Caso das gémeas. Buscas da PJ no Ministério da Saúde e em Santa Maria, Lacerda Sales é arguido há três dias
A Polícia Judiciária desencadeou esta quinta-feira buscas no Ministério da Saúde e no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no quadro da investigação sobre suspeitas de favorecimento de duas gémeas luso-brasileiras com um medicamento de quatro milhões de euros. A RTP apurou que a casa de António Lacerda Sales foi igualmente alvo de buscas, na passada segunda-feira, tendo o antigo secretário de Estado sido então constituído arguido.
Com a realização desta operação, frisa PJ em comunicado, “procura-se a recolha de equipamentos de telecomunicações, informáticos, prova de natureza documental, correio eletrónico, elementos que serão submetidos a exames e perícias, tendentes ao cabal esclarecimento dos factos”. As buscas no Ministério estão centrada na Secretaria de Estado da Saúde, onde funciona o gabinete do ex-secretário de Estado, Lacerda Sales, que é um dos principais suspeitos de crimes como tráfico de influência ou abuso de poder. Lacerda Sales é apontado como recetor das cunhas diretas de Nuno Rebelo de Sousa, amigo dos pais das crianças, tendo o governante alegadamente movido influências para o tratamento.
A cabeça de lista do PS às europeias e antiga ministra da Saúde admitiu estar "disponível para dar todos os esclarecimentos", acrescentando que não teve conhecimento sobre o caso das gémeas luso-brasileiras.
"Espero ser chamada, naturalmente. Estou disponível para dar todos os esclarecimentos", afirmou. "As polícias e o Ministério Público têm de fazer o seu trabalho de investigação. Não comento timmings, não comento decisões. Cada um tem de fazer o seu trabalho".
Garantido que "os ministros não autorizam a administração de medicamentos", a ex-governante com a tutela da Saúde acrescentou ainda "com a maior tranquilidade" que confia "nas instituições, verdadeiramente".
"Tenho de ter confiança que as diligencias que estão a ser feitas têm um propósito e que vão conduzir a um apuramento total dos factos deste caso", adiantou, e repetindo não temer que os desenvolvimentos do caso afetem a campanha, até porque já se sabia que as investigações estavam a decorrer.
"É importante que todas as portuguesas e os portugueses tenham a perceção de que quando há uma suspeita ela tem que se investigada e quem é envolvido nessa suspeita tem de se disponibilizar a colaborar e a esclarecer", vincou a cabeça de lista do PS para as eleições europeias.
"Pela minha parte, esclareço publicamente que nada tiver a ver com este caso e que estou disponível para colaborar com toda a investigação", insistiu.
Questionada sobre o eventual impacto das buscas desta quinta-feira para a campanha socialista, Marta Temido disse acreditar que "os portugueses são sábios". O caso está ainda a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), tendo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) já concluído que o acesso à consulta de neuropediatria destas crianças foi ilegal. Também uma auditoria interna do Hospital Santa Maria concluiu que a marcação de uma primeira consulta hospitalar pela Secretaria de Estado da Saúde foi a única exceção ao cumprimento das regras neste caso.
A comissão de inquérito ao caso das gémeas tratadas com o medicamento Zolgensma agendou já o início das audições para 17 de junho, com depoimento do antigo secretário de Estado Adjunto e da Saúde António Lacerda Sales.