Geoparque Açores em 5 minutos

Geossítios | Península do Capelo|28 abr. 2026

A Península do Capelo, situada no setor ocidental da ilha do Faial, corresponde a uma notável cordilheira vulcânica formada por um alinhamento de mais de duas dezenas de pequenos vulcões, na sua maioria cones de escórias, que se desenvolvem desde o bordo oeste da Caldeira do Faial até ao Vulcão dos Capelinhos.

Este alinhamento apresenta uma orientação geral WNW?ESE e resulta de diferentes episódios de atividade vulcânica subaérea, associados a vulcanismo do tipo fissural ? ao longo de fissuras a partir das quais foram emitidos piroclastos e extensas escoadas basálticas que fluíram tanto para norte como para sul.

Entre os elementos mais marcantes deste geossítio destaca-se o Cabeço do Fogo

Erupção Histórica do Cabeço do Fogo 1672/73:
Em setembro de 1671, fizeram-se sentir vários abalos premonitórios, primeiro fracos, mas consequentemente aumentando de intensidade. As populações da Praia do Norte e do Capelo rapidamente abandonaram as suas casas, temendo que caíssem, passando a viver em barracas de palha. A atividade vulcânica iniciou-se no Cabeço então chamado de Rilha-Boi, na madrugada do dia 24 de abril de 1672. A erupção, do tipo estromboliano, caracterizou-se pela alternância de fases efusivas e explosivas. As fases efusivas foram responsáveis pela emissão de escoadas lávicas do tipo pahoehoe e aa , que percorreram as encostas norte e sul da Península do Capelo atingindo o mar. As fases explosivas incluíram a projeção de cinzas (estas atingiram toda a ilha do Faial chegando mesmo à vizinha ilha do Pico), lapilli e bombas vulcânicas que, ao acumular-se, acabaram por formar um cone de escórias, o Cabeço do Fogo.

Este evento eruptivo teve consequências humanas e materiais muito significativas: causou várias vítimas mortais, destruiu 307 casas, deixou cerca de 1200 pessoas desalojadas, inutilizou extensas áreas agrícolas e foi responsável pela emigração de aproximadamente 200 pessoas para o Brasil, marcando profundamente a história e a ocupação do território faialense.

A Península do Capelo integra ainda diversas estruturas vulcânicas como crateras múltiplas ou alongadas, resultantes da atividade fissural, e algares vulcânicos. Entre estes destaca-se a Furna Ruim, um algar com cerca de 55 metros de profundidade, implantado no Cabeço Verde.

A Península do Capelo é considerada um geossítio relevância regional, constituindo um dos mais impressionantes testemunhos da história vulcânica recente da ilha do Faial.

Play - Geoparque Açores em 5 minutos

Duração: 8min

Género: Informação

RTP Antena1 Açores

A Península do Capelo, situada no setor ocidental da ilha do Faial, corresponde a uma notável cordilheira vulcânica formada por um alinhamento de mais de duas dezenas de pequenos vulcões, na sua maioria cones de escórias, que se desenvolvem desde o bordo oeste da Caldeira do Faial até ao Vulcão dos Capelinhos.

Este alinhamento apresenta uma orientação geral WNW?ESE e resulta de diferentes episódios de atividade vulcânica subaérea, associados a vulcanismo do tipo fissural ? ao longo de fissuras a partir das quais foram emitidos piroclastos e extensas escoadas basálticas que fluíram tanto para norte como para sul.

Entre os elementos mais marcantes deste geossítio destaca-se o Cabeço do Fogo

Erupção Histórica do Cabeço do Fogo 1672/73:
Em setembro de 1671, fizeram-se sentir vários abalos premonitórios, primeiro fracos, mas consequentemente aumentando de intensidade. As populações da Praia do Norte e do Capelo rapidamente abandonaram as suas casas, temendo que caíssem, passando a viver em barracas de palha. A atividade vulcânica iniciou-se no Cabeço então chamado de Rilha-Boi, na madrugada do dia 24 de abril de 1672. A erupção, do tipo estromboliano, caracterizou-se pela alternância de fases efusivas e explosivas. As fases efusivas foram responsáveis pela emissão de escoadas lávicas do tipo pahoehoe e aa , que percorreram as encostas norte e sul da Península do Capelo atingindo o mar. As fases explosivas incluíram a projeção de cinzas (estas atingiram toda a ilha do Faial chegando mesmo à vizinha ilha do Pico), lapilli e bombas vulcânicas que, ao acumular-se, acabaram por formar um cone de escórias, o Cabeço do Fogo.

Este evento eruptivo teve consequências humanas e materiais muito significativas: causou várias vítimas mortais, destruiu 307 casas, deixou cerca de 1200 pessoas desalojadas, inutilizou extensas áreas agrícolas e foi responsável pela emigração de aproximadamente 200 pessoas para o Brasil, marcando profundamente a história e a ocupação do território faialense.

A Península do Capelo integra ainda diversas estruturas vulcânicas como crateras múltiplas ou alongadas, resultantes da atividade fissural, e algares vulcânicos. Entre estes destaca-se a Furna Ruim, um algar com cerca de 55 metros de profundidade, implantado no Cabeço Verde.

A Península do Capelo é considerada um geossítio relevância regional, constituindo um dos mais impressionantes testemunhos da história vulcânica recente da ilha do Faial.

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Género: Informação RTP Antena1 Açores

A conservação geológica, a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável do Geoparque Açores. A conservação geológica, a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável do Geoparque Açores.

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Património Cultura e Geodiversidade | Sugestão

16 jun. 2026

Por esta altura, costumamos sugerir que visitem e descubram os geossítios do Açores Geoparque Mundial da UNESCO. Este ano, além das visitas aos geossítios, sugerimos aos açorianos que olhem para as suas freguesias, vilas e cidades, para as suas festas e tradições - com um olhar diferente.

Em algumas paisagens açorianas coexistem aspetos geológicos e culturais com elevado valor patrimonial, entre os quais se incluem as paisagens vínicas, os campos agrícolas com rendilhado de muros de pedra seca, os maroiços e os paredões...

A arquitetura típica do arquipélago reflete igualmente a geodiversidade açoriana, uma vez que vários edifícios antigos apresentam diferentes rochas ornamentais e estilos arquitetónicos - como fortificações militares, solares, mosteiros e igrejas - relacionando-se diretamente com os recursos disponíveis.

Existem ainda ruínas de antigas construções que perpetuam a memória de fenómenos geológicos, como erupções e sismos: Fontanário da Ribeira Seca, São Miguel ? erupção de 1563; ruínas da igreja da Urzelina, São Jorge - erupção de 1808; ruínas do farol e casas dos baleeiros dos Capelinhos - erupção de 1957/58; ruínas do farol da Ribeirinha - sismo de 1998.

Algumas destas paisagens culturais integram a lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO:
- o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, classificado em 1983, por ter sido um porto de escala obrigatório aquando dos Descobrimentos Marítimos, entre os séculos XV e XIX. As suas imponentes fortificações de São Sebastião e de São João Baptista, construídas há mais de 400 anos, são um exemplo único de arquitetura militar;
- a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, classificada em 2004, por ser um exemplo notável que ilustra uma resposta única dos primeiros colonos no século XV que através da vinicultura transformaram uma paisagem rochosa e aparentemente improdutiva, num mosaico de pequenos talhões cintados de muros de pedra, testemunho do trabalho de gerações de pequenos agricultores que, num ambiente hostil, conseguiram criar um modo de vida e um vinho de grande qualidade.

Reconhecendo a importância do Património Arqueológico Subaquático, a baía de Angra do Heroísmo está classificada como Parque Arqueológico Subaquático. Esta iniciativa tem como intuito divulgar, sensibilizar e possibilitar a partilha desta herança com a comunidade local, seus visitantes e especialistas em arqueologia náutica e subaquática.

O arquipélago possui, também, um rico património imaterial, representado pelo seu Folclore e Etnografia, distintos nas diversas ilhas.

Dia dos Vulcões

02 jun. 2026

No dia 1 de junho, além do dia da Criança, assinala-se também o Volcano Day ou Dia dos Vulcões, uma iniciativa promovida no âmbito do Grupo de Trabalho dos Geoparques em Áreas Vulcânicas da Rede Europeia de Geoparques, e que se enquadra na Semana Europeia de Geoparques.

Este grupo de trabalho reúne geoparques localizados em territórios vulcânicos ativos ou com forte herança vulcânica. O seu principal objetivo é partilhar conhecimento e boas práticas no que diz respeito à interpretação do património geológico, à educação das comunidades e visitantes e à mitigação de riscos associados à atividade vulcânica.

Hoje, ao celebrarmos o Volcano Day, celebramos também os nossos vulcões enquanto elemento central da identidade açoriana. É uma oportunidade para olhar para estas paisagens sob duas perspetivas complementares: por um lado, a sua face bela, enquanto origem de paisagens únicas, de elevada geodiversidade e biodiversidade e de um património cultural profundamente moldado pela identidade vulcânica; por outro, a sua face mais desafiante/horrível, associada aos riscos geológicos que fazem parte da realidade destes territórios.

Neste contexto, estão previstas atividades em todas as ilhas, reforçando a proximidade às comunidades e promovendo o conhecimento do património geológico. Em algumas ilhas, o Açores Geoparque associa-se também aos municípios para assinalar o Dia da Criança, promovendo atividades dedicadas aos mais novos, com enfoque nos vulcões e na compreensão dos fenómenos naturais de forma acessível e educativa.

Na ilha Terceira, em parceria com a Direção Regional do Turismo, será realizada uma ação de validação no terreno da Rota dos Vulcões, recentemente revista, contribuindo para a qualificação da oferta e para a valorização de um dos principais produtos turísticos associados ao território.

Em suma, o Volcano Day constitui uma oportunidade para celebrar, compreender e valorizar os territórios vulcânicos, reconhecendo simultaneamente a sua beleza e os desafios que colocam, e reforçando o seu papel na educação, no desenvolvimento sustentável e na afirmação dos geoparques enquanto territórios de conhecimento e identidade.

Semana Europeia de Geoparques

26 mai. 2026

A Semana Europeia de Geoparques, conhecida como EGN Week, constitui uma das principais iniciativas promovidas pela Rede Europeia de Geoparques. Trata-se de um evento anual, celebrado em simultâneo em todos os Geoparques Mundiais da UNESCO da Europa, normalmente entre o final do mês de maio e o início de junho.

A edição de 2026 decorre entre os dias 24 de maio e 7 de junho, mantendo este espírito de celebração partilhada à escala europeia.

Esta iniciativa assume-se como uma verdadeira celebração dos geoparques enquanto territórios vivos, onde a conservação do património geológico se
articula com a valorização da biodiversidade, da cultura e das comunidades locais. O seu principal objetivo é sensibilizar o público para a importância dos geoparques no desenvolvimento sustentável dos territórios.

Ao longo desta semana, os geoparques europeus organizam um conjunto diversificado de atividades dirigidas a diferentes públicos, desde a comunidade escolar até ao público em geral. Entre as iniciativas previstas destacam-se visitas guiadas a geossítios, caminhadas interpretativas, workshops, exposições, palestras, atividades educativas, ações de sensibilização ambiental e eventos culturais.

Mais do que a soma de atividades, a Semana Europeia de Geoparques representa também um momento de articulação e visibilidade conjunta, em que todos os geoparques da rede promovem, em simultâneo, os seus territórios. Esta dimensão reforça o sentimento de pertença a uma rede europeia, evidenciando que cada geoparque integra uma estratégia comum.

No âmbito da edição de 2026, o Geoparque Açores dinamiza um programa diversificado de atividades distribuídas por várias ilhas do arquipélago, envolvendo diferentes parceiros institucionais, científicos e educativos.

Destacam-se iniciativas focadas na valorização do património geológico açoriano, em particular na relação entre geodiversidade e património cultural, como é o caso da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico. Estão igualmente previstas atividades inclusivas dirigidas a públicos específicos, ações relacionadas com a educação ambiental, experiências imersivas com recurso a tecnologias como realidade virtual e eventos que cruzam ciência, cultura e território.

A programação integra parcerias com municípios, centros de ciência, museus e entidades regionais, reforçando a dimensão colaborativa do Açores Geoparque Mundial da UNESCO.

Em suma, a Semana Europeia de Geoparques é uma oportunidade privilegiada para aproximar o público dos territórios, fomentar o conhecimento e reforçar o compromisso coletivo com a preservação do património natural e cultural, promovendo simultaneamente desenvolvimento, educação e identidade.

Concurso de Fotografia dos Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP

19 mai. 2026

O I Concurso de Fotografia dos Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP procurou valorizar e dar visibilidade à extraordinária riqueza natural, cultural e humana dos territórios que integram esta rede.

A concurso estiveram fotografias captadas nos treze Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP, localizados em Portugal - Naturtejo, Arouca, Açores, Terras de Cavaleiros, Estrela, Oeste e Algarvensis -, e no Brasil - Araripe, Caminhos dos Cânions do Sul, Seridó, Caçapava, Quarta Colónia e Uberaba. Este conjunto de territórios representa uma enorme diversidade paisagística, ecológica e cultural no espaço da CPLP.

Relativamente aos resultados, destaca-se o desempenho do Açores Geoparque Mundial da UNESCO. Na categoria de geodiversidade, o primeiro lugar foi atribuído à fotografia 'Trilhos ? Grota do Inferno, São Miguel', da autoria de Miguel Vicente. Trata-se de uma imagem captada no miradouro da Grota do Inferno, sobre a caldeira do Vulcão das Sete Cidades, ao pôr do sol, que evidencia de forma notável a imponência e beleza da paisagem vulcânica açoriana.

Também na categoria de biodiversidade, os Açores voltam a estar em destaque com a atribuição do segundo lugar à fotografia 'Fantasma nos Açores', de Anxo Cao, captada na ilha de São Miguel, refletindo a singularidade dos ecossistemas do arquipélago e a sua capacidade de inspirar olhares criativos e diferenciadores.

Este concurso foi mais do que uma competição fotográfica. Foi uma celebração da identidade dos geoparques, evidenciando a ligação entre património natural, cultura e comunidades. E, neste contexto, os Açores afirmam-se como um território de particular destaque, não só pelo reconhecimento alcançado, mas também pela sua capacidade de inspirar e representar, de forma única, os valores desta rede.

Novo Parceiro | Materramenta

12 mai. 2026

No passado dia 5 de maio, André Castro, presidente da GEOAÇORES, e Luís Vasco Cunha, proprietário da Materramenta, assinaram o protocolo que formaliza a parceria entre o Açores Geoparque Mundial da UNESCO e a Adega Materramenta, representando um importante reforço na valorização do território, aliando património geológico, cultura e produção local.

Sediada nos Biscoitos, na ilha Terceira, a Adega Materramenta afirma-se como um projeto que conjuga a produção vitivinícola com assinatura vulcânica, alojamento local e serviços de enoturismo, proporcionando experiências autênticas e diferenciadoras aos visitantes.

A formalização da parceria entre o Açores Geoparque Mundial da UNESCO e a Adega Materramenta representa um importante reforço na valorização do território, aliando património geológico, cultura e produção local. Sediada nos Biscoitos, na ilha Terceira, a Adega Materramenta afirma-se como um projeto que conjuga a produção vitivinícola com assinatura vulcânica, alojamento local e serviços de enoturismo, proporcionando experiências autênticas e diferenciadoras aos visitantes.

No âmbito desta colaboração, todos os vinhos atualmente produzidos pela Materramenta passam a integrar a lista de GEOProdutos do Geoparque Açores.

Esta integração reflete o compromisso com práticas sustentáveis, a valorização do património natural e a promoção da identidade açoriana.

Destaca-se, neste contexto, um projeto particularmente inovador: um vinho em estágio no Algar do Carvão. Este geossítio de relevância internacional oferece condições naturais únicas, caracterizadas pela ausência de luz, temperatura estável e elevada humidade, fatores reconhecidos como potenciadores de processos de envelhecimento diferenciados em ambientes subterrâneos. O resultado será um produto singular, profundamente ligado ao território e à sua geodiversidade.

Esta parceria reforça o papel da Materramenta enquanto agente ativo na dinamização do território, contribuindo para a diversificação da oferta turística e para a criação de produtos de elevado valor acrescentado. A integração deste novo parceiro consolida a estratégia do Geoparque Açores na criação de sinergias, valorizando o património geológico como motor de desenvolvimento sustentável.

Geossítios | Fajãs do Ouvidor e da Ribeira da Areia

05 mai. 2026

As Fajãs do Ouvidor e da Ribeira da Areia, localizadas na costa norte da ilha de São Jorge, constituem um importante geossítio do Geoparque Açores.

Em conjunto com a Fajã das Pontas, são as únicas fajãs lávicas da costa norte da ilha, onde predominam as fajãs detríticas.

A Fajã do Ouvidor está associada a escoadas lávicas emitidas pelo Pico Areeiro, um cone vulcânico implantado na cordilheira central, localizado a cerca de três quilómetros de distância, formado há aproximadamente 2530 anos. Trata-se de uma das maiores fajãs lávicas da ilha, dotada de um bom porto de mar - considerado o melhor da costa norte -, que apoia embarcações de recreio e de pesca. A fajã é também um tradicional local de banhos, apresentando várias poças e piscinas naturais, entre as quais se destaca a Poça Simão Dias, a maior e mais conhecida.

A Fajã do Ouvidor exibe disjunções prismáticas nas suas arribas, assim como diversas grutas litorais, sendo a mais extensa a Furna do Lobo, com mais de 50 metros de comprimento. Observam-se ainda, nas duas fajãs, arcos lávicos.

Este conjunto de características confere às Fajãs do Ouvidor e da Ribeira da Areia um elevado valor científico, educativo e geoturístico, sendo classificadas como geossítio do Geoparque Açores, com relevância regional.

Inserida na Fajã do Ouvidor, a Poça Simão Dias destaca-se como uma das piscinas naturais mais emblemáticas da ilha de São Jorge, considerada por muitos um verdadeiro paraíso natural. A sua singularidade geológica resulta da presença de impressionantes formações basálticas com disjunções colunares ou prismáticas, constituídas por grandes colunas verticais de basalto. Estas estruturas formam-se devido às contrações ocorridas durante o arrefecimento e solidificação da lava, preservando testemunhos de excecional interesse científico.

Com o objetivo de assegurar a proteção dos valores naturais, a manutenção da sua integridade e da respetiva área envolvente, a Poça Simão Dias foi oficialmente classificada como Monumento Natural de Interesse Municipal.

Geossítios | Península do Capelo

28 abr. 2026

A Península do Capelo, situada no setor ocidental da ilha do Faial, corresponde a uma notável cordilheira vulcânica formada por um alinhamento de mais de duas dezenas de pequenos vulcões, na sua maioria cones de escórias, que se desenvolvem desde o bordo oeste da Caldeira do Faial até ao Vulcão dos Capelinhos.

Este alinhamento apresenta uma orientação geral WNW?ESE e resulta de diferentes episódios de atividade vulcânica subaérea, associados a vulcanismo do tipo fissural ? ao longo de fissuras a partir das quais foram emitidos piroclastos e extensas escoadas basálticas que fluíram tanto para norte como para sul.

Entre os elementos mais marcantes deste geossítio destaca-se o Cabeço do Fogo

Erupção Histórica do Cabeço do Fogo 1672/73:
Em setembro de 1671, fizeram-se sentir vários abalos premonitórios, primeiro fracos, mas consequentemente aumentando de intensidade. As populações da Praia do Norte e do Capelo rapidamente abandonaram as suas casas, temendo que caíssem, passando a viver em barracas de palha. A atividade vulcânica iniciou-se no Cabeço então chamado de Rilha-Boi, na madrugada do dia 24 de abril de 1672. A erupção, do tipo estromboliano, caracterizou-se pela alternância de fases efusivas e explosivas. As fases efusivas foram responsáveis pela emissão de escoadas lávicas do tipo pahoehoe e aa , que percorreram as encostas norte e sul da Península do Capelo atingindo o mar. As fases explosivas incluíram a projeção de cinzas (estas atingiram toda a ilha do Faial chegando mesmo à vizinha ilha do Pico), lapilli e bombas vulcânicas que, ao acumular-se, acabaram por formar um cone de escórias, o Cabeço do Fogo.

Este evento eruptivo teve consequências humanas e materiais muito significativas: causou várias vítimas mortais, destruiu 307 casas, deixou cerca de 1200 pessoas desalojadas, inutilizou extensas áreas agrícolas e foi responsável pela emigração de aproximadamente 200 pessoas para o Brasil, marcando profundamente a história e a ocupação do território faialense.

A Península do Capelo integra ainda diversas estruturas vulcânicas como crateras múltiplas ou alongadas, resultantes da atividade fissural, e algares vulcânicos. Entre estes destaca-se a Furna Ruim, um algar com cerca de 55 metros de profundidade, implantado no Cabeço Verde.

A Península do Capelo é considerada um geossítio relevância regional, constituindo um dos mais impressionantes testemunhos da história vulcânica recente da ilha do Faial.

Dia Internacional da Mãe Terra | Dia Nacional do Património Geológico

21 abr. 2026

No dia 22 de abril, o planeta ganha voz. Celebra-se o Dia Internacional da Mãe Terra, uma data que convida a parar e refletir sobre a relação entre a Humanidade e o território que a sustenta. Mais do que uma comemoração simbólica, este dia é um poderoso lembrete de que a Terra não é um recurso inesgotável, mas sim um sistema vivo, complexo e frágil, do qual dependem todas as formas de vida.

Associado a esta efeméride, em Portugal assinala-se também o Dia Nacional do Património Geológico,

Grupo Português da ProGEO (Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico) decidiu proclamar 22 de abril como Dia Nacional do Património Geológico. Esta data é uma referência na sensibilização da população para o reconhecimento do valor do Património Geológico como parte integrante do Património Natural e ao mesmo tempo motivar entidades e órgãos de comunicação social para o debate sobre o papel da Geologia na sociedade contemporânea.

O que é o património geológico?

Proteger este património significa preservar a memória da Terra e garantir que as gerações futuras possam aprender, admirar e usufruir de paisagens únicas e irrepetíveis.

Compreender a Terra é o primeiro passo para a proteger.

Associando-se a esta efeméride, o Geoparque Açores, em colaboração com os seus parceiros, promove um conjunto alargado de atividades em várias ilhas, convidando a população a descobrir, conhecer e valorizar o património geológico através da ciência, da educação ambiental e do contacto direto com a natureza.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

14 abr. 2026

No próximo dia 18 de abril assinala-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, instituído em 1982 pelo ICOMOS e reconhecido pela UNESCO no ano seguinte. Esta data convida a refletir sobre a diversidade do património cultural e sobre a importância de o proteger, valorizar e compreender. É também um momento que lembra que cada edifício e cada rua guardam histórias, memórias e materiais que revelam muito mais do que vemos à primeira vista.

Ao longo dos últimos anos, o Açores Geoparque Mundial da UNESCO tem contribuído para esta sensibilização através da rubrica (Geo)Cultura, publicada regularmente no Açoriano Oriental. Nesta série, têm sido apresentadas particularidades do património edificado das cidades e vilas, com especial destaque para as rochas utilizadas na construção dos edifícios - materiais que, muitas vezes, são testemunhos diretos dos vulcões que moldaram o arquipélago. Esta recolha contínua de informação tem enriquecido o conhecimento disponível e revelado novas histórias associadas aos lugares que se habitam.

Deste trabalho nasceram as GEORotas Urbanas, percursos que cruzam património natural e cultural e que têm sido utilizados tanto como recurso educativo para a comunidade escolar como experiência geoturística apelativa para residentes e visitantes.

Deixa-se um convite: Passear pela cidade ou vila com um olhar especial, observar as texturas das paredes, os tons das pedras, os contrastes das fachadas e tudo aquilo que normalmente passa despercebido. E, ao encontrarem algo curioso ou interessante, partilhar. É possível telefonar, enviar um e-mail ou contactar através das redes sociais. Cada partilha ajuda a continuar a construir conhecimento e a valorizar este património que é de todos.

Semana dos Parceiros

07 abr. 2026

A 'Semana dos Parceiros' do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Geológico e Mineiro de Portugal, em 2026, realizou-se entre 23 e 29 de Março.

Nestes dias, abriu-se uma oportunidade rara - descobrir, por dentro, o património mineiro e geológico que moldou o país e a história. Durante uma semana, os Parceiros do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal abriram portas, com atividades únicas distribuídas pelo continente e pela Região Autónoma dos Açores, pensadas para todos os públicos:
- Visitas excecionais a locais de grande relevância geológica e mineira;
- Explorações noturnas em antigas minas;
- Descidas a galerias em laboração, para sentir o pulso da atividade mineira atual;
- Percursos pedestres por paisagens marcadas pela geodiversidade;
- Laboratórios e ateliers pedagógicos para crianças, jovens e família;
- Inaugurações de exposições, tertúlias e conferências.

Com atividades que aproximaram a comunidade da riqueza natural e histórica do território, esta edição evidenciou a importância de continuar a valorizar, preservar e divulgar os recursos geológicos que tornam os Açores um verdadeiro laboratório a céu aberto.

Assim, encerrou-se uma semana dedicada à descoberta, ao envolvimento e ao orgulho num património que é de todos - e que nos desafia a continuar a explorá-lo com respeito, curiosidade e sentido de futuro.

Geoparque Açores - 13 anos

31 mar. 2026

O Geoparque Açores celebra 13 anos de integração nas Redes Europeia e Global de Geoparques. O reconhecimento acorreu a 21 de março de 2013, durante a 12.ª Conferência Europeia de Geoparques, no Geoparque e Parque Nacional de Cilento, Vallo di Diano e Alburni, em Itália.

O Geoparque Açores foi um dos primeiros geoparques arquipelágicos do mundo e o 53.º geoparque europeu a integrar a Rede Global de Geoparques, que atualmente conta com 229 geoparques em 50 países.

Esta data assinala mais de uma década de dedicação à proteção e à valorização do património geológico dos Açores, em que a geoconservação, a geoeducação e o geoturismo foram o motor de desenvolvimento sustentável e da valorização do território.

Foram 13 anos de programas educativos, ações de capacitação e atividades que promoveram a ligação entre as comunidades e o território, e cultivaram a resiliência face aos riscos geológicos e às alterações climáticas.

Foram também 13 anos em que a geodiversidade e o património geológico incentivaram a criação de serviços e produtos que valorizaram o nosso território - mas igualmente 13 anos de desafios, que fortaleceram o Geoparque Açores e o afirmaram nas redes como uma referência.

Rede Europeia de Geoparques

24 mar. 2026

O Geoparque Açores participou na 53.ª Reunião do Comité de Coordenação da Rede Europeia de Geoparques realizada no Geoparque Karavanke-Karawanken (um geoparque transfronteiriço que inclui as montanhas Karavanke na Eslovénia e Áustria). Este encontro reuniu representantes de todos os Geoparques Mundiais da UNESCO na Europa e é um momento central para o acompanhamento dos trabalhos da rede e para a definição das orientações estratégicas que enquadram o funcionamento dos geoparques a nível europeu.

A participação do Geoparque Açores é muito importante e permite assegurar a representação formal do território no contexto da Rede Europeia, participar nas sessões de trabalho do Comité de Coordenação e nas reuniões técnicas dedicadas à gestão, geoconservação, educação, turismo sustentável e comunicação. Durante esta reunião definem-se também ações a desenvolver no âmbito dos diferentes grupos de trabalho que existem na rede europeia. O Geoparque Açores tem um papel importante no grupo de trabalho de geoparques em áreas vulcânicas, cujo catalisador é o Prof. João Carlos Nunes. Nesta reunião será lançado um livro dedicado às lendas de cada território, que têm origem de alguma forma em elementos da geodiversidade.

Na reunião discutiram-se ainda as metodologias de avaliação e processos de monitorização face às prioridades definidas pela UNESCO para os geoparques nos próximos anos. Para além das sessões plenárias, foram também realizadas sessões de apresentação de projetos europeus, onde foi possível reforçar contactos, identificar oportunidades de cooperação e partilhar experiências com outros territórios.

A participação nestes encontros é fundamental para garantir o cumprimento dos requisitos dos Geoparques Mundiais da UNESCO, assegurando que o Geoparque Açores se mantém alinhado com as orientações internacionais e com a dinâmica de evolução da rede. Contribui também para reforçar a visibilidade externa do arquipélago, fortalecer parcerias, acompanhar tendências e metodologias atualizadas, e consolidar o papel do Geoparque Açores enquanto território ativo, colaborativo e comprometido com a geoconservação e o desenvolvimento sustentável.

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