França. Rejeitada primeira moção de censura a François Bayrou
Dias depois de apresentar o seu programa de governo, o primeiro-ministro de França, empossado há apenas um mês, enfrentou esta quinta-feira a primeira moção de censura ao seu governo minoritário.
A moção de censura desta quinta-feira foi proposta pelo partido França Insubmissa, que representa a esquerda radical, sendo subscrita pelos deputados comunistas e ecologistas, aliados na Nova Frente Popular, que venceu as eleições.
Numa primeira brecha à aliança entre aqueles três partidos mais o PSF, os socialistas preferiram contudo desta vez não dar aval à censura, mesmo sem excluir opção diversa quando for apresentado o Orçamento do Estado. Reunido esta quinta-feira, o Conselho Nacional do PS francês decidiu não votar a moção, após um debate "aceso", de acordo com um dos participantes.
Olivier Faure, secretário-geral socialista, explicou que, apesar da decisão de hoje, o PS permanece "na oposição". Está contudo "aberto a acordos", e irá lembrar as suas "exigências" orçamentais quando fôr negociar com o executivo de Bayrou.
O primeiro-ministro está disposto a fazer concessões para garantir o apoio socialista, numa estratégia diferente do seu antecessor, Michel Barnier, que procurou o apoio do RN.
Sem abandonar totalmente a proposta contestada do aumento da idade da reforma, François Bayrou já admitiu revê-la, caso os parceiros sociais apresentem alternativas ao financiamento do sistema de pensões.
Mesmo antes do debate na Assembleia sobre a moção de censura, o primeiro-ministro não hesitou em apontar o dedo à extrema esquerda, acusando-a de fomentar a discórdia permanente.
"A escolha que temos perante nós, na situação tão grave que o nosso país enfrenta", lembrou, é "entre o perpétuo confronto interno e a tentativa de encontrar uma via de diálogo, de reflexão, de compromisso, de negociação para que as coisas avancem".
Já Manuel Bompard, coordenador nacional do França Insubmissa, previu a queda do "governo do mal" de Bayrou assim como a do "monarca" Macron, sem deixar de lançar farpas aos socialistas, atacando a "irresponsabilidade" daqueles que preferem "esperar ainda alguns dias ou semanas", para se pronunciarem.
O centrista François Bayrou, de 73 anos tenta evitar que o seu período de permanência no cargo seja inferior ainda ao do seu antecessor, Michel Barnier, que foi primeiro-ministro uns escassos três meses, tendo caído perante uma aliança dos deputados da esquerda e da extrema direita sem conseguir aprovar um Orçamento.
As eleições do verão de 2024 resultaram num Parlamento fraturado em três blocos, o da aliança da esquerda, o de macronistas e centristas e o da extrema-direita, sem que nenhum detenha a maioria absoluta.
Macron decidiu não convidar o bloco maioritário da Nova Frente Nacional a formar governo, preferindo nomear sucessivos primeiros-ministros da sua área política que não conseguem fazer passar os seus programas.