Quatro professores norte-americanos feridos em ataque com faca na China

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lin Jian Ichiro Ohara - The Yomiuri Shimbun via AFP

Quatro professores norte-americanos ficaram feridos num ataque com faca num parque público na China, na segunda-feira. Pequim classificou o incidente como um "caso isolado" e acredita que "não prejudicará as relações" com os EUA e outros países.

Quatro professores norte-americanos do Cornell College, no Iowa, foram esfaqueados enquanto visitavam um parque público na província de Jilin, no nordeste da China.

A faculdade classificou o incidente como “grave” e disse estar em contacto com os quatro professores que participavam num programa de intercâmbio académico na China.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lin Jian, confirmou o ataque e classificou-o como um “caso isolado”.

"A polícia fez uma avaliação preliminar de que este é um caso isolado. Uma investigação está em curso", anunciou.

Lin Jian avançou ainda que os quatro norte-americanos feridos foram transferidos para o hospital “o mais rápido possível e receberam tratamento adequado”. “As suas vidas não estão em perigo”, confirmou.

"A China é geralmente reconhecida como um dos países mais seguros do mundo. Sempre tomou medidas eficazes e continuará a tomar medidas relevantes para proteger eficazmente a segurança de todos os estrangeiros na China", disse o porta-voz do Ministério, que acredita que este incidente “não prejudicará as relações” com os EUA e com outros países.

O Departamento de Estado dos EUA disse estar a par dos relatos e afirmou que está a acompanhar a situação. Os ataques a cidadãos estrangeiros, especialmente ocidentais, são extremamente raros na China. Os detalhes do ataque, incluindo a identidade do agressor e as suas motivações, são ainda desconhecidos.

Imagens alegadamente do ataque que circulavam nas redes sociais mostravam as vítimas caídas no chão com manchas de sangue. Nas redes sociais chinesas, as imagens foram rapidamente censuradas. Os meios de comunicação da China não publicaram qualquer notícia sobre o ataque, enquanto um ‘hashtag’ sobre o incidente foi bloqueado nas redes sociais do país.
Pequim e Washington procuram restabelecer os intercâmbios interpessoais
O ataque ocorre numa altura em que Pequim e Washington procuram restabelecer os intercâmbios interpessoais como parte dos esforços para diminuir a tensão nas relações diplomáticas, nomeadamente em questões como Taiwan, o mar do sul da China e a guerra na Ucrânia.

Como parte destes esforços, o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu convidar este ano 500 mil jovens norte-americanos para a China para programas de estudo. No entanto, o Departamento de Estado dos EUA mantém o aviso de viagem de nível 3 – o segundo mais elevado – e apelou aos norte-americanos a “reconsiderarem as viagens” para a China, citando o risco de detenções arbitrárias e proibições de saída.

O Cornell College, nomeadamente, lançou em 2018 um programa no âmbito do qual a Universidade Beihua, na cidade de Jilin, fornece financiamento para professores norte-americanos viajarem para a China e darem uma parte dos cursos de ciências informáticas, matemática e física durante duas semanas.

Numa carta enviada na semana passada ao presidente da Universidade Kean, em New Jersey, Xi incentivou as universidades da China e dos EUA a “fortalecerem os intercâmbios e a cooperação”.

Em conferência de imprensa esta terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros rejeitou as preocupações de que o ataque contra professores norte-americanos afetará os intercâmbios educacionais entre a China e os Estados Unidos.


“A realização de intercâmbios culturais e interpessoais entre a China e os Estados Unidos é do interesse comum de ambos os lados e recebeu apoio e resposta ativos de vários setores em ambos os países”, disse Lin Jian.

c/agências
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