos vulcões, na sua maioria cones de escórias, que se desenvolvem desde o bordo oeste da Caldeira do Faial até ao Vulcão dos Capelinhos.

Este alinhamento apresenta uma orientação geral WNW?ESE e resulta de diferentes episódios de atividade vulcânica subaérea, associados a vulcanismo do tipo fissural ? ao longo de fissuras a partir das quais foram emitidos piroclastos e extensas escoadas basálticas que fluíram tanto para norte como para sul.

Entre os elementos mais marcantes deste geossítio destaca-se o Cabeço do Fogo

Erupção Histórica do Cabeço do Fogo 1672/73:
Em setembro de 1671, fizeram-se sentir vários abalos premonitórios, primeiro fracos, mas consequentemente aumentando de intensidade. As populações da Praia do Norte e do Capelo rapidamente abandonaram as suas casas, temendo que caíssem, passando a viver em barracas de palha. A atividade vulcânica iniciou-se no Cabeço então chamado de Rilha-Boi, na madrugada do dia 24 de abril de 1672. A erupção, do tipo estromboliano, caracterizou-se pela alternância de fases efusivas e explosivas. As fases efusivas foram responsáveis pela emissão de escoadas lávicas do tipo pahoehoe e aa , que percorreram as encostas norte e sul da Península do Capelo atingindo o mar. As fases explosivas incluíram a projeção de cinzas (estas atingiram toda a ilha do Faial chegando mesmo à vizinha ilha do Pico), lapilli e bombas vulcânicas que, ao acumular-se, acabaram por formar um cone de escórias, o Cabeço do Fogo.

Este evento eruptivo teve consequências humanas e materiais muito significativas: causou várias vítimas mortais, destruiu 307 casas, deixou cerca de 1200 pessoas desalojadas, inutilizou extensas áreas agrícolas e foi responsável pela emigração de aproximadamente 200 pessoas para o Brasil, marcando profundamente a história e a ocupação do território faialense.

A Península do Capelo integra ainda diversas estruturas vulcânicas como crateras múltiplas ou alongadas, resultantes da atividade fissural, e algares vulcânicos. Entre estes destaca-se a Furna Ruim, um algar com cerca de 55 metros de profundidade, implantado no Cabeço Verde.

A Península do Capelo é considerada um geossítio relevância regional, constituindo um dos mais impressionantes testemunhos da história vulcânica recente da ilha do Faial.

Play - Geoparque Açores em 5 minutos

Duração: 8min

Género: Informação

RTP Antena1 Açores

A Península do Capelo, situada no setor ocidental da ilha do Faial, corresponde a uma notável cordilheira vulcânica formada por um alinhamento de mais de duas dezenas de pequenos vulcões, na sua maioria cones de escórias, que se desenvolvem desde o bordo oeste da Caldeira do Faial até ao Vulcão dos Capelinhos.

Este alinhamento apresenta uma orientação geral WNW?ESE e resulta de diferentes episódios de atividade vulcânica subaérea, associados a vulcanismo do tipo fissural ? ao longo de fissuras a partir das quais foram emitidos piroclastos e extensas escoadas basálticas que fluíram tanto para norte como para sul.

Entre os elementos mais marcantes deste geossítio destaca-se o Cabeço do Fogo

Erupção Histórica do Cabeço do Fogo 1672/73:
Em setembro de 1671, fizeram-se sentir vários abalos premonitórios, primeiro fracos, mas consequentemente aumentando de intensidade. As populações da Praia do Norte e do Capelo rapidamente abandonaram as suas casas, temendo que caíssem, passando a viver em barracas de palha. A atividade vulcânica iniciou-se no Cabeço então chamado de Rilha-Boi, na madrugada do dia 24 de abril de 1672. A erupção, do tipo estromboliano, caracterizou-se pela alternância de fases efusivas e explosivas. As fases efusivas foram responsáveis pela emissão de escoadas lávicas do tipo pahoehoe e aa , que percorreram as encostas norte e sul da Península do Capelo atingindo o mar. As fases explosivas incluíram a projeção de cinzas (estas atingiram toda a ilha do Faial chegando mesmo à vizinha ilha do Pico), lapilli e bombas vulcânicas que, ao acumular-se, acabaram por formar um cone de escórias, o Cabeço do Fogo.

Este evento eruptivo teve consequências humanas e materiais muito significativas: causou várias vítimas mortais, destruiu 307 casas, deixou cerca de 1200 pessoas desalojadas, inutilizou extensas áreas agrícolas e foi responsável pela emigração de aproximadamente 200 pessoas para o Brasil, marcando profundamente a história e a ocupação do território faialense.

A Península do Capelo integra ainda diversas estruturas vulcânicas como crateras múltiplas ou alongadas, resultantes da atividade fissural, e algares vulcânicos. Entre estes destaca-se a Furna Ruim, um algar com cerca de 55 metros de profundidade, implantado no Cabeço Verde.

A Península do Capelo é considerada um geossítio relevância regional, constituindo um dos mais impressionantes testemunhos da história vulcânica recente da ilha do Faial.

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Género: Informação RTP Antena1 Açores

A conservação geológica, a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável do Geoparque Açores. A conservação geológica, a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável do Geoparque Açores.

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Geossítios | Península do Capelo

28 abr. 2026

A Península do Capelo, situada no setor ocidental da ilha do Faial, corresponde a uma notável cordilheira vulcânica formada por um alinhamento de mais de duas dezenas de pequenos vulcões, na sua maioria cones de escórias, que se desenvolvem desde o bordo oeste da Caldeira do Faial até ao Vulcão dos Capelinhos.

Este alinhamento apresenta uma orientação geral WNW?ESE e resulta de diferentes episódios de atividade vulcânica subaérea, associados a vulcanismo do tipo fissural ? ao longo de fissuras a partir das quais foram emitidos piroclastos e extensas escoadas basálticas que fluíram tanto para norte como para sul.

Entre os elementos mais marcantes deste geossítio destaca-se o Cabeço do Fogo

Erupção Histórica do Cabeço do Fogo 1672/73:
Em setembro de 1671, fizeram-se sentir vários abalos premonitórios, primeiro fracos, mas consequentemente aumentando de intensidade. As populações da Praia do Norte e do Capelo rapidamente abandonaram as suas casas, temendo que caíssem, passando a viver em barracas de palha. A atividade vulcânica iniciou-se no Cabeço então chamado de Rilha-Boi, na madrugada do dia 24 de abril de 1672. A erupção, do tipo estromboliano, caracterizou-se pela alternância de fases efusivas e explosivas. As fases efusivas foram responsáveis pela emissão de escoadas lávicas do tipo pahoehoe e aa , que percorreram as encostas norte e sul da Península do Capelo atingindo o mar. As fases explosivas incluíram a projeção de cinzas (estas atingiram toda a ilha do Faial chegando mesmo à vizinha ilha do Pico), lapilli e bombas vulcânicas que, ao acumular-se, acabaram por formar um cone de escórias, o Cabeço do Fogo.

Este evento eruptivo teve consequências humanas e materiais muito significativas: causou várias vítimas mortais, destruiu 307 casas, deixou cerca de 1200 pessoas desalojadas, inutilizou extensas áreas agrícolas e foi responsável pela emigração de aproximadamente 200 pessoas para o Brasil, marcando profundamente a história e a ocupação do território faialense.

A Península do Capelo integra ainda diversas estruturas vulcânicas como crateras múltiplas ou alongadas, resultantes da atividade fissural, e algares vulcânicos. Entre estes destaca-se a Furna Ruim, um algar com cerca de 55 metros de profundidade, implantado no Cabeço Verde.

A Península do Capelo é considerada um geossítio relevância regional, constituindo um dos mais impressionantes testemunhos da história vulcânica recente da ilha do Faial.

Dia Internacional da Mãe Terra | Dia Nacional do Património Geológico

21 abr. 2026

No dia 22 de abril, o planeta ganha voz. Celebra-se o Dia Internacional da Mãe Terra, uma data que convida a parar e refletir sobre a relação entre a Humanidade e o território que a sustenta. Mais do que uma comemoração simbólica, este dia é um poderoso lembrete de que a Terra não é um recurso inesgotável, mas sim um sistema vivo, complexo e frágil, do qual dependem todas as formas de vida.

Associado a esta efeméride, em Portugal assinala-se também o Dia Nacional do Património Geológico,

Grupo Português da ProGEO (Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico) decidiu proclamar 22 de abril como Dia Nacional do Património Geológico. Esta data é uma referência na sensibilização da população para o reconhecimento do valor do Património Geológico como parte integrante do Património Natural e ao mesmo tempo motivar entidades e órgãos de comunicação social para o debate sobre o papel da Geologia na sociedade contemporânea.

O que é o património geológico?

Proteger este património significa preservar a memória da Terra e garantir que as gerações futuras possam aprender, admirar e usufruir de paisagens únicas e irrepetíveis.

Compreender a Terra é o primeiro passo para a proteger.

Associando-se a esta efeméride, o Geoparque Açores, em colaboração com os seus parceiros, promove um conjunto alargado de atividades em várias ilhas, convidando a população a descobrir, conhecer e valorizar o património geológico através da ciência, da educação ambiental e do contacto direto com a natureza.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

14 abr. 2026

No próximo dia 18 de abril assinala-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, instituído em 1982 pelo ICOMOS e reconhecido pela UNESCO no ano seguinte. Esta data convida a refletir sobre a diversidade do património cultural e sobre a importância de o proteger, valorizar e compreender. É também um momento que lembra que cada edifício e cada rua guardam histórias, memórias e materiais que revelam muito mais do que vemos à primeira vista.

Ao longo dos últimos anos, o Açores Geoparque Mundial da UNESCO tem contribuído para esta sensibilização através da rubrica (Geo)Cultura, publicada regularmente no Açoriano Oriental. Nesta série, têm sido apresentadas particularidades do património edificado das cidades e vilas, com especial destaque para as rochas utilizadas na construção dos edifícios - materiais que, muitas vezes, são testemunhos diretos dos vulcões que moldaram o arquipélago. Esta recolha contínua de informação tem enriquecido o conhecimento disponível e revelado novas histórias associadas aos lugares que se habitam.

Deste trabalho nasceram as GEORotas Urbanas, percursos que cruzam património natural e cultural e que têm sido utilizados tanto como recurso educativo para a comunidade escolar como experiência geoturística apelativa para residentes e visitantes.

Deixa-se um convite: Passear pela cidade ou vila com um olhar especial, observar as texturas das paredes, os tons das pedras, os contrastes das fachadas e tudo aquilo que normalmente passa despercebido. E, ao encontrarem algo curioso ou interessante, partilhar. É possível telefonar, enviar um e-mail ou contactar através das redes sociais. Cada partilha ajuda a continuar a construir conhecimento e a valorizar este património que é de todos.

Semana dos Parceiros

07 abr. 2026

A 'Semana dos Parceiros' do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Geológico e Mineiro de Portugal, em 2026, realizou-se entre 23 e 29 de Março.

Nestes dias, abriu-se uma oportunidade rara - descobrir, por dentro, o património mineiro e geológico que moldou o país e a história. Durante uma semana, os Parceiros do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal abriram portas, com atividades únicas distribuídas pelo continente e pela Região Autónoma dos Açores, pensadas para todos os públicos:
- Visitas excecionais a locais de grande relevância geológica e mineira;
- Explorações noturnas em antigas minas;
- Descidas a galerias em laboração, para sentir o pulso da atividade mineira atual;
- Percursos pedestres por paisagens marcadas pela geodiversidade;
- Laboratórios e ateliers pedagógicos para crianças, jovens e família;
- Inaugurações de exposições, tertúlias e conferências.

Com atividades que aproximaram a comunidade da riqueza natural e histórica do território, esta edição evidenciou a importância de continuar a valorizar, preservar e divulgar os recursos geológicos que tornam os Açores um verdadeiro laboratório a céu aberto.

Assim, encerrou-se uma semana dedicada à descoberta, ao envolvimento e ao orgulho num património que é de todos - e que nos desafia a continuar a explorá-lo com respeito, curiosidade e sentido de futuro.

Geoparque Açores - 13 anos

31 mar. 2026

O Geoparque Açores celebra 13 anos de integração nas Redes Europeia e Global de Geoparques. O reconhecimento acorreu a 21 de março de 2013, durante a 12.ª Conferência Europeia de Geoparques, no Geoparque e Parque Nacional de Cilento, Vallo di Diano e Alburni, em Itália.

O Geoparque Açores foi um dos primeiros geoparques arquipelágicos do mundo e o 53.º geoparque europeu a integrar a Rede Global de Geoparques, que atualmente conta com 229 geoparques em 50 países.

Esta data assinala mais de uma década de dedicação à proteção e à valorização do património geológico dos Açores, em que a geoconservação, a geoeducação e o geoturismo foram o motor de desenvolvimento sustentável e da valorização do território.

Foram 13 anos de programas educativos, ações de capacitação e atividades que promoveram a ligação entre as comunidades e o território, e cultivaram a resiliência face aos riscos geológicos e às alterações climáticas.

Foram também 13 anos em que a geodiversidade e o património geológico incentivaram a criação de serviços e produtos que valorizaram o nosso território - mas igualmente 13 anos de desafios, que fortaleceram o Geoparque Açores e o afirmaram nas redes como uma referência.

Rede Europeia de Geoparques

24 mar. 2026

O Geoparque Açores participou na 53.ª Reunião do Comité de Coordenação da Rede Europeia de Geoparques realizada no Geoparque Karavanke-Karawanken (um geoparque transfronteiriço que inclui as montanhas Karavanke na Eslovénia e Áustria). Este encontro reuniu representantes de todos os Geoparques Mundiais da UNESCO na Europa e é um momento central para o acompanhamento dos trabalhos da rede e para a definição das orientações estratégicas que enquadram o funcionamento dos geoparques a nível europeu.

A participação do Geoparque Açores é muito importante e permite assegurar a representação formal do território no contexto da Rede Europeia, participar nas sessões de trabalho do Comité de Coordenação e nas reuniões técnicas dedicadas à gestão, geoconservação, educação, turismo sustentável e comunicação. Durante esta reunião definem-se também ações a desenvolver no âmbito dos diferentes grupos de trabalho que existem na rede europeia. O Geoparque Açores tem um papel importante no grupo de trabalho de geoparques em áreas vulcânicas, cujo catalisador é o Prof. João Carlos Nunes. Nesta reunião será lançado um livro dedicado às lendas de cada território, que têm origem de alguma forma em elementos da geodiversidade.

Na reunião discutiram-se ainda as metodologias de avaliação e processos de monitorização face às prioridades definidas pela UNESCO para os geoparques nos próximos anos. Para além das sessões plenárias, foram também realizadas sessões de apresentação de projetos europeus, onde foi possível reforçar contactos, identificar oportunidades de cooperação e partilhar experiências com outros territórios.

A participação nestes encontros é fundamental para garantir o cumprimento dos requisitos dos Geoparques Mundiais da UNESCO, assegurando que o Geoparque Açores se mantém alinhado com as orientações internacionais e com a dinâmica de evolução da rede. Contribui também para reforçar a visibilidade externa do arquipélago, fortalecer parcerias, acompanhar tendências e metodologias atualizadas, e consolidar o papel do Geoparque Açores enquanto território ativo, colaborativo e comprometido com a geoconservação e o desenvolvimento sustentável.

Festival das Reservas da Biosfera

17 mar. 2026

O Festival das Reservas da Biosfera de Portugal regressou com a sua quarta edição, celebrando a riqueza natural, cultural e humana dos territórios classificados pela UNESCO. Este ano, o grande palco do festival foi a ilha do Corvo, que recebeu um vasto conjunto de atividades dedicadas à conservação, sustentabilidade e valorização das Reservas da Biosfera. A iniciativa destaca o compromisso contínuo destas regiões em promover o equilíbrio entre as comunidades locais e o património natural que as distingue.

A par do evento principal, as Reservas da Biosfera da Graciosa, Flores e Fajãs de São Jorge juntaram-se a esta comemoração através de 'eventos espelho', reforçando a união e o trabalho em rede entre os diferentes territórios dos Açores reconhecidos através do programa MaB da UNESCO.

A programação reúne especialistas, técnicos, autoridades e a comunidade, promovendo debates, apresentações e momentos de partilha sobre temas como energias renováveis, geoconservação, gestão de habitats, bem-estar e desafios das mudanças globais. As sessões contam com a participação de várias entidades regionais e nacionais ligadas ao Programa MaB da UNESCO.

Altares Valoriza o Património Geológico

10 mar. 2026

A Junta de Freguesia dos Altares, na ilha Terceira, em parceria com o Geoparque Açores, promoveu no final do mês de fevereiro 'Vulcões: o Belo e o Horrível', uma iniciativa do Clube da Biblioteca dos Altares, que contou com 22 crianças e jovens. A atividade foi dedicada à descoberta das duas dimensões do vulcanismo: a beleza do património geológico e o potencial destrutivo das erupções.

Parceira do Geoparque Açores desde 2020, a junta de freguesia reforçou, com esta ação, o seu compromisso com a valorização da geodiversidade local e com o envolvimento da comunidade mais jovem na compreensão da identidade vulcânica do território. Ao longo da atividade, as crianças foram desafiadas a olhar para os elementos geológicos da sua freguesia, como parte integrante da sua história e da identidade local. O Pico Matias Simão e o Pico Rachado estiveram no centro da conversa, simbolizando 'o belo': a herança natural que molda a paisagem, inspira curiosidade e reforça o sentimento de pertença face ao território. Mas o vulcanismo não existe apenas na sua face encantadora, e a iniciativa quis também mostrar 'o horrível': os riscos associados às erupções e a forma como as comunidades devem agir perante um fenómeno deste tipo. Falou-se do impacto das erupções vulcânicas, da importância da preparação e, sobretudo, do papel fundamental do núcleo local de proteção civil, cuja ação preventiva e formativa é essencial.

A componente prática da atividade foi um dos momentos mais entusiasmantes para os participantes. As crianças construíram o seu próprio vulcão em massa de modelar e realizaram uma 'erupção efusiva', recriando de forma lúdica e segura o comportamento típico deste tipo de erupção. Entre espuma, cor e descoberta, aprenderam como a ciência pode ser fascinante quando ganha forma nas próprias mãos. A iniciativa terminou com muitas perguntas e a certeza de que compreender o território é o primeiro passo para o respeitar, proteger e valorizar.

A Junta de Freguesia dos Altares e o Geoparque Açores reforçam, assim, uma parceria ativa que continua a aproximar os mais jovens do património geológico e da realidade única em que vivem, promovendo conhecimento, identidade e responsabilidade.

Carta Europeia de Turismo Sustentável

03 mar. 2026

A Carta Europeia de Turismo Sustentável (CETS) é uma iniciativa da Federação EUROPARC que promove o desenvolvimento de um turismo sustentável em Áreas Protegidas e Classificadas da Europa, através de um compromisso voluntário entre entidades públicas, gestores de áreas protegidas, empresas turísticas e comunidades locais, e que pretende compatibilizar conservação, bem-estar da população e qualidade da experiência turística.

Em Portugal, vários territórios já foram galardoados com esta distinção: Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, Montanhas Mágicas (Montemuro, Arada, Gralheira e Geoparque Arouca), Parque Nacional da Peneda-Gerês, Terras do Lince (incluído no território do geoparque naturtejo) e Terras do Priolo.

O priolo é uma espécie de ave endémica da ilha de São Miguel, mais especificamente da zona montanhosa localizada a leste desta ilha, que abrange os concelhos do Nordeste e da Povoação. Vive predominantemente na Serra da Tronqueira e no Pico da Vara, na parte leste da ilha de São Miguel. Alimenta-se basicamente da flora (flores) da floresta laurissilva.

Um dos grandes motivos da sua quase extinção foi, além da destruição do habitat natural, a perseguição que lhe foi movida no século XIX durante o ciclo da laranja, justamente pela grande destruição que fazia nas flores das laranjeiras.

Nos Açores, as Terras do Priolo (que incluem os concelhos do Nordeste e Povoação, na ilha de São Miguel) aderiram à Carta Europeia de Turismo Sustentável em 2012, reconhecendo o trabalho desenvolvido para garantir a sustentabilidade, alinhando com a conservação da natureza e o respeito pela identidade local. Este território integra múltiplos geossítios do Geoparque Açores: Caldeira do Vulcão das Furnas, Pico da Vara e Planalto dos Graminhais, Caldeira da Povoação, Salto da Farinha, Vale da Ribeira Quente e o Vale da Ribeira do Faial da Terra.




Bolsa de Turismo de Lisboa

24 fev. 2026

A promoção dos territórios enquanto destinos turísticos sustentáveis e centrados na valorização das comunidades locais permanece uma das principais missões dos Geoparques Mundiais da UNESCO. Nesse sentido, o Geoparque Açores marcará novamente presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que decorrerá entre os dias 25 de fevereiro e 1 de março, reforçando o compromisso com a divulgação da identidade geológica, natural e cultural do arquipélago.

Integrado no stand dos Geoparques Portugueses, o Geoparque Açores participará numa representação conjunta que reúne todos os Geoparques Mundiais da UNESCO em Portugal - Naturtejo, Arouca, Açores, Terras de Cavaleiros, Oeste e Estrela - assim como os dois territórios atualmente aspirantes a Geoparque Mundial da UNESCO: Litoral de Viana do Castelo e Algarvensis. Esta presença coletiva reforça o posicionamento dos geoparques nacionais enquanto destinos de excelência e de sustentabilidade, promovendo a identidade natural e cultural dos territórios e valorizando as parcerias no desenvolvimento de serviços e produtos identitários do território.

Durante o evento, o Geoparque Açores dará destaque ao trabalho desenvolvido com os seus parceiros e à importância crescente dos geoprodutos como ferramentas de valorização económica e cultural das comunidades locais. A participação na BTL constitui também uma oportunidade para consolidar a Rede de Parceiros do Geoparque Açores e o estabelecimento de novas colaborações estratégicas alinhadas com o desenvolvimento sustentável do território.

Terá lugar uma sessão de discussão pública dedicada ao tema '9 Ilhas - 1 Geopark: Uma Estratégia Integrada para o Turismo Sustentável dos Açores', que reunirá responsáveis nas áreas do turismo e do ambiente. Foram ainda convidados a participar os associados da GEOAÇORES e a associação de municípios, reforçando a importância de uma visão conjunta e integrada para o futuro sustentável do destino Açores enquanto destino UNESCO.

A participação do Geoparque Açores na BTL 2025 reafirma o seu papel enquanto agente ativo na promoção de um turismo responsável, focado no bem-estar das comunidades e na preservação da autenticidade dos territórios.

Crise de 1964 em São Jorge

17 fev. 2026

Em fevereiro, a memória açoriana recua inevitavelmente a 1964, quando em São Jorge a terra tremeu.

A formação de São Jorge associa-se exclusivamente a vulcanismo basáltico fissural, ou seja, a ilha não apresenta nenhum grande edifício vulcânico central, em vez disso, apresenta-se como uma extensa cordilheira vulcânica, que é composta por cerca de 350 pequenos vulcões - a sua maioria cones de escórias. Estes pequenos vulcões surgiram alinhados ao longo de um conjunto de falhas e fraturas que existem na crosta terrestre - daí a forma estreita e alongada da ilha. O vulcanismo que edificou a ilha de São Jorge incluiu também episódios de atividade vulcânica submarina, e que levaram à formação dos cones de tufos surtseianos do Morro Grande de Velas e do Morro de Lemos.

Em tempos históricos, desde o povoamento, sabe-se da ocorrência de duas erupções em terra - a de 1580 e a de 1808.

A erupção de 1580 deu origem a escoadas de lava basáltica emitidas em três focos principais, junto da Ribeira do Almeida, na Queimada (a sul de Santo Amaro) e entre a Ribeira do Nabo e a praia das Cruzes (a oeste da Urzelina).

E a de 1808, conhecida como o Mistério da Urzelina, os produtos vulcânicos foram emitidos das Bocas de Fogo (ou Caldeirinhas), um conjunto de crateras localizado na cordilheira vulcânica central da ilha e movimentaram-se para sul ao longo das encostas, tendo atingido o mar na zona da Urzelina.

Entre agosto de 1963 e fevereiro de 1964, a ilha de São Jorge enfrentou uma intensa crise sísmica. Após pequenos sismos sentidos em várias ilhas, a atividade intensificou-se de forma abrupta a 15 de fevereiro de 1964, com centenas de abalos diários, inicialmente concentrados entre Urzelina, Manadas e Pico da Esperança, e deslocando-se depois para a zona dos Rosais. Os sismos causaram estragos significativos, destruindo grande parte das casas nos Rosais e nas Velas e danificando mais de 900 habitações. Durante este período foram também registados cheiros sulfurosos e observada uma mancha esbranquiçada no mar, sugerindo uma possível erupção submarina.

A crise teve antecedentes claros. Em 13 de dezembro de 1963, os sismógrafos do Observatório de Horta registaram um tremor de terra vulcânico contínuo, que persistiu até janeiro de 1964 e que foi inicialmente associado ao vulcão dos Capelinhos. A 29 de janeiro e 1 de fevereiro, dois cabos submarinos que atravessavam o canal de São Jorge romperam por tração, o que reforçou a suspeita de instabilidade tectónica e vulcânica na região.

No dia 14 de fevereiro, foram sentidos novos tremores vulcânicos, imediatamente antes do início da fase mais intensa da crise, que teve início a 15 de fevereiro pelas 07h00. Nesse dia foram sentidos 179 sismos, seguindo-se 125 no dia 16, e diminuindo gradualmente a partir daí. Os cheiros a enxofre entre 18 e 20 de fevereiro nas Velas e, posteriormente, nos Rosais, Beira, Santo Amaro e Norte Grande reforçaram a hipótese de atividade vulcânica submarina não visível devido ao estado do mar. Acrescenta-se o facto de a tripulação de uma embarcação que atravessou o canal durante uma forte tempestade ter relatado a presença de uma grande mancha esbranquiçada na superfície do mar, possível indício do local desta erupção submarina (Zbyzewski et al., 1977).

Hoje, ao recordar a crise sísmica de 1964, não se assinala apenas um acontecimento geológico, celebra-se também a capacidade das comunidades em enfrentar o medo, reconstruir o que perdeu e continuar a viver entre vulcões, falésias e fajãs - numa ilha cuja identidade está profundamente entrelaçada com a sua história geológica.

Geminação do Geoparque Açores com Geoparque Aso no Japão

10 fev. 2026

Aso Unesco Global Geopark, no Japão, e o Geoparque Açores, realizaram uma reunião de trabalho que conduzirá à geminação dos dois territórios unidos pela identidade vulcânica que os caracteriza. Uma oportunidade enriquecedora para ambos os territórios que foi partilhada com os parceiros do Aso UNESCO Global Geopark.

A geminação entre estes dois geoparques, reconhecidos pela UNESCO como instrumentos para o desenvolvimento sustentável, permitirá ainda fortalecer as ligações entre comunidades que vivem diariamente com os riscos geológicos.

Mais do que um acordo formal, é uma celebração da capacidade de transformar paisagens desafiantes em territórios de conhecimento, resiliência e identidade.

A cooperação entre o Geoparque de Aso e o Geoparque Açores demonstra que a geodiversidade pode aproximar regiões distantes e inspirar novas formas de proteger, valorizar e compreender o planeta que habitamos.

908018

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