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Geossítios | Península do Capelo|28 abr. 2026
A Península do Capelo, situada no setor ocidental da ilha do Faial, corresponde a uma notável cordilheira vulcânica formada por um alinhamento de mais de duas dezenas de pequenos vulcões, na sua maioria cones de escórias, que se desenvolvem desde o bordo oeste da Caldeira do Faial até ao Vulcão dos Capelinhos.
Este alinhamento apresenta uma orientação geral WNW?ESE e resulta de diferentes episódios de atividade vulcânica subaérea, associados a vulcanismo do tipo fissural ? ao longo de fissuras a partir das quais foram emitidos piroclastos e extensas escoadas basálticas que fluíram tanto para norte como para sul.
Entre os elementos mais marcantes deste geossítio destaca-se o Cabeço do Fogo
Erupção Histórica do Cabeço do Fogo 1672/73:
Em setembro de 1671, fizeram-se sentir vários abalos premonitórios, primeiro fracos, mas consequentemente aumentando de intensidade. As populações da Praia do Norte e do Capelo rapidamente abandonaram as suas casas, temendo que caíssem, passando a viver em barracas de palha. A atividade vulcânica iniciou-se no Cabeço então chamado de Rilha-Boi, na madrugada do dia 24 de abril de 1672. A erupção, do tipo estromboliano, caracterizou-se pela alternância de fases efusivas e explosivas. As fases efusivas foram responsáveis pela emissão de escoadas lávicas do tipo pahoehoe e aa , que percorreram as encostas norte e sul da Península do Capelo atingindo o mar. As fases explosivas incluíram a projeção de cinzas (estas atingiram toda a ilha do Faial chegando mesmo à vizinha ilha do Pico), lapilli e bombas vulcânicas que, ao acumular-se, acabaram por formar um cone de escórias, o Cabeço do Fogo.
Este evento eruptivo teve consequências humanas e materiais muito significativas: causou várias vítimas mortais, destruiu 307 casas, deixou cerca de 1200 pessoas desalojadas, inutilizou extensas áreas agrícolas e foi responsável pela emigração de aproximadamente 200 pessoas para o Brasil, marcando profundamente a história e a ocupação do território faialense.
A Península do Capelo integra ainda diversas estruturas vulcânicas como crateras múltiplas ou alongadas, resultantes da atividade fissural, e algares vulcânicos. Entre estes destaca-se a Furna Ruim, um algar com cerca de 55 metros de profundidade, implantado no Cabeço Verde.
A Península do Capelo é considerada um geossítio relevância regional, constituindo um dos mais impressionantes testemunhos da história vulcânica recente da ilha do Faial.