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Fecho de fábricas da Volkswagen. Milhares em "greves de advertência" na Alemanha

Fecho de fábricas da Volkswagen. Milhares em "greves de advertência" na Alemanha

Os trabalhadores de nove fábricas de automóveis e componentes da Volkswagen na Alemanha começam esta segunda-feira a cumprir "greves de advertência" de duas horas. O sindicato promete "a mais dura negociação salarial" que a construtora "já viu" em resposta aos planos para fechar três fábricas e reduzir salários em dez por cento, face à quebra nos lucros.

Carla Quirino - RTP /
Sede da VW em Wolfsburg, Alemanha. Manifestação de trabalhadores em greve onde se lê no cartaz "Basta. B2 está pronto para lutar“. Julian Stratenschulte/Pool via Reuters

São milhares de funcionários que participam nesta paralisação por toda a Alemanha. Chamam-lhe  "greves de advertência"

O sindicato IG Metall reportou que pelo menos nove fábricas de automóveis e componentes da Volkswagen (VW) aderiram à greve esta segunda feira, que começou às 9h30, paralisando linhas de montagem.

"As greves de advertência começam esta segunda-feira em todas as fábricas", disse Thorsten Groeger, que lidera as negociações sindicais com a construtora alemã. E deixa claro: "Se necessário, esta será a negocição salarial mais dura que a Volkswagen já viu".
“Inverno quente” de greves
A gigante dos automóveis, que se diz em dificuldades, prevê reduções orçamentais de 18 mil milhões de euros. Os cortes irão imprimir alterações significativas nos planos de pensões e salários que apontam uma redução de dez por cento. 

Na semana passada, o sindicato propôs medidas que,  na sua perspetiva, permitiriam poupar 1,5 mil milhões. Este valor inclui a renúncia a bónus para 2025 e 2026. Porém, a maior construtora automóvel da Europa rejeitou. Por sua vez, para além do corte salarial, a Volkswagen acenou com o fecho de três fábricas em solo alemão, argumentando que precisa de cortar custos e aumentar o lucro para defender a sua participação no mercado.O fecho de três fábricas na Alemanha é algo sem precedentes na história da VW. Deixará muitos trabalhadores no desemprego.

Groeger acusou a "Volkswagen de ter incendiado os acordos de negociação coletiva" e que o conselho da empresa agora está "atirar barris de gasolina para cima deles".

"O que se segue agora é o conflito que a Volkswagen provocou — não o queríamos, mas vamos conduzi-lo com o máximo compromisso necessário", acrescentou.

São esperadas milhares de pessoas numa concentração junto à sede da VW em Wolfsburg. Às portas da fábrica de Hanover, que emprega cerca de 14 mil pessoas, e de outras fábricas de componentes e automóveis, incluindo Emden, Salzgitter e Brunswick, estão previstas manifestações.

O Grupo VW inclui marcas como a Audi e a Porsche. É o maior empregador da Alemanha, com quase 300 mil funcionários no país, dos quais cerca de 120 mil são abrangidos por um acordo coletivo de trabalho.

A IG Metall acrescenta que a resposta da VW foi “extremamente lamentável” e acusa a empresa de “ignorar as propostas construtivas dos representantes dos funcionários”. O sindicato deixou claro que os próximos tempos trazem um “inverno quente” de greves.

Também a principal representante dos funcionários, Daniela Cavallo, defende que os trabalhadores "não devem arcar com o fardo das falhas da gestão para desenvolver produtos atraentes e criar um veículo elétrico mais barato e de nível básico".

“Exigimos que todos façam a sua contribuição – a gestão e também o lado dos acionistas”, declarou Cavallo no plenário em Wolfsburg.

As negociações continuarão a 9 de dezembro. Os sindicatos prometem resistir a quaisquer propostas que não forneçam um plano de longo prazo para cada fábrica da VW. 
Reflexos da economia lenta
Os gestores da Volkswagen reiteram que a “a situação económica piorou” e que, por isso, a empresa exige “uma reestruturação fundamental”, invocando a queda nas vendas, associada aos custos mais altos de mão de obra, energia e matérias-primas. 

Desta forma, a crise na Volkswagen sublinha as dificuldades enfrentadas pelo motor económico da Zona Euro. A economia alemã, caracterizada por ser fortemente exportadora, está em declínio devido à redução da procura, nomeadamente do mercado chinês.

Isto porque não só Pequim começou a produzir veículos elétricos, como as taxas de entrada na União Europeia sobre os produtos chineses geraram receios de medidas retaliatórias.

Em outubro, a VW reportou uma quebra de 64 por cento nos lucros do terceiro trimestre. Esta retração acompanhou outras gigantes alemãs, como a BMW e a Mercedes-Benz, que também revelaram grandes perdas.
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