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Rota Urbana | Velas|29 set. 2026
São Jorge distingue-se das restantes ilhas açorianas por não possuir um grande vulcão central. Em vez disso, apresenta-se como uma longa cordilheira vulcânica construída por centenas de pequenos vulcões. É esta sucessão de vulcões que explica a forma estreita e alongada da ilha e as impressionantes arribas que terminam nas famosas fajãs.
Esta vila segue a norma de implantação dos núcleos urbanos principais nas costas de orientação a Sul. Está junto a dois antigos cones de tufos surtseianos, os Morros Grande de Velas e do Lemos (geossítio do Geoparque), numa espécie de plataforma baixa, saliente da linha costeira - uma fajã.
Foi elevada a vila em 1490, e constitui, com a Calheta e o Topo, um dos três únicos lugares com carácter urbano, nesta ilha de sentido carácter rural. Em termos de estrutura, os seus dois arruamentos centrais atravessam o núcleo histórico do povoado, desde o chamado ?Portão do Mar? (junto ao cais de entrada), à pequena praça fronteira aos Paços do Concelho.
No seu património edificado predominam os basaltos e o tufo, proveniente dos cones vulcânicos vizinhos. Um passeio pelo centro histórico permite descobrir estes materiais em alguns dos mais emblemáticos edifícios das Velas.
Na Igreja Matriz de São Jorge, por exemplo, destaca-se o uso do basalto como pedra de lavoura, visível no interior do templo, nos púlpitos e em vários elementos decorativos. Já no edifício dos Paços do Concelho, um notável exemplar do chamado barroco açoriano, merece atenção o brasão talhado em basalto proveniente do Pico Alto (em Toledo), um dos cones vulcânicos que integram a cordilheira vulcânica da ilha.
O tufo vulcânico encontra-se também bem representado na paisagem urbana das Velas. Um dos melhores exemplos é o antigo Portão do Mar, construído junto ao cais da vila e associado ao antigo sistema defensivo da ilha. Acredita-se que tenha sido originalmente edificado com tufos extraídos dos Morros de Velas e do Morro de Lemos, duas estruturas vulcânicas que continuam a marcar a paisagem envolvente.
Outro local de visita obrigatória é o atual Centro de Apoio ao Artesanato, um edifício singular pela utilização quase exclusiva de tufo surtseiano na sua construção. No interior é ainda possível observar algumas das características desta rocha vulcânica resultante de antigas erupções submarinas.
O mesmo material pode ser observado nas arcadas remanescentes do antigo Convento de Nossa Senhora do Rosário, hoje integradas no Parque de Estacionamento do Convento, constituindo um dos mais interessantes exemplos da geodiversidade urbana da Vila de Velas.
Merecem ainda destaque a Ermida de Nossa Senhora do Livramento, com as suas cantarias em basalto negro, e os vestígios do antigo moinho do Morro Grande, construído em tufo surtseiano.
Já no Largo Dr. João Pereira, em frente à Igreja Matriz, encontramos um curioso encontro entre geologia, património e lenda. Aqui destacam-se a estátua de João Inácio de Sousa, benemérito da ilha, feita em calcário com fósseis de rudistas, e uma representação do dragão associada a São Jorge, esculpida em basalto.
Muitos destes locais foram já abordados em detalhe na página Geodiversidades do jornal Açoriano Oriental e podem ser consultados no sítio da internet do Geoparque Açores. Ao percorrer as ruas das Velas, vale a pena olhar para além das fachadas e descobrir a geodiversidade que ajudou a edificar uma das mais emblemáticas vilas de São Jorge.