Moreira Rato: é preciso explicar qual foi o preço da redução da dívida
Continua por explicar como foi feita a redução da dívida pública no final do mandato do anterior Governo. As explicações dadas pelo anterior ministro das Finanças não são suficientes para se perceber como foi feita a redução da dívida pública.
Ainda sobre a dívida pública, João Moreira Rato, que atualmente é Presidente do Instituto Português de Corporate Governance, considera que vai ser impossível reduzi-la, como estava previsto, em 4% e cumprir as promessas eleitorais do Governo. Aliás, feitas as contas, se o Governo aumentar salários e reduzir a carga fiscal não vai ser possível manter o superavit. Para reduzir a dívida pública em 2% ano, o défice passa para 1%.
João Moreira Rato lembra que as novas regras europeias obrigam Portugal a apresentar planos de estabilidade mais detalhados, com a evolução da execução das medidas ao longo dos anos, como acontece, por exemplo, com o pagamento aos professores, e essa situação, apesar de conferir mais transparência ao processo, também pode significar "um bocadinho mais de transferência de soberania".
Sobre a esperada redução da taxa de juro pelo BCE, João Moreira Rato considera que dada a atual fraqueza económica, neste momento, faz sentido reduzir a taxa de juro e antevê que a tendência se vai manter.
Nesta entrevista, João Moreira Rato revelou ainda que o Instituto Português de Corporate Governance está a preparar um conjunto de recomendações para a Governance do Setor Empresarial do Estado que pretende entregar ao Governo. Segundo Moreira Rato, nesta matéria, o Estado está muito mais atrasado do que o privado e, se existissem regras definidas, casos como o da TAP, com membros do Executivo a falarem diretamente com membros do Conselho de Administração, não aconteceriam.
Uma entrevista ao programa Conversa Capital que pode acompanhar em podcast aqui.