Circulação do euro apresenta vantagens para o país - Gualberto do Rosário

A circulação do euro em Cabo Verde como moeda nacional seria um "passo de gigante para a economia cabo-verdiana" afirmou hoje à Agência Lusa, o economista Gualberto do Rosário.

Gualberto do Rosario foi Ministro da Coordenação Económica e conduziu, pela parte cabo-verdiana, as negociações do acordo de cooperação cambial entre Cabo Verde e Portugal, assinado a 19 de Março de 1998.

O antigo ministro só vê vantagens nesta decisão, mas ressalvou que deve ser feita no quadro do acordo com a União Europeia com base em algumas contrapartidas, nomedamente a liberdade de circulação de capitais.

"Isso seria um passo de gigante, porque com a adopção da moeda europeia teríamos maior facilidade na obtenção de créditos nas institutições financeiras da Europa porque o grau de confiança aumentaria", afirmou.

Gualberto do Rosário prevê ainda que as taxas de juro em Cabo Verde também baixariam, criando um ambiente de negócios muito mais favorável.

O economista defende que com um acordo desta natureza Cabo Verde passaria a uma "integração economica" na União Europeia, embora não tendo uma integração de facto.

Por seu turno, o economista Óscar Santos também defende que a circulação da moeda europeia é uma questão que poderá trazer vantagens se for decidida na base de um acordo com a União Europeia.

"É verdade que a maior parte dos turistas que vem a Cabo Verde é da Europa, as trocas comercias são feitas maioritariamente com a Europa e trata-se de uma moeda estável com um baixo nível de inflaçcão", defendeu.

Mas Óscar Santos explicou à Lusa, que neste momento, a acontecer a euroização da economia cabo-verdiana, seria uma decisão unilateral por parte de Cabo Verde.

"A adopção de uma moeda estrangeira de forma unilateral acontece essenciamente por duas razões: um país toma essa decisão unilateral de adoptar a moeda de outrem por falta de confiança na própria moeda e por ter taxas de inflação muito altas. Não é o caso de Cabo Verde", referiu.

Óscar Santos adianta ainda que caso fosse decidida no âmbito da parceria especial que Cabo Verde tem com a Europa seria um cenário diferente porque o país iria integrar a zona económica da Europa.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, admitiu que, no quadro da parceria especial com a União Europeia (UE), o país está a estudar a possibilidade de circulação do euro no país.

Discursando no evento que assinalou os dez anos de assinatura do acordo cambial entre Cabo Verde e Portugal, José Maria Neves defendeu a possibilidade da circulação do euro no arquipélago como um aprofundamento do acordo de cooperação cambial entre os dois países.

CLI.

Lusa/Fim


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