ÚLTIMA HORA
Euro2024. Espanha é Campeã da Europa ao bater na final a Inglaterra por 2-1

É preciso juntar 35 anos de salários para comprar casa em quatro regiões portuguesas

por Gonçalo Costa Martins - Antena 1
Gonçalo Costa Martins - Antena 1

Um trabalho europeu sugere que existem quatro regiões em Portugal onde é preciso juntar mais de 35 anos de salários para comprar uma casa de 100 metros quadrados.

A Madeira, o Algarve e as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto apresentam-se a negro nesse mapa, num cenário comparável com várias regiões do leste europeu.

Para fazer este indicador teórico, o Observatório em Rede do Ordenamento do Território Europeu olhou para as regiões europeias (em NUTS III) e comparou os preços de vários anúncios online, verificados no dia 7 de março de 2024, com o PIB per capita (rendimento por pessoa).

Com 40% desse rendimento anual, é preciso juntar esse valor durante mais de 35 anos para comprar uma habitação com 100 metros quadrados nessas regiões. Os anos baixam noutras partes do país para os 10 a 30 anos.

Número de anos necessários para comprar 100 metros quadrados gastando 40% do rendimento anual
Fonte: Retirado do relatório "Casa para todos: Acesso a Habitação Acessível e de qualidade para todas as pessoas", do ESPON - Observatório em Rede do Ordenamento do Território Europeu

"As regiões que contêm e rodeiam capitais como Paris, Berlim, Lisboa e Madrid são frequentemente menos acessíveis em comparação com o resto do país", lê-se no relatório. As regiões costeiras tendem também "a ser menos acessíveis", algo "claramente visível nos Países Baixos e na Alemanha, em Portugal, em Espanha e em França".

Sem surpresa a olhar para os resultados, a investigadora de demografia Alda Botelho Azevedo sublinha que a situação é pior nas regiões do litoral, mas que, mesmo no interior, os preços das casas são subestimados.

Os custos poderiam ser maiores porque é possível colocar num website uma casa "em qualquer estado, para recuperar, para reconstruir, para remodelar, pronta a habitar", afirma a académica do Instituto de Ciências Sociais.

"Os preços dispararam de forma desfasada do aumento do rendimento", caracteriza sobre a situação em Portugal.
Comprar ou arrendar? Ambos difíceis

Duarte Fernandes tem 44 anos e dois empregos e, ainda assim, tem dificuldade em pagar o T2 que arrenda em Carcavelos, no concelho de Cascais, por 800 euros.

Conseguiu encontrar casa este mês, depois de tentar desde novembro do ano passado. Cedo percebeu que seria "impossível" comprar, "são dez cães para um osso" entre os anúncios online e o dinheiro que tinha disponível (sem ponderar pedir um empréstimo).

"Pensei que fosse muito mais fácil arrendar uma casa", disse Duarte, que procurava inicialmente um T1 - embora ele viva com a filha de 17 anos, preparava-se para fazer umas "divisórias compatíveis com os dois".

Acabou por conseguir "por acaso" a casa para onde está a fazer mudanças, como ele descreve à Antena 1.

O estudo do ESPON, que faz parte do projeto "House for all" (Casa para todos), mostra também que, para pagar uma renda, um único rendimento mensal pode não chegar - seria preciso parte de um segundo rendimento. É o que é indicado na Alto Tâmega e Sousa, Tâmega e Sousa, Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa e Alto Alentejo.

Percentagem de rendimento mensal necessário para arrendar 100 metros quadrados
Fonte: Retirado do relatório "Casa para todos: Acesso a Habitação Acessível e de qualidade para todas as pessoas", do ESPON - Observatório em Rede do Ordenamento do Território Europeu

Sobre a compra de casa e os dados que este estudo traz, Alda Botelho Azevedo destaca a situação difícil dos jovens portugueses, com dificuldades em pedir crédito à habitação, ainda mais se os salários forem baixos e se saírem tarde da casa dos pais.

Tópicos
PUB