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Cavaco deixa no Douro votos para que Portugal "chegue a bom porto"

Cavaco deixa no Douro votos para que Portugal chegue a bom porto
legenda da imagemO Presidente da República, Cavaco Silva, e a sua mulher, Maria Cavaco Silva, acompanham, pela primeira vez em visita oficial, o presidente da câmara municipal do Porto, Rui Rio e a sua mulher nas Festas de S. João no Porto
José Coelho, Lusa

“Temos que fazer todo o possível para que tudo vá no bom sentido, para que o barco chegue a bom porto.” Foi a primeira reação de Cavaco Silva aos números da execução fiscal, questionado pelos jornalistas na primeira visita como Presidente da República às festas de S. João, no Porto. Acompanhado pela mulher, Maria Cavaco Silva, e a convite do presidente da câmara municipal do Porto, Rui Rio, Cavaco embarcou num passeio no Rio Douro, onde jantou e assistiu ao típico fogo-de-artifício que marca a festa tradicional.

Foi a primeira vez que Cavaco Silva esteve, enquanto Presidente da República, nas festas de S. João, no Porto. Depois de uma visita ao Museu Nacional da Imprensa, o Presidente da República, Maria Cavaco Silva, Rui Rio e a mulher embarcaram num passeio no Rio Douro. Na embarcação esperavam os jornalistas que tentavam obter uma primeira reação de Cavaco Silva sobre os dados apresentados no boletim de execução orçamental divulgado na sexta-feira pela Direção-Geral do Orçamento.

A visita tinha um registo informal, comunicado pela resposta do Presidente da República que utilizou uma metáfora para recomendar trabalho e ponderação ao Executivo e ao Povo. "Eu espero que o barco aguente e por isso tenho aconselhado a que não corram rapidamente de um lado para o outro, para que não aconteça qualquer acidente. No dia de hoje temos que fazer todo o possível para que tudo vá no bom sentido, para que o barco chegue a bom porto. E é isso também que Portugal precisa", disse Cavaco.

Os dados apresentados sobre a execução orçamental de 2012 na passada sexta-feira não foram positivos, com alguns economistas a afirmar que podem ser necessárias novas medidas de austeridade que incidam sobre a despesa ou mesmo uma renegociação do acordo com a troika para cumprir o objectivo do défice para este ano, mas o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afastou a necessidade imediata de mais medidas de austeridade para compensar a quebra de receita do Estado.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, admite que a quebra nas receitas fiscais aponta para um aumento dos riscos e incertezas, mas assegura que o governo está determinado a cumprir a meta para o défice de 4,5 por cento para 2012, alertando que “o esforço necessário para atingir este valor é muito importante”.
A receita fiscal do Estado caiu 3,5 por cento nos primeiros cinco meses deste ano por comparação com o mesmo período de 2011, segundo o boletim de execução orçamental divulgado hoje pela Direção-Geral do Orçamento. Os dados assinalam uma redução homóloga de 3,5 por cento na receita fiscal do Estado, particularmente acentuada nos impostos indiretos, onde a quebra foi de 5,9 por cento, compensado parcialmente por um aumento de 0,3 por cento nos impostos diretos.

Entre os impostos indiretos, destaca-se o IVA (que representa quase metade do total da receita fiscal), e cuja receita caiu 2,8 por cento em relação ao ano anterior. A expectativa do Governo era que a receita deste imposto subisse.

Registaram-se diminuições nas receitas do imposto sobre os combustíveis (menos 8,4 por cento), sobre o tabaco (menos 14,4 por cento) e sobre os veículos (menos 47,7 por cento)

Cavaco limitou as declarações ao mínimo possível, interrompendo com duas palmas as perguntas dos jornalistas e dizendo com entusiasmo “Vamos à festa!”. Ao jantar, como Cavaco confessara que esperava que acontecesse, não faltaram as sardinhas e o caldo verde.

Quando os relógios marcavam meia-noite, começou o fogo-de-artifício de S. João e Cavaco Silva, acompanhado da mulher, assistiu ao espetáculo de 15 minutos no varandim do barco Douro Azul.

Lembrando que esta "é a noite mais longa dos portuenses", e que na noite de 23 de junho "o Porto polariza as atenções", o Presidente da República deixou os comentários sobre o estado do país para outra ocasião, afirmando que “todo o meu olhar hoje vai para a cidade do Porto e para os festejos que aqui se celebram e que são uma marca profunda desta cidade. E cada cidade tem que saber encontrar aquilo que é específico, que é a sua essência, que marque a sua identidade e portanto que se distingue de todas as outras. E o S. João é uma marca distintiva da cidade do Porto", afirmou.

Na embarcação Douro Azul estavam também o ministro da Saúde, Paulo Macedo, o eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, o presidente da câmara da Maia, Bragança Fernandes, o presidente da câmara Gondomar, Valentim Loureiro, ex-treinador do Sporting, Domingos Paciência, e outras figuras da cidade do Porto.

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